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Vivian Girls – Share The Joy

25/02/2011

Share The Joy [2011] <- Download

I don’t wanna be like the other girls” é a frase que abre Share The Joy, terceiro álbum das Vivian Girls. É inevitável, por mais que a letra não explicite tal idéia, pensar na avalanche de grupos femininos de garage rock surgidos após a estréia das novaiorquinas em 2008. Das inglesas do Pens até as costa-riquenhas Las Robertas, passando pelas californianas Dum Dum Girls e Best Coast (que conta hoje com a baterista original das VG, Ali), uma multidão se deu bem seguindo os passos das Vivian Girls. Não que o som do trio fosse algo inédito — a fórmula existia ao menos desde meados dos anos 80, com Shop Assistants e congêneres britânicos. Mas é compreensível que Cassie Ramone (guitarra/vocal), Kickball Katy (baixo/vocal) e a nova baterista Fiona Campbell sintam vontade de afirmar sua posição de pioneiras na tendência agora mais que estabelecida.

Durante as breves pausas de seu projeto principal no ano passado, Cassie formou o Babies, com Kevin Morby, baixista do Woods. O supergrupo do Brooklyn lançou um bom disco de estréia pela Shrimper, produzido por Jarvis Taverniere, colega de banda de Morby. O sucessor de Everything Goes Wrong, de 2009, também foi registrado na Rear House, estúdio de Tarverniere, que auxiliou as garotas nas gravações. Share The Joy (pré-encomenda aqui) marca a transição das Vivian Girls da emblemática In The Red para a Polyvinyl, casa de nomes como Of Montreal, Deerhoof e Japandroids. Suas dez canções mantêm a qualidade dos trabalhos anteriores, desta vez com uma produção ligeiramente mais rica — enfatizando as raízes no pop dos anos 60.

A duração das faixas continua a tendência crescente demonstrada no lançamento de 2009 — a já citada abertura The Other Girls e o ótimo encerramento Light In Your Eyes forçam a barreira dos seis minutos, com solos desajeitados e mudanças de andamento. Não obstante, o tempo total continua abaixo dos quarenta minutos. As letras soam mais reflexivas do que de costume, aprofundando os temas docemente pessimistas que sempre permearam as músicas da banda. Se há, entretanto, uma mensagem principal por trás dos contos de amor de Share The Joy, Death é uma boa catalizadora — na penúltima faixa do álbum afirma-se incansavelmente, como um mantra, “I wanna stay alive”. As novaiorquinas chegaram ao seu terceiro disco com confiança e vigor que pouquíssimos na geração anterior apresentaram. Não há motivos para acreditar que elas não sejam capazes de mais.

Liars – Liars

22/03/2010


Liars [2007] <- Download

O Liars foi coerente ao batizar seu quarto disco com o mesmo nome da banda, uma vez que este álbum consegue representar todas as fases dos nova-iorquinos até então. Liars, o disco, retoma a relativa simplicidade da estréia, mas sem abandonar os experimentos de They Were Wrong e Drum’s Not Dead, de modo que há mais semelhanças com o passado do que com o que estava por vir. A novidade da vez não é nada inovadora. Sem se preocupar com conceitos, eles encarnaram uma banda de rock, com concessões a riffs de guitarra e refrões. O resultado foi o disco mais acessível de suas carreiras.

Plaster Casts of Everything abre o disco de maneira sufocante, com o ritmo frenético e a agressividade da estréia. Sombrias e arrastadas, Houseclouds e What Would They Know dão um tratamento easy listening às viagens dos últimos dois discos. Os momentos mais rock são Cycle Time e Freak Out, dois hits em potencial com riffs chapantes que mais parecem os de Josh Homme, do Queens of Stone Age. Clear Island, outra com punch de sobra, alia boas guitarras, sintetizadores, baterias repetitivas e os costumeiros backing vocals em forma de mantra.

Clear Island

The World’s Lousy With Ideas Vol. 8 (VA)

23/12/2009


The World’s Lousy With Ideas Vol. 8. [2009] <- Download

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series. Os vinis de sete polegadas compilam bandas americanas que têm recebido o rótulo modista “shitgaze“. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, reunindo faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao indie pop das Vivian Girls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outros dois queridinhos do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs (única em que os anos 80 falam mais alto). E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Times New Viking - A Lot of PaintingsGuinea Worms - Soiled SenderTyvek - Flowers

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series, onde compila, em vinis de sete polegadas, bandas que muitas vezes têm recebido o rótulo modista de shitgaze. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, e para isso reuniu faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao shoegaze das VivianGirls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outras duas bandas queridinhas do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs – a única em que os anos 80 falam mais alto. E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Liars – They Were Wrong So We Drowned

31/10/2009

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They Were Wrong So We Drowned [2004] <- Download

Hoje, dia das bruxas, é uma ótima data para dar continuidade à discografia comentada do Liars.

Em 2003, Angus Andrew e sua namorada Karen O. trocaram o Brooklyn por uma residência rural no estado de Nova Jersey. Quando o YYYs saiu em turnê, os outros dois integrantes do Liars também se mudaram para a casa de campo, e, a partir de sombrias caminhadas noturnas pela floresta, começaram a pensar na concepção de seu segundo álbum. Interessado em forças ocultas, o trio passou a pesquisar sobre bruxaria na Internet. Um erro de digitação (brocken witch ao invés de broken witch) os levou a conhecer a Walpurgisnacht, uma celebração do folclore alemão. Segundo a tradição, no primeiro dia da primavera os homens saiam às ruas, acendendo fogueiras e fazendo muito barulho na esperança de espantar os demônios que surgiriam depois de ficarem presos durante o inverno. Esta foi a principal inspiração para a obra-prima do Liars, gravada na própria fazenda e produzida por David Sitek, do TV On The Radio.

Uma sensação de medo e escuridão perpassa todo o álbum, fazendo com que o ouvinte seja tragado para uma atmosfera medieval perturbadora. Imagine uma viagem lisérgica numa procissão pagã, embalada por uma marcha fúnebre hipnótica que te conduz a uma bad trip sufocante, com batidas tribais frenéticas e sintetizadores densos que não permitem abstrair o que acontece ao seu redor. A influência do Gang of Four ainda é nítida, mas nada aqui funcionaria numa pista. Os momentos moderninhos e potencialmente dançantes estão imersos no caos, e surgem com uma agressividade que potencializa a demência do disco.

Definitivamente, They Were Wrong So We Drowned não é acessível. Mas audições num contexto adequado (sozinho e drogado num quarto escuro) podem facilmente incluir o Liars entre suas bandas favoritas da década.

If You're a Wizard Then Why Do You Wear GlassesHold Hands And It Will Happen Anyway

Tiny Masters Of Today – Skeletons

19/08/2009

Skeletons

Skeletons [2009] <- Download

Saiu em junho pela Mute o segundo disco dos Tiny Masters Of Today. Produzido em casa pela própria dupla, Skeletons é mais coeso e diversificado que Bang Bang Boom Cake, trazendo grooves interessantes e composições mais fortes do que as da estréia. A produção privilegia batidas processadas, samples e até scratches, mas consegue manter as raízes garageiras. As letras, sem grandes perdas no quesito simplicidade, caminham para um cinismo mais adulto. Continuam em destaque as guitarras toscas, bem como os vocais infantis da caçula Ada, agora com 13 primaveras. Seu irmão Ivan, dois anos mais velho, já soa menos pueril. Nos melhores momentos — em especial a seqüência de excelentes melodias da faixa-título, do primeiro single, Pop Chart, e da perfeita Real Good —, Skeletons consegue de fato libertar-se do mote “banda de crianças”. Fica inegável que temos aqui um material de alto nível sob qualquer critério.

Tiny Masters Of Today - Skeletons
Tiny Masters Of Today - Real Good