Beatnik Filmstars – In Hospitalable

08/02/2010 por André

In Hospitalable [1997] <- Download

O Beatnik Filmstars surgiu no início dos anos 90, na cidade inglesa de Bristol. Ao longo da década, lançaram uma série de discos e EPs por diversas gravadoras nos dois lados do atlântico, incluindo a Slumberland, a Caroline e a Scratch. In Hospitalable, de 1997, é a estréia do grupo na Merge. Embalada pela produção lo-fi temos uma enxurrada de guitarras sujas e melodias pop, em nada menos que 20 faixas — características que renderam aos ingleses comparações com bandas americanas da época.

De fato, o quarto álbum do Beatnik Filmstars está muito mais próximo do Guided By Voices do que dos sons eletrônicos que dominavam a cena de Bristol então. O que é irônico, visto que Robert Pollard passou toda sua carreira se esforçando para mimetizar o sotaque de seus ídolos da british invasion. A excelente Artist V. Star soa como uma mistura de Motor Away, do GBV, e Heroes, do David Bowie. Músicas como as ácidas Now I’m a Millionaire e Lifestyles Of The Rich And Famous raramente foram compostas por grupos britânicos, enquanto Worng assemelha-se aos clássicos açucarados dos vizinhos do Teenage Fanclub. O Beatnik Filmstars reúne o melhor dos dois mundos.

Beatnik Filmstars - Hep Boys (Into Krautrock)

Beatnik Filmstars - Worng

Beatnik Filmstars - Everything Is Relative/This A Take

VA – A Tribute To Jandek

06/02/2010 por eduardo

Naked In The Afternoon [2000] and Down In A Mirror [2005]

Jandek nasceu no distante ano de 1945. Seus primeiros registros, lançados no final dos anos 70, anteciparam em uma década a estética lo-fi que marcou o rock alternativo americano. A falta de reconhecimento de sua carreira é explicada pela postura reclusa que o músico tem adotado nos últimos trinta anos. O excêntrico Jandek passou todo este tempo alheio a rótulos e a quase todas as outras coisas do mundo, vendendo discos pelo correio e se recusando a dar entrevistas. Mas se um dia você encontrá-lo, o chame por “a representative of Corwood Industries”, nunca pelo nome. Corwood Industries é a gravadora de Jandek, criada exclusivamente para lançar seus mais de 50 álbuns.

É tarefa capciosa apontar influências na obra de Sterling Richard Smith (especula-se que este seja o nome verdadeiro de Jandek). Pode-se afirmar que, em seu obsessivo processo de composição, o músico consegue remeter tanto ao art rock do Velvet quanto à despretensão das Shaggs. O instrumental é minimalista e a produção amadora. Riffs atonais e vocais sombrios são acompanhados por uma bateria instável. É fácil perceber semelhanças com outros precursores da cena independente, como Jad Fair, Gary Young e Calvin Johnson, que participou de um documentário sobre Jandek.

No início da década passada, a gravadora americana Summersteps organizou dois tributos ao representante das Indústrias Corwood, onde 42 artistas lapidam as composições de Jandek. Naked In The Afternoon, de 2000, tem a participação do ex-pavement Gary Young, ao lado de Bright Eyes, Low, e Pipes You See, Pipes You Don’t. Down In A Mirror, de 2005, traz Jeff Tweedy, Okkervil River, Six Organs Of Admittance, Mountain Goats e Dirty Projectors. Embora tortuosos, estes CDs são a melhor introudução à vasta discografia de Jandek (que pode ser encontrada para download no ótimo exp etc).

Jeff Tweedy - Crack a Smile

Sport Murphy – Uncle

01/02/2010 por André

Uncle [2003] <- Download

Nos anos 90, Mike “Sport” Murphy foi frontman do The Skells, quinteto de New Jersey que lançou três discos. Com o fim do grupo,  Mike mudou-se para Long Island e começou a compor novas músicas. Willoughby saiu em 1999, seguido um ano depois por Magic Bean. Diferente do Skells — que, nos moldes do Pogues, misturava punk rock com música folk irlandesa —, a carreira solo de Sport Murphy remete a nomes como Leonard Cohen, Van Morrison e Tom Waits.

Peter Vega, sobrinho de Murphy, nasceu quando o tio era pequeno. Os dois foram criados como irmãos, após o divórcio dos pais de Peter, e continuaram próximos por toda a vida. Até o dia 11 de setembro de 2001. Peter, bombeiro em Nova York, morreu cumprindo seu dever. O corpo só foi encontrado no primeiro dia de 2002. Mike entrou em depressão, disposto a abandonar a música, e apenas com o incentivo de amigos — como Slim Moon, fundador da Kill Rock Stars, que lançou todos os seus discos — convenceu-se a produzir um novo trabalho. O resultado é Uncle.

Lançado em 2003, o último álbum de Sport Murphy é bastante diversificado. Suas 22 faixas não são de todo depressivas, como seria de se imaginar; tampouco cruas ou mal-acabadas. Uncle se volta para o universo pessoal de seu autor — o disco se chama “tio”, não “sobrinho”. Em meio a vinhetas com vozes infantis, tão inocentes e distantes quanto a foto desbotada da capa, Murphy se dirige a Peter, evoca memórias da infância, reclama com Deus. Até mesmo músicas divertidas, ainda que amargas (como Paul La Grutta e Such A Beautiful Sight), compõem o mosaico. Um disco corajoso, e uma bela despedida em potencial para uma carreira que não merece acabar tão cedo.

The Late Days Of Summer

Paul La Grutta

Everybody's Gone

Pug Records

01/01/2010 por eduardo


O Last Splash está entrando de férias por alguns dias. Enquanto isso, vamos nos concentrar em um novo projeto: a Pug Records. A proposta do selo é lançar apenas nos formatos cassete e mp3. O arquivo digital estará disponível em blogs que abraçarem a idéia, enquanto as fitinhas serão feitas artesanalmente, em tiragem limitada e com preço acessível.

A primeira fita sai já em janeiro. Na verdade, trata-se de um relançamento de Eu eu mesmo e os várias beijos Cafeinados, EP de estréia da Coloração Desbotada. A versão digital conta com cinco bônus, e a cassete traz no lado B os primeiros registros caseiros do Lê Almeida. Essas demos, gravadas num duplodeck entre 2003 e 2004, são, além de uma prévia da estréia da Coloração, o embrião da Transfusão Noise Records.

Se você quer colaborar; tem sugestões de bandas, selos para fazer parcerias e blogs que possam ajudar na divulgação/distribuição; ou quer receber notícias, é só mandar um alô para pugrecords@mail.com ou deixar seu contato aqui na caixa de comentários. Um myspace provisório acabou de entrar no ar, dá uma olhada.

Um feliz ano novo e um grande abraço a todos que participaram do Last Splash em 2009. A gente volta logo!

The Amps – Tipp City

27/12/2009 por André

Tipp City [1995] <- Download

O The Amps foi criado por Kim Deal para canalizar sua criatividade  enquanto não se resolviam os problemas químicos de sua irmã. Tipp City saiu pela 4AD em 1995; pouco antes do clássico Pacer, único (e essencial) álbum do grupo. A faixa-título abre o compacto, na mesma versão encontrada em Pacer. Just Like A Briar é originária do Tasties, conterrâneos de Dayton que tinham na formação Nathan Farley e Luis Lerma — guitarrista e baixista do Amps. O Tasties foi uma das bandas de apoio de Robert Pollard, e alguns de seus membros tocaram também no Guided By Voices. Para encerrar, uma demo nervosa de Empty Glasses, gravada em um portastudio no porão da casa de Kim e tão boa quanto a versão de Pacer. Essa demo entrou na trilha sonora de All Over Me, drama independente Riot Grrrl de 1997.

The Amps - Just like A Briar

The Breeders – Head To Toe EP

26/12/2009 por André

Head To Toe [1994] <- Download

Head To Toe, de 1994, foi o último lançamento do Breeders por oito anos — até o disco Title TK, de 2002. Produzido por J Mascis, o EP conta com quatro faixas em oito minutos e meio. A abertura é a inédita faixa-título, primeira música assinada pela baixista Josephine Wiggs no Breeders. Temos uma versão de Shocker In Gloomtown, do Guided By Voices, conterrâneos de Kim Deal; e Saints vem ao final, num registro diferente do que aparece no álbum que dá nome a este blog. A grande curiosidade é a versão do hit The Freed Pig, do Sebadoh, que seria justamente a respeito de J Mascis e sua relação com Lou Barlow na época em que Barlow era baixista do Dinosaur Jr — análoga, de certa forma, à oposição entre Deal e Black Francis no Pixies. Relatos duvidosos afirmam que Mascis não reconheceu a canção ao ouvi-la tocada pelo Breeders, e por isso insitiu em gravá-la.

The Breeders - The Freed Pig

The World’s Lousy With Ideas Vol. 8 (VA)

23/12/2009 por eduardo


The World’s Lousy With Ideas Vol. 8. [2009] <- Download

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series. Os vinis de sete polegadas compilam bandas americanas que têm recebido o rótulo modista “shitgaze“. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, reunindo faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao indie pop das Vivian Girls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outros dois queridinhos do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs (única em que os anos 80 falam mais alto). E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Times New Viking - A Lot of Paintings

Guinea Worms - Soiled Sender

Tyvek - Flowers

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series, onde compila, em vinis de sete polegadas, bandas que muitas vezes têm recebido o rótulo modista de shitgaze. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, e para isso reuniu faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao shoegaze das VivianGirls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outras duas bandas queridinhas do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs – a única em que os anos 80 falam mais alto. E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Trumans Water – Godspeed The Punchline

20/12/2009 por André

Godspeed The Punchline [1993] <- Download

O Trumans Water foi criado em 1991 pelos irmãos Kirk e Kevin Branstetter (guitarra e baixo), em San Diego. A primeira formação tinha ainda Glen Galloway (guitarra e vocal) e Andres Malinao (bateria). Of Thick Tum (1992), estréia do quarteto, chegou às mãos de John Peel, que tocou o disco na íntegra em seu famoso programa de rádio.

Godspeed The Punchline, lançado pela Homestead em 1993, é o tipo de som que se evita ao máximo na presença de crianças, idosos e pessoas sensíveis em geral. É incrível, portanto, a informação de que Malinao beirava os setenta anos na época. O The Fall está em toda parte. Em seus momentos mais lógicos, Punchline aproxima-se do que o Killing Chainsaw fazia então por aqui. As dezoito faixas são cobertas de guitarras dissonantes e ruidosas. Os vocais são falados, gritados, mugidos e rosnados, e a bateria é incessante, caótica.

Ao longo da década, o grupo  lançou algo em torno de doze álbuns — todos ótimos. Em 1994, Kirk e Kevin foram morar em Portland. Galloway deixou a banda para criar o Soul-Junk, inaugurando o lo-fi cristão. Mas nem a mudança de Kevin para a França, em 1995, impediu o Trumans Water de continuar produzindo até hoje — com ocasionais participações de Galloway e de outros ex-membros.

Trumans Water - Playboy Stabtone Bloodbath Go

Trumans Water - Hair Junk Fibre

Silver Jews – The Arizona Record (EP)

17/12/2009 por eduardo


The Arizona Record [1993] <- Download

O Silver Jews já apareceu aqui com seus três primeiros álbuns: Starlite Walker, The Natural Bridge e American Water – postados logo após o anúncio do fim da banda. The Arizona Record (Drag City, 1993) foi o EP que antecedeu estes clássicos, mas suas nove faixas remetem mais às demos do Pavement do que à discografia do Jews. A gravação é tão precária que até parece um ensaio capturado por uma secretária eletrônica. Stephen Malkmus (creditado no encarte como Hazel Figurine) e David Berman nunca soaram tão harmonicamente caóticos, alternado vocais esganiçados e riffs desconexos para criar algumas das melhores músicas de suas vidas. Bob Nastanovich faz suas batidas primárias de sempre, consciente de que seu papel é deixar os outros dois se entenderem.

Secret Knowledge Of The Backroads[

I Love The Rights

The War In Apartment 1812

O Silver Jews já apareceu aqui com seus três primeiros álbuns: Starlite Walker, The Natural Bridge e American Water - postados logo após o anunciou do fim da banda. The Arizona Records (Drag City, 1993) foi o EP que antecedeu estes clássicos, mas suas músicas remetem mais às demos do Pavement do que à discografia do Jews. A gravação é tão precária que até parece um ensaio capturado por uma secretária eletrônica. Stephen Malkmus (creditado no encarte como Hazel Figurine) e David Berman nunca soaram tão harmonicamente caóticos, alternado vocais esganiçados e riffs desconexos para criar algumas das melhores músicas de suas vidas. Bob Nastanovich faz suas batidas primárias, consciente de que seu papel é deixar os outros dois se entenderem.

The Casual Dots – The Casual Dots

15/12/2009 por André

The Casual Dots [2004] <- Download

O Casual Dots surgiu em Washington, DC. Composto por Kathi Wilcox (Bikini Kill, Frumpies), Steve Dore (Deep Lust) e Christina Billotte (Slant 6), o supergrupo lançou em 2004 seu único álbum, pela Kill Rock Stars. The Casual Dots foi produzido por Guy Picciotto (Fugazi) e Don Zientara. Boas guitarras sustentam o vocal melódico de Billote, entrosadas entre si e com a bateria simples e forte de Dore. Em vez de compensar com barulho a ausência de um baixo, o Casual Dots valoriza esse vazio. Tudo no disco é claro e direto. O senso espacial do trio colore dez faixas, com constantes referências à soul music e ao garage rock dos anos 60. I’ll Dry My Tears é uma versão de Etta James, e Bumble Bee é de Laverne Baker.

Casual Dots - Clocks

Casual Dots - E.S.P. For Now

Stroke – Songs For Chris Knox (VA)

13/12/2009 por André

Stroke – Songs For Chris Knox [2009] <- Download CD1, CD2

Em uma manhã de junho, Chris Knox sofreu um grave derrame, aos 57 anos. Foi obrigado a cancelar uma série de shows e se recolher para uma penosa recuperação. Para ajudar financeiramente, organizou-se um tributo à sua extensa obra. Lançado em novembro, Stroke (“derrame”) é um álbum duplo. Perpassa, em 36 faixas, todas as fases da carreira de Knox, incluindo o Tall Dwarfs, o Toy Love, o The Enemy e seu trabalho solo.

As versões ficam a cargo de uma seleção impressionante. Desde colegas da Flying Nun, como os lendários The Chills, The Verlaines, The Bats, David Kilgour (The Clean) e Alec Bathgate (parceiro do Tall Dwarfs, que também criou a capa, com a combinação de cores predileta de Chris), até bons nomes atuais — como Jay Reatard, que abre o disco com Pull Down The Shades, do Toy Love. A influência de Knox é ainda mais escancarada em brilhantes participações de Portastatic, Yo La Tengo, Bill Callahan, Lou Barlow, Lambchop, Will Oldham e Stephin Merrit. E, para completar, ninguém menos que Jeff Mangum dá as caras, apropriando-se da clássica Sign The Dotted Line, do Tall Dwarfs, num dos pontos altos da coletânea.

Temos três canções inéditas de Knox: Knoxed Out, gravada por Hamish Kilgour, do The Clean; Napping In Napland, do The Nothing, banda atual do homenageado; e Sunday Song, amostra do próximo lançamento do Tall Dwarfs — que terá vocais sem letra e continua em produção, apesar de tudo. Stroke – Songs For Chris Knox é um excelente tributo, tanto para fãs convictos quanto para quem deseja conhecer um pouco da obra do fundador do punk na Nova Zelândia. Você pode comprar o disco aqui e aqui. É uma causa nobre, sem dúvida.

Portastatic - Nostalgia's no Excuse

Jeff Mangum - Sign The Dotted Line

Stephin Merritt - Beauty

D+ – D+

10/12/2009 por eduardo

D+ [1997] <- Download

Bret Lunsford tocava guitarra e bateria no Beat Happening. Depois de gravar You Turn Me On, em 1992, o trio de Olympia praticamente encerrou suas atividades. Bret voltou para sua casa em Anacortes, onde fundou o selo KNW-YR-OWN e criou o D+, acompanhado inicialmente por Phil Elvrum, do Microphones, e por Karl Blau. Apesar de negligenciado até por fanzines, o D+ tem uma discografia consistente, com os dois primeiros álbuns lançados pela K Recs e os outros seis pela Knw-Yr-Own. Produzida por Calvin Johnson e batizada com o mesmo nome da banda, a estréia do D+, de 97, é um dos melhores títulos do catálogo da K.

D+ remete a Black Candy, álbum mais Cramps do Beat Happening. Há semelhanças também com a estética crooner 50’s da carreira solo do Calvin e até com o groove do Halo Benders. O instrumental é minimalista; com timbres secos, vocais sem muito ritmo e uma batida que não empolga. Bret fez um disco pop erguido a partir de um sentimento de monotonia, que te leva a ouvir repetidas vezes sua voz anasalada lamentando o quanto é entediante a vida moderna. Pequenos silêncios dividem as músicas, como se Bret parasse por um segundo para pensar se vale à pena continuar — felizmente, por enquanto a resposta é positiva.

D+ - Super 8

D+ - Jaywalker

Grandaddy – A Pretty Mess By This One Band

07/12/2009 por André

A Pretty Mess By This One Band [1996] <- Download

O primeiro EP do Grandaddy foi lançado em 1996 pela Will Records. A Pretty Mess By This One Band é interessante por apontar de onde o grupo californiano partiu para criar seu som característico — que viria à tona em álbuns como o excelente The Sophtware Slump, de 2000. As sete faixas de A Pretty Mess, retiradas de demos e singles caseiros anteriores, deixam poucas dúvidas quanto às influências básicas do quinteto de Modesto. Situam-se, em geral, entre a positividade lisérgica do Flaming Lips e a psicose do Pixies, com direito a berros rasgados do vocalista Jason Lytle em Kim, You Bore Me To Death. Taster, por sua vez, traz guitarras e vocais diretamente da escola do também californiano Stephen Malkmus. Das  principais marcas do Grandaddy, já se insinuam  teclados minimalistas, levadas hipnóticas e o inconfundível timbre anêmico da voz de Lytle.

Grandaddy - Taster

Grandaddy - Kim You Bore Me To Death

VA – Shoeshine Records Sampler

05/12/2009 por eduardo


Shoeshine Records Sampler [2002] <-Download

A Shoeshine Records pertence a Francis MacDonald. Boa parte de seu catálogo é composta por projetos paralelos e carreiras solo de gente que tocou com Francis no Teenage Fanclub. E, já que a Escócia é o país com mais bandas fodas por quilometro quadrado, é inevitável a participação de amigos ilustres nestas bandas, como a de Eugene Kelly, do Vaselines. Além de parcerias obscuras,  a Shoeshine também lançou discos do  BMX Bandits e de Alex Chilton, do Big Star, influência seminal para o power pop escocês. Shoeshine Records Sampler, de 2002, é a compilação que melhor representa o selo, e ainda traz em formato digital faixas antes só disponíveis em raros vinis.

A influência power pop que marcou toda essa geração escocesa está presente, mas divide espaço com o folk e o country. Sem qualquer resquício do passado guitar band do Teenage Fanclub, a coletânea é repleta de baladas alt-country, feitas sob medida para fãs do Wilco. Já os poucos momentos elétricos poderiam entrar em qualquer álbum do Matthew Sweet. Não vou destrinchar as formações das desconhecidas bandas aqui presentes;  mas, se assim fizesse, te garanto que você faria questão de importar este CD. O Gilberto, do Lazer Guided, postou recentemente dois ótimos álbuns da Shoeshine, um do Speedboat e uma coletânea parecida com esta.

Astro Chimp - Draggin'

Cheeky Monkey - I Wanna Live With You

Major Matt Mason USA - Black Hole

The Prayers – Everything But The Rubber Cat

03/12/2009 por André

Everything But The Rubber Cat [2003] <- Download

Nascido em Glasgow no final de 1987, o The Prayers lançou apenas dois compactos. Essas músicas, porém, são suficientes para imaginar que, se o grupo não tivesse acabado tão cedo, provavelmente seria lembrado hoje ao lado dos maiores nomes da época. O The Prayers pode ser descrito como uma versão mais crua do My Bloody Valentine — com excelentes guitarras, e composições comparáveis ao melhor do pós-C86. O quarteto também remete a contemporâneos como Pale Saints e Wedding Present, e até mesmo o Sonic Youth de Daydream Nation.

As 10 faixas de Everything But The Rubber Cat são tudo o que o The Prayers deixou gravado. Lançada em 2003 pela pequena Egg Records, casa dos escoceses, a compilação reúne as fantásticas Sister Goodbye e seu lado-b Under The Deep Blue, de 1988; Puppet Clouds, originalmente da coletânea A Lighthouse in the Desert, de 1989; e Finger Dips, com seu lado-b Head Start, de 1990. O material inédito consiste nas ótimas Feet e Daze, e em demos de Sister Goodbye, Under The Deep Blue e Puppet Clouds — bons exemplos do trajeto que muitas bandas percorreram entre a C86, o shoegaze e além.

The Prayers - Sister Goodbye

The Prayers - Puppet Clouds

Lê Almeida – Nunca Nunca (Videoclipe)

30/11/2009 por eduardo

Quando começamos o Last Splash, em janeiro, já éramos fãs do Lê Almeida. Em fevereiro, usamos suas músicas na trilha da entrevista com o Luiz Valente (Vinyl Land Records), e foi quando descobrimos que o Lê era nosso leitor. O Luiz gostou da trilha a ponto de prensar o REVI em vinil na Inglaterra. Só fomos conhecer o Leandro pessoalmente em julho, durante a entrevista sobre os 20 anos da Midsummer. A identificação foi imediata, e no fim de agosto ele veio a Juiz de Fora para gravar o clipe de Nunca Nunca. O Alex LC, leitor do blog e fã do Lê, veio de Barbacena para ajudar na gravação, já que precisávamos de um carro para conseguir fazer tudo em um único dia. Não é exagero, portanto, afirmar que este vídeo é fruto da colaboração entre os que fazem o LS — editores, artistas e leitores.

É um clipe simples, cujas únicas despesas foram ter que comprar uma cartolina e encher o pneu de uma bicicleta. O vídeo jamais seria possível sem o Chico, do INHAMIS, que cuidou junto com a gente de todas as etapas da produção. Fique então com Nunca Nunca, primeiro clipe de REVI e de longe uma das melhores músicas do ano. Se gostar, ajude a divulgar!

ps. Divulgando este LINK, vocês contribuem para que o clipe continue sendo exibido na MTV.

VA – The Velvets Revolution

27/11/2009 por eduardo


The Velvets Revolution [2009] <- Download

Entre os que atribuem ao Velvet Underground o título de banda seminal, apenas uma minoria consegue citar exemplos de influenciados para confirmar o que dizem. É o efeito Mate-me Por Favor, responsável por fazer muita gente acreditar ser possível sintetizar a importância do VU em 443 páginas.  Encartada na última edição da Uncut, a coletânea The Velvets Revolution – 15 Bands Inspired By The Velvet Underground pode ajudar essas pessoas a entender o legado dos novaiorquinos. Não se trata de um tributo convencional, desses com regravações; mas de uma pequena amostra da difusa e duradoura a influência do grupo para o rock alternativo.

Na virada para os anos 80, as bandas americanas Feelies e Suicide representaram bem o quanto a água de uma mesma fonte pode causar diferentes efeitos colaterais – jangle pop e no wave, respectivamente. Do outro lado Atlântico, ainda nos anos 80, os extremos vão do proto-indie-pop do Orange Juice ao kraut-shoegaze do Loop. Smog, numa faixa bem Lou Reed, e Hope Sandoval, emulando a Nico, são os nomes mais conhecidos dos anos 90. Entre os filhotes nascidos nesta década, estão o Thee Oh Sees e as Vivian Girls, ambos já devidamente elogiados em posts anteriores. Sobram ainda mais sete artistas que eu desconheço, mas que também fizeram ótimas canções sob influência de Lou Reed e Cia.

Vivian Girls - Tension

Magik Markers - Risperdal

Ego Summit – The Room Isn’t Big Enough

25/11/2009 por André

The Room Isn’t Big Enough [1997] <- Download

O Ego Summit foi um projeto criado  em Columbus, Ohio, por alguns dos veteranos da estética lo-fi/experimental da região. Em algumas noites de 1997, os amigos Ron House (Thomas Jefferson Slave Apartments etc.), Jim Shepard (Vertical Slit etc.), Don Howland (Bassholes etc.), Tommy Jay (Twisted Shouts etc.) e Mike Rep se reuniram num estábulo, e ao fim tinham em mãos The Room Isn’t Big Enough. Lançado em uma pequena tiragem em vinil pelo Old Age/No Age, selo de Mike Rep, o disco tem hoje status de raridade; mas há quem afirme que basta rodar por algumas lojas de Columbus para conseguir uma cópia zerada. As 13 faixas não deixam dúvidas de que a produção foi tão despojada como reza a lenda. Passeiam pelo punk de meia-idade, a psicodelia deteriorada, o folk de apartamento e outros sub-estilos marginais, sempre soando tão mal quanto possível. Não obstante, são em geral ótimas composições — que fazem jus ao título de supergrupo lo-fi do Ego Summit.

Ego Summit - Illogical

Ego Summit - We Got It All

The Bens – The Bens EP

23/11/2009 por eduardo


The Bens EP [2003] <- Download

The Bens foi um projeto paralelo relâmpago que reuniu os xarás Ben Kweller, Ben Lee e Ben Folds. A banda gravou um EP homônimo em 2003, que teve suas 3.500 cópias vendidas durante os nove shows que fizeram juntos na The Bens Rock Over Australia Tour. Sem medo de soar pop, a sonoridade das quatro faixas corresponde às expectativas de uma parceria entre os Bens: baladas ao violão, arranjos de piano, algumas guitarras, refrões grudentos e backing vocals entrosados.

Just Pretend

Stop!

Libraness – Yesterday… and Tomorrow’s Shells

16/11/2009 por André

Download

Yesterday… and Tomorrow’s Shells [2000] <- Download

Nos anos 90, Ash Bowie foi fundador do Polvo, em que tocava guitarra e cantava. Também participou do Helium, de sua então namorada Mary Timony, assumindo o baixo a partir de 1994. Este currículo já deve ser o bastante para que você releve a capa pavorosa do único disco do Libraness, projeto solo de Bowie. Yesterday… and Tomorrow’s Shells, lançado em 2000 pela Tiger Style, é composto por 14 faixas, produzidas ao longo de sete anos na casa do ex-líder do Polvo. Entre experimentações barulhentas, que não deixam de ser interessantes, encontram-se pérolas lo-fi de todo tipo: Face on Backwards é incrivelmente grudenta para uma música tão ruidosa e fragmentada; No Separation entraria bem em um disco do Folk Implosion; e a viajada Hit The Horizon se destacaria numa coletânea da Flying Nun ou da Elephant 6 — só para citar algumas.

Libraness - Face on Backwards

Libraness - Hit the Horizon

Libraness - Totempole