The Bens – The Bens EP

23/11/2009 por eduardo


The Bens EP [2003] <- Download

The Bens foi um projeto paralelo relâmpago que reuniu os xarás Ben Kweller, Ben Lee e Ben Folds. A banda gravou um EP homônimo em 2003, que teve suas 3.500 cópias vendidas durante os nove shows que fizeram juntos na The Bens Rock Over Australia Tour. Sem medo de soar pop, a sonoridade das quatro faixas corresponde às expectativas de uma parceria entre os Bens: baladas ao violão, arranjos de piano, algumas guitarras, refrões grudentos e backing vocals entrosados.

Just Pretend

Stop!

Libraness – Yesterday… and Tomorrow’s Shells

16/11/2009 por André

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Yesterday… and Tomorrow’s Shells [2000] <- Download

Nos anos 90, Ash Bowie foi fundador do Polvo, em que tocava guitarra e cantava. Também participou do Helium, de sua então namorada Mary Timony, assumindo o baixo a partir de 1994. Este currículo já deve ser o bastante para que você releve a capa pavorosa do único disco do Libraness, projeto solo de Bowie. Yesterday… and Tomorrow’s Shells, lançado em 2000 pela Tiger Style, é composto por 14 faixas, produzidas ao longo de sete anos na casa do ex-líder do Polvo. Entre experimentações barulhentas, que não deixam de ser interessantes, encontram-se pérolas lo-fi de todo tipo: Face on Backwards é incrivelmente grudenta para uma música tão ruidosa e fragmentada; No Separation entraria bem em um disco do Folk Implosion; e a viajada Hit The Horizon se destacaria numa coletânea da Flying Nun ou da Elephant 6 — só para citar algumas.

Libraness - Face on Backwards

Libraness - Hit the Horizon

Libraness - Totempole

Ulysses – .010

13/11/2009 por eduardo

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.010 [2004] <-Download

Robert Schneider é o líder do Apples in Stereo, banda que recentemente ficou conhecida do grande público através de um comercial da Pepsi. Desde então, o Apples passou a dividir com o Of Montreal o posto de filho mais popular do coletivo/gravadora Elephant 6. No entanto, a importância de Schneider para a E6 não se restringe a divulgá-la para o mainstream. Além de ter sido um dos seus mentores, foi ele quem produziu In The Aeroplane Over The Sea, do Neutral Milk Hotel, disco mais cultuado do coletivo. Acrescenta-se ainda a sua biografia o Marbles, um projeto solo que remete aos primórdios da panela folk-psicodelia-lo-fi surgida em Denver – e depois fixada em Athens. Mas este post é sobre o desconhecido Ulysses, excelente projeto paralelo que rendeu-lhe um dos melhores álbuns de sua carreira.

Com o término de um relacionamento, Robert foi morar em Lexington, Kentucky, onde deu à luz o primeiro e último álbum do Ulysses. .010 é uma exceção no catálogo E6, renegando a tradição folk para emular as guitar bands americanas dos anos 90 – nem o Chocolate USA foi tão longe nesta direção. Gravado ao vivo, o álbum tem guitarras que sugerem a influência de Pavement, Dinosaur Jr e Wedding Present. Dito desta maneira, parece uma volta à estréia do Apples, marcada por gravações lo-fi e passagens noise. Não é bem assim. Overdubs posteriores deixaram o som mais cheio e polido, de modo que, na discografia da banda principal de Schneider, o disco se encaixaria na transição entre o barulhento Velocity of Sound, de 2002, e o radiofônico New Magnetic Wonder, de 2007.

.010 alterna entre sentimentos extremos decorrentes de uma separação. De um lado, desolação e insegurança; do outro, liberdade e o vislumbramento de uma nova etapa da vida. E como não estamos falando de um divorciado qualquer, mas de Robert Schneider, estes sentimentos vem à tona em canções redondas, na medida para serem usadas em comerciais de refrigerante. A abertura Push You Away tem uma progressão de acordes melancólica e viciante, que desemboca numa redenção pop, com um coro cantado a todos pulmões. Já a agitada The Falcon representa a outra faceta, empolgante do começo ao fim, que funciona para animar festas de apartamento, com os móveis afastados e latas de cerveja pela casa.

Push You Away

The Falcon

Castles In Spain

Lê Almeida – REVI

11/11/2009 por André

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REVI [2009] <- Download

Da brilhante estréia do Coloração Desbotada até REVI, Lê Almeida percorreu um bom caminho. Entre outros projetos — todos lançados pela Transfusão Noise Records, seu próprio selo, e gravados sempre no Interestellar Lo-Fi, seu quarto —, ele começou uma carreira solo com seu próprio nome, lançou três EPs inacreditáveis e foi convidado para integrar o cast do selo indie mais tradicional do país. REVI (lê-se heavy) marca o início de uma nova fase. É a maturidade artística batendo à porta, e entrando como mais um dos camaradas, sem desalojar nada do que havia ali. Lê está de bem com seus anseios, temores, dúvidas. “Nunca tive algo mais que duas rodas pra me acompanhar até o centro”, diz em Nunca Nunca, retornando à recorrente imagem da bicicleta. Depois de uma breve lista de desejos reprimidos do passado, conclui: “algo tão bobo assim de se querer que antes era uma vontade agora já não é mais nada, valeu”. Eu sou capaz de discutir até a morte com qualquer ser humano na terra que duvide da sinceridade do Lê.

Há pouco mais de um ano, Lê ganhou dos integrantes do Fujimo um porta-studio e uma mesinha de som. Grato e disposto a mostrar serviço, começou a produção de seu primeiro trabalho sem o famoso microfone de computador. Paulo Casaes (Fujimo), creditado como co-produtor, tocou sintetizador em duas das oito faixas e cuidou da masterização. Luiz Valente, impressionado com a trilha de sua entrevista, quis lançar Lê Almedia em vinil. REVI saiu pela Vinyl Land no início do semestre, em 7” — primeiro na Inglaterra, depois no Brasil. O compacto tem uma lista diferente de músicas, com a exclusiva Nadar no rio fechando o lado B.

REVI é apenas um CD-R, um vinilzinho ou uma pasta no HD. Dezessete minutos de som. Feito num fundo de quintal na Baixada Fluminense, por um armário de vinte e cinco anos que, surpreendentemente, teve sua vida mudada pelo Guided By Voices alguns anos atrás. Mas se algum outro disco neste final de 2009 conseguir soar mais honesto, verdadeiro e tocante do que este, podem ter certeza, amigos, vocês estarão diante de algo  revolucionário. Não percam o Lê de vista.

Lê Almeida - Nunca Nunca

Lê Almeida - Eu não vou acreditar

20 anos da Midsummer Madness

09/11/2009 por eduardo


Assim como várias gravadoras independentes seminais —  Sub Pop,  Drag City, Merge e Matador, por exemplo —, a Midsummer Madness está completando duas décadas. Aproveitamos a ocasião para conversar com alguns dos envolvidos no selo carioca, extremamente importante para nossa formação musical e para a história do rock independente no Brasil. As entrevistas foram gravadas dia 10 de julho, na primeira das quatro sextas-feiras em que a sala Sidney Miller, no Rio, recebeu shows comemorativos do aniversário da MM. Fizemos apenas três vídeos, devido à correria, mas juntos eles contam boa parte da história do fanzine que se transformou em gravadora.

Além do patrão Rodrigo Lariú, falamos com a PELVs e com o Lê Almeida. Melhor banda em atividade no Brasil, a PELVs tem uma trajetória que se confunde com a da Midsummer. Como eles foram os headliners da noite, gravamos a entrevista logo após a passagem de som, na área externa da Funarte – e o barulho de um caminhão de lixo quase sabotou o áudio (perdoe nosso amadorismo). Já a revelação da década, Lê Almeida, pertence a uma geração que já tinha a Midsummer como referência quando começou a tocar. Fomos visitá-lo no sábado em São João de Meriti, onde conhecemos o pessoal da Transfusão Noise Records, enchemos a cara e fizemos amizades que renderão coisas muito legais em breve.

Como sempre, contamos com a ajuda do Chico, do INHAMIS, que cuidou da finalização e da parte gráfica dos vídeos. O Vitor Leite, da TvZero, deu uma grande ajuda ao segurar o microfone durante a entrevista com o Lariú. Agradecemos também aos funcionários da Funarte, em especial à Carol, que nos receberam muito bem; e ao pessoal do Sweet Fanny Adams, que abriu o show. Em outra oportunidade, com um pouco mais de tempo, a gente entrevista os caras.

Clicando em HQ, no canto superior direito dos vídeos, você os assiste em melhor resolução. E você também pode votar para que eles passem na MTV.

ps. Assista também à entrevista que fizemos com o Marcelo Colares, do Cigarettes.

Dump – A Plea For Tenderness

07/11/2009 por eduardo

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A Plea For Tenderness [1998] <-Download

Antes de assumir o baixo do Yo La Tengo, James McNew já havia gravado o último disco do Christmas e algumas canções para uma incipiente carreira solo. Em 92, o YLT lançou May I Sing With Me, que alinhou o grupo às melhores guitar bands da época e preparou terreno para os quatro ótimos álbuns seguintes, lançados pela Matador. O projeto solo lo-fi de James, batizado de Dump, tomou forma um ano depois, com o lançamento de Superpowerless pela gravadora holandesa Brinkman. A proposta  pouco mudou nos quatro discos posteriores, sempre com um portastudio dando conta de gravar e mixar voz, guitarra, baixo, órgão e bateria.

O Dump condensa em seu DNA virtudes que pontuaram diferentes fases do Yo La Tengo. É nítida a semelhança com as repetições entorpecentes do clássico Painful, assim como são evidentes as raízes fincadas na música pop tradicional americana – influência que deu um toque classudo à I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass, e que em sua carreira solo é bastante acentuada para o funk. Outra ponto em comum é que McNew não pensa duas vezes antes de incluir covers em seus discos.

A Plea For Tenderness (Brinkman, 1998) é o terceiro álbum do Dump. Suas 13 faixas parecem versões lo-fi do Yo La Tengo para standards dos anos 60, de modo que fica difícil reconhecer as três regravações presentes no disco. São composições pop de rara sutileza, onde teclados vintage ocupam os espaços que seriam das guitarras esporrentas de Ira Kaplan. O resultado beira a perfeição, com McNew transitando entre a atmosfera contemplativa de faixas como I Hear You Looking e as baladas bucólicas de Fakebook.

Nesta década, McNew foi para o cast da californiana Shrimper Records, responsável pelo lançamento de That Skinny Motherfucker With The High Voice, album de 2001 só com covers do Prince, e do super recomendado A Grown-Ass Man, de 2003, último registro do Dump até agora. Em breve posto estes outros discos por aqui…

Everlasting Love

Clarity

My Head In Your Hands

Number One Cup – Wrecked By Lions

04/11/2009 por André

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Wrecked By Lions [1996] <- Download

O Number One Cup começou em 1993, em Chicago, quando o guitarrista Seth Cohen deixou o Eliot, sua antiga banda. A estréia do novo grupo, Possum Trot Plan, veio em 1995, e o segundo álbum saiu no ano seguinte, ambos pela Flydaddy. Wrecked By Lions tem mais guitarras que seu antecessor, e mantém a profusão de canções redondas e grudentas.

Segundo Cohen, o som do Number One Cup nessa fase era um produto das coleções de discos dos integrantes. Isso fica claro na simplicidade que rege as quinze faixas de Wrecked By Lions, com os três vocalistas se revezando em melodias que dialogam com o melhor do indie pop americano da época. Eventualmente sobressaem timbres de piano, violão e uma ou outra percussão menos usual, mas a dianteira fica mesmo por conta das ótimas guitarras, que trazem à mente bandas como Built To Spill, Archers Of Loaf e Superchunk.

Em 1999, o Number One Cup lançou People, People, Why Are We Fighting?, seu terceiro e último álbum. Seth Cohen formaria em seguida o Fire Show, em companhia de Michael Lenzi, baterista do NOC. Com uma proposta mais experimental, o Fire Show também lançou três discos, mas nunca  se aproximou da despretensão (tampouco da qualidade) da antiga banda.

Number One Cup - Astronaut

Number One Cup - Paris

Liars – They Were Wrong So We Drowned

31/10/2009 por eduardo

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They Were Wrong So We Drowned [2004] <- Download

Hoje, dia das bruxas, é uma ótima data para dar continuidade à discografia comentada do Liars.

Em 2003, Angus Andrew e sua namorada Karen O. trocaram o Brooklyn por uma residência rural no estado de Nova Jersey. Quando o YYYs saiu em turnê, os outros dois integrantes do Liars também se mudaram para a casa de campo, e, a partir de sombrias caminhadas noturnas pela floresta, começaram a pensar na concepção de seu segundo álbum. Interessado em forças ocultas, o trio passou a pesquisar sobre bruxaria na Internet. Um erro de digitação (brocken witch ao invés de broken witch) os levou a conhecer a Walpurgisnacht, uma celebração do folclore alemão. Segundo a tradição, no primeiro dia da primavera os homens saiam às ruas, acendendo fogueiras e fazendo muito barulho na esperança de espantar os demônios que surgiriam depois de ficarem presos durante o inverno. Esta foi a principal inspiração para a obra-prima do Liars, gravada na própria fazenda e produzida por David Sitek, do TV On The Radio.

Uma sensação de medo e escuridão perpassa todo o álbum, fazendo com que o ouvinte seja tragado para uma atmosfera medieval perturbadora. Imagine uma viagem lisérgica numa procissão pagã, embalada por uma marcha fúnebre hipnótica que te conduz a uma bad trip sufocante, com batidas tribais frenéticas e sintetizadores densos que não permitem abstrair o que acontece ao seu redor. A influência do Gang of Four ainda é nítida, mas nada aqui funcionaria numa pista. Os momentos moderninhos e potencialmente dançantes estão imersos no caos, e surgem com uma agressividade que potencializa a demência do disco.

Definitivamente, They Were Wrong So We Drowned não é acessível. Mas audições num contexto adequado (sozinho e drogado num quarto escuro) podem facilmente incluir o Liars entre suas bandas favoritas da década.

If You're a Wizard Then Why Do You Wear Glasses

Hold Hands And It Will Happen Anyway

Fluf – Home Improvements

29/10/2009 por André

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Home Improvements [1994] <- Download

Formado em 1992 pelo guitarrista Otis “O” Bartholomeu e o baixista Josh Higgins — ex-membros do Olivelawn —, o Fluf é fruto da diversificada cena de San Diego do início dos anos 90. Home Improvements, de 1994, é o segundo dos cinco álbuns do grupo, sucedendo a estréia Mangravy. A afeição pelo Hüsker Dü é óbvia nas melhores faixas, começando pela abertura Sticky Bun. Assinalam-se também tendências mais troglodíticas, que colocam o Fluf em sintonia com o stoner rock, então em gestação. Não por acaso, o baterista do Olivelawn, Eddie Glass, na mesma época assumia a guitarra do Fu Manchu — que mais tarde abandonaria para dar à luz o Nebula.

Fluf - Sticky Bun

Fluf - Snapper

Fluf - Twister

PENS – Hey Friend, What You Doing?

26/10/2009 por eduardo

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Hey Friend, What You Doing? [2009] <- Download

A banda londrina PENS é formada por três garotas, que fazem um som com guitarras barulhentas, ritmo acelerado, canções curtas e melodias pop. Ironicamente, o que as difere das Vivian Girls é o fato de a principal referência estética de cada trio ter surgido no país do outro. Enquanto as nova-iorquinas bebem na fonte do Shop Assistants, as inglesas seguem a cartilha riot do Frumpies. Também procedem as comparações com outros grupos americanos atuais; mas, além de não dificultar a audição com uma produção tão estourada (como o Times New Viking), o PENS sabe que um bom disco é feito por várias canções, não por três faixas perdidas em meio a ruídos pretensamente art rock que não passam de encheção de linguiça — artifício que transformou em CDs o que deveriam ser EPs do Japanther e do No Age.

Lançado em setembro pela De Stijl Records, Hey Friend, What You Doing? (compre) é uma estréia despretensiosa, onde boas influências e limitações técnicas criam uma sonoridade que, se não é muito original, conquista pela autenticidade. Palhetadas incessantes sujam todo o álbum, sobre uma bateria repetitiva e quadrada, e só não conseguem se sobrepor ao timbre agudo de um teclado infantil que funciona como fio condutor para os momentos mais acessíveis. As letras e vocais adolescentes aproximam as garotas dos artistas da K Recs que tinham um um pé no riot grrrl e outro no twee. Hey Friend é, sem dúvida, uma das melhores estréias do ano. A dica veio num post do Gilberto, do Lazer Guided Melodies.

I Sing Just For You

High in the Cinema

Freddie

pens

The Grifters – One Sock Missing

23/10/2009 por André

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One Sock Missing [1993] <- Download

One Sock Missing é o segundo disco do Grifters, quarteto de Memphis que já passou pelo Last Splash com Crappin’ You Negative, de 1994. Lançada em 1993, esta é a estréia do grupo pela Shangri-la, onde permaneceriam até 1996, quando assinaram com a Sub Pop. One Sock Missing é o momento em que a estética do Grifters se definiu por completo —  produção caseira, guitarras retorcidas,  vocais anárquicos, cozinha caótica. Ecoam vividamente os blues psicóticos do Captain Beefheart e do Pussy Galore, contrastando com  um apelo pop quase sufocado. Em Tupelo Moan, a banda faz menção à tradição musical de sua cidade, com gaita e slide guitar. Faixas como o hit She Blows Blasts Of Static e as ótimas Corolla Hoist e Encrusted subvertem — por meio de estruturas desconstruídas e doses nocivas de ruído — a lógica do guitar pop que  dominava as college radios na época. A capa, como a maioria das capas do Grifters, traz um desenho horroroso do baixista Tripp Lamkins.

The Grifters - She Blows Blasts Of Static

The Grifters - Encrusted

Boston Spaceships – Zero To 99

20/10/2009 por eduardo

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Zero To 99 [2009] <- Download

Não estou conseguindo acompanhar todos os discos lançados por Robert Pollard este ano.  Alguns acabaram nem sendo citados no blog, negligência que não poderia se repetir neste terceiro álbum do Boston Spaceships – banda em que também tocam Chris Slusarenko (ex-GBV) e John Moen (The Decemberists).  Zero to 99 é bastante influenciado pelos anos sessenta, passando pelos clichês de forte apelo pop até chegar em momentos mais garageiros e psicodélicos. É o melhor registro do trio até agora, e parte deste êxito se deve às participações especiais de Sam Coomes (Quasi), Scott McCaughey (Minus 5) e Peter Buck (R.E.M.). Mr. Ghost Town, com um riff  60’s contagiante, é a música mais legal de Pollard em 2009.

Mr. Ghost Town

Hell On Wheels – The Odd Church

16/10/2009 por André

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The Odd Church [2006] <- Download

O Hell On Wheels começou em 1994, na capital sueca Estocolmo, formado por Rickard Lindgren (guitarra/vocal) e pelos cônjuges Åsa Sohlgren (baixo/vocal, menina) e Johan Risberg (bateria, rapaz). O primeiro álbum do grupo, There Is a Generation of Handicapped People to Carry On, saiu em 2001; seguido em 2003 por Oh My God What Have I Done. No fim de 2006, o Hell On Wheels veio ao Brasil — juntamente com El Perro Del Mar e o genial Jens Lekman —, para a primeira edição da Invasão Sueca. Tocaram em São Paulo, no Rio e em Curitiba. Na ocasião, o trio divulgava o recém-lançado The Odd Church, único de seus discos a sair por aqui (via Coquetel Molotov).

Em The Odd Church, os escandinavos utilizam e expandem a fórmula do Pixies; mas jamais se limitam a ela. Em geral as músicas são irretocáveis, variando entre agradavelmente grudentas, na pior das hipóteses, e absurdamente perfeitas — como os carros-chefe Come On e Alexander. The Odd Church é um álbum de hits, acima de tudo. Clara e forte, a ótima produção deixa transparecer o entrosamento dos integrantes. Diante da dançante As We Play, por exemplo, quase toda a geração rock-de-pista-NME soa mais insossa do que  água industrializada com sabor.

Hell On Wheels - Come On

Hell On Wheels - As We play

Silkworm – Firewater

13/10/2009 por eduardo

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Firewater [1996] <- Download

O Silkworm surgiu na pequena Missoula, no estado americano de Montana, em 1987. Antes de se mudar para Seattle nas primeiras semanas da década seguinte, a banda lançou alguns EPs, influenciada pelo Mission of Burma e pelo pós-punk inglês. Em meio ao furacão grunge, as raízes fincadas nos anos 80 os deixaram um pouco antiquados para o rock alternativo da época — o que não impediu que lançassem dois discos pela Matador e fossem produzidos por Steve Albini. E, como o mundo dá voltas cada vez mais rápido, a sonoridade oitentista permitiu que o grupo tirasse proveito dos anos 00’s, antes de declarar seu fim em 2005. Após o término, foi organizado um tributo ao Silkworm, intitulado An Idiot To Not Appreciate Your Time.

Firewater, de 96, marca a estréia na Matador. A abertura Nerves é densa e melódica, mostrando logo de cara que a sonoridade truncada e estridente de bandas como Gang of Four já não era a única referência. Apesar da estética 80’s ainda predominar, quase comprometendo o disco, ela é compensada por sempre bem-vindos flertes com os anos 90, como acontece em Quicksand, com guitarras soltas e vocais que remetem ao Pavement. Vale mencionar que, em 2001, três integrantes do Silkworm se juntaram a Stephen Malkmus para formar o Crust Brother. Qualquer dia falo mais sobre esta outra banda.

Quicksand

Nerves

Daniel Johnston – Is And Always Was

10/10/2009 por André

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Is And Always Was [2009] <- Download

Algum tempo atrás,  anunciou-se que o próximo trabalho de Daniel Johnston seria produzido por Jason Falkner, mais conhecido como colaborador de Paul McCartney e de Beck. Segundo nota divulgada para a imprensa, a intenção seria dar vida, pela primeira vez, às “rock and roll symphonies” antes existentes apenas na misteriosa mente de Daniel.  É natural, diante de tal declaração, imaginar um novo Smile — sons mágicos; um universo inexplorado, de dimensões impensáveis. Um observador mais atento, contudo, teria previsto a saída bem mais simples que acabou se concretizando.

Maior referência na obra de Johnston, além de grande ponto em comum entre ele e o produtor, em Is And Always Was vêm à tona, com clareza e segurança inéditas… os Beatles. Dentro da torturada cabeça,  ao lado do Capitão América, marcas de refrigerante, Jesus e o Capiroto, temos velhos arquétipos roqueiros, da mesma sinceridade tocante que fez a boa reputação do gênio de Daniel. Is And Always Was (compre aqui) é um álbum pop despretensioso para os padrões vigentes. Excluídos os tão alardeados distúrbios, o que separa Johnston dos demais — diferente do que uma leitura superficial de seus discos anteriores pode apontar — é, afinal, sua sensibilidade. Ele é um artista; simples assim. E o Daniel Johnston “normalzão” nada deve ao antigo.

Daniel Johnston - Queenie The Doggie

Daniel Johnston - High Horse

Daniel Johnston descansando no backstage depois de se apresentar no SXSW em março deste ano.

Spiral Stairs – The Real Feel

08/10/2009 por eduardo

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The Real Feel [2009] <- Download

Após dois discos solo sob o nome de Preston School of Industry, Scott Kannberg voltou a assinar como Spiral Stairs — o mesmo pseudônimo usado para creditá-lo nos encartes do Pavement. Talvez seja uma tentativa de pegar carona no retorno da banda, já que o ótimo Preston School passou despercebido por muitos fãs em potencial. Previsto para 20 de outubro, The Real Feel será lançado na Inglaterra pela Domino e nos Estados Unidos pela Matador. Além dos amigos que já contribuíam no PSOI, participaram deste álbum integrantes do Posies, e Kevin Drew, do Broken Social Scene. Durante uma desatenta primeira audição, tive a impressão de que Scott conseguiu conciliar a essência alt-country de Moonson com as melodias soltas e as guitarras desconexas de All This Sounds Gas.

Cold Change

Tall Dwarfs – Fork Songs

06/10/2009 por André

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Fork Songs [1992] <- Download

O Tall Dwarfs consiste em Chris Knox e Alec Bathgate. Pioneiros da estética lo-fi, os neozelandezes começaram sua carreira em 1981, com o compacto Three Songs — um dos primeiros títulos da Flying Nun. Os “gnomos altos” lançaram EPs e singles por toda a década, mas seu álbum de estréia, Weeville, só viria em 1990. Fork Songs, de 1992, é uma excelente amostra do estilo da dupla: percussões despojadas substituem a bateria, cobertas por guitarras minimalistas, barulhos estranhos e vocais suaves. A sonoridade  influenciou, entre inúmeros grupos, os americanos da Elephant 6. Destaque para as lindas We Bleed Love e Daddy, e para o reggae (?!) Lowlands. A ótima Life Is Strange se parece com os melhores momentos de Tobin Sprout no Guided By Voices.

Tall Dwarfs - Life Is Strange

Tall Dwarfs - Lowlands

Built To Spill – There Is No Enemy

03/10/2009 por André

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There Is No Enemy [2009] <-Download

O sétimo álbum do Built To Spill será lançado nos próximos dias pela Universal. Sua sonoridade dá sequência à do viajado You In Reverse, de 2006. There Is No Enemy é a primeira experiência do BTS com gravação digital, o que proporcionou à banda uma liberdade de experimentação inédita. É impressionante como Doug Martsch consegue transformar camadas sobrepostas de guitarras em canções grudentas. Por outro lado, o novo método também atrasou o lançamento — Martsch preferiu remixar tudo em equipamentos analógicos, sentindo certa frieza no som. Sam Coomes (Quasi), Paul Leary (Butthole Surfers) e Roger Manning, entre outros amigos, participaram do disco. A atual turnê, que começou em agosto, inclui shows com o Dinosaur Jr neste mês.

Built To Spill - Hidsight

Thee Oh Sees – Thee Hounds Of Foggy Notion

29/09/2009 por eduardo

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Thee Hounds Of Foggy Notion [2008] <- Download

Surgido em 1997 na cidade de São Francisco, o Thee Oh Sees estourou meses atrás com o elogiado Help (In The Red, 2009). Os anos 60 e a psicodelia, que fizeram a fama de sua terra natal, são referências primordiais, ganhando uma roupagem suja e demente. Lançado no ano passado em CD e DVD, Thee Hounds Of Foggy Notion deve ser o sexto álbum da confusa discografia da banda, que neste trabalho apostou em composições incrivelmente intimistas para quem já fez um split como Intelligence. Tal guinada é reflexo do inusitado processo de gravação, com a banda tocando despretensiosamente pelas ruas de São Francisco, sempre sob as lentes do diretor Brian Lee Hughes.

O disco tem calmas melodias que são suavemente conduzidas para passagens perturbadoras. Fugindo das influências hippies que colorem seus outros discos, as viagens de Thee Hounds estão mais para as experimentações do Velvet Underground – a bateria minimalista, os vocais femininos sedutores, os dedilhados econômicos e o clima hipnótico. Mas o Thee Oh Sees não soa tão soturno; sua faixas são aconchegantes e deliciosamente lo-fi, sem esbarrar na tosqueira prevista para um disco gravado nestas condições.

O vídeo abaixo foi ripado do DVD. Repare que o ruído dos carros acabou se transformando em mais um elemento da música.

Belreve – Belreve

26/09/2009 por André

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Belreve [1995] <- Download

Este EP, lançado em janeiro de 1995, reúne todas as gravações conhecidas do Belreve. Mais uma excelente cria de Ohio, o trio tinha como vocalista e guitarrista Matt Reber, líder do New Bomb Turks, e no baixo e bateria duas garotas — respectivamente Elizabeth e Jenny, segundo o encarte. Muito diferente do punk do NBT, o som do Belreve sintetiza muito do que torna memorável o indie americano daquela época. As faixas são grudentas e perfeitas, dando conta de soar decididamente lo-fi, à maneira consciente dos anos 90; e ainda assim, mesmo sem um único solo, evocar a sensibilidade inimitável de J Mascis.

Belreve saiu pela Slumberland, composto por sete músicas, sendo Ron e Lookout exclusivas da mini-compilação. The Sulk King foi lançada originalmente em 1994, num split com os conterrâneos do Guided By Voices, enquanto Nothing e The Sky’s Falling saíram como single, e Walk fazia parte da coletânea 7” Cowtown Vol. 1 — tudo isso pela Anyway Records. Shut Up integrava a compilação For Your Years Only, da Eardrop.

Vale ressaltar que o arquivo que disponibilizamos aqui, em 320 Kbps e com arte escaneada, é cortesia do saudoso Outdoor Miner.

Belreve - Ron