Posts Tagged ‘calvin johnson’

Modest Mouse – Sad Sappy Sucker

22/08/2010


Sad Sappy Sucker [2001] <- Download

Nos anos 00’s, o Modest Mouse assumiu suas influências inglesas e migrou de vez para o mainstream – a presença do ex-Smiths John Marr na segunda guitarra confirma tais guinadas. Talvez a maioria dos nossos leitores despreze a banda, preconceito que certamente será desfeito assim que conhecerem os álbuns lançados pela K Recs. Sob a produção de Calvin Johnson, a banda de Issaquah, WA, gravou Blue Cadet-3, Do You Connect? (1994), EP de estréia que é uma sucessão de vinhetas lo-fi. A parceria foi repetida no terceiro álbum, The Fruit That Ate Itself, de 97, cuja sonoridade remete a um encontro entre Pavement e Dub Narcotic Sound System. E em 2001, a K lançou Sad Sappy Sucker, reunindo, além do primeiro EP, faixas que entrariam no primeiro disco cheio da banda.

Se tivesse sido lançado em 94, Sad Sappy Sucker daria ao Modest Mouse o título de irmão gêmeo do Built to Spill. Guitarras esparsas e ritmos inconstantes são regra, enquanto os vocais alternam entre gritos esganiçados e linhas extremamente melódicas. Antídoto aos intricados dedilhados, o silêncio é muito bem explorado, antecedendo breves momentos contemplativos que logo se perdem em meio a batidas fragmentadas. Apesar de Isaac Brock não pertencer ao cânone dos anos 90, sua banda tem méritos por antecipar a década seguinte – vide as guitarras secas, os vocais em coro e as passagens pop-épicas. Tanto é que o Modest Mouse serviu de influência para Tapes n’ Tapes e Wolf Parade, duas bandas atuais que se recusam a fazer o som quadrado proposto pelos Strokes.

VA – A Tribute To Jandek

06/02/2010

Naked In The Afternoon [2000] and Down In A Mirror [2005]

Jandek nasceu no distante ano de 1945. Lançados no final dos anos 70, seus primeiros registros anteciparam em uma década a estética lo-fi que marcou o rock alternativo americano. A falta de reconhecimento de sua carreira é explicada pela postura reclusa que o músico tem adotado nos últimos trinta anos. Excêntrico e anti-social, Jandek passou todo este tempo alheio a rótulos e a quase todas as outras coisas do mundo, vendendo discos pelo correio e se recusando a dar entrevistas. Mas se um dia você encontrá-lo, chame-o por “a representative of Corwood Industries”, nunca pelo nome. Corwood Industries é a gravadora de Jandek, criada exclusivamente para lançar seus mais de 50 álbuns.

É tarefa capciosa apontar influências na obra de Sterling Richard Smith – especula-se que este seja seu nome de batismo -, que, ao mesmo tempo, evoca o art rock do Velvet e a despretensão das Shaggs. Minimalistas, suas músicas são erguidas sob riffs atonais,  vocais sombrios e batidas instáveis, permitindo comparações com ícones do rock americano, como Jad Fair e Calvin Johnson, que participou de um documentário sobre Jandek.

No início da década passada, a gravadora americana Summersteps organizou dois tributos ao representante das Indústrias Corwood, em que 42 artistas tentam, sem muito êxito,  lapidar o legado de Jandek. Naked In The Afternoon, de 2000, tem a participação do ex-pavement Gary Young, Bright Eyes, Low, e Pipes You See, Pipes You Don’t. Down In A Mirror, de 2005, traz Jeff Tweedy, Okkervil River, Six Organs Of Admittance, Mountain Goats e Dirty Projectors. Embora tortuosos, estes CDs são a melhor introdução à vasta discografia de Jandek (que pode ser encontrada para download no ótimo exp etc).

D+ – D+

10/12/2009

D+ [1997] <- Download

Bret Lunsford tocava guitarra e bateria no Beat Happening. Depois de gravar You Turn Me On, em 1992, o trio de Olympia praticamente encerrou suas atividades. Bret voltou para sua casa em Anacortes, onde fundou o selo KNW-YR-OWN e criou o D+, acompanhado inicialmente por Phil Elvrum, do Microphones, e por Karl Blau. Apesar de negligenciado até por fanzines, o D+ tem uma discografia consistente, com os dois primeiros álbuns lançados pela K Recs e os outros seis pela Knw-Yr-Own. Produzida por Calvin Johnson e batizada com o mesmo nome da banda, a estréia do D+, de 97, é um dos melhores títulos do catálogo da K.

D+ remete a Black Candy, álbum mais Cramps do Beat Happening. Há semelhanças também com a estética crooner 50’s da carreira solo do Calvin e até com o groove do Halo Benders. O instrumental é minimalista; com timbres secos, vocais sem muito ritmo e uma batida que não empolga. Bret fez um disco pop erguido a partir de um sentimento de monotonia, que te leva a ouvir repetidas vezes sua voz anasalada lamentando o quanto é entediante a vida moderna. Pequenos silêncios dividem as músicas, como se Bret parasse por um segundo para pensar se vale à pena continuar — felizmente, por enquanto a resposta é positiva.

D+ - Super 8
D+ - Jaywalker

The Go Team – Archer Come Sparrow

18/05/2009

k7

Archer Come Sparrow [1989] <- Download

Já falei aqui sobre o Go Team, que era comandado por Calvin Johnson e sua ex-namorada Tobi Vail (Bikini Kill). Archer Come Sparrow saiu em cassete pela K Recs em 89, mesmo ano em que a dupla gravou aqueles nove singles com a participação de vários nomes do underground americano. A fita foi antecedida pela demo Donna Parker Pop, que trazia seis faixas instrumentais e uma declaração em seu encarte: Make up your own words and sing along. Algumas pessoas realmente o fizeram, e três delas acabaram cantando suas composições em Archer Come Sparrow, o último lançamento do Go Team.

Sem tanta interferência de outros artistas, Archer Come Sparrow é uma reencarnação tosca do Beat Happening em seus primeiros discos, referenciando de maneira ainda mais primitiva Velvet e Cramps. Acid Autumn se resume a duas guitarras mal tocadas, que dialogam em dedilhados infantis para criar seis minutos de uma atmosfera tão sublime quanto a de Tigger Trap. A psicodélica Intercept Irradiate e a garageira Crash Cavern são outras dois longos momentos instrumentais capazes de envolver até os ouvintes mais impacientes. A K7 é tão foda que é possível encontrar pelo menos duas candidatas a melhor faixa da carreira do Calvin: Keep-A-Way e Help Me If You Can – sendo esta última cantada por Curt Homan, um cara que levou a sério o recado de Donna Parker Pop.

Help Me If You Can
Keep-A-Way

Tribute To Beat Happening

15/03/2009

fortune cookie prize

Fortune Cookie Prize [1992] <- Download

Fortune Cookie Prize é um tributo ao Beat Hapenning que saiu em 92 pela Simple Machines. O nome do disco vem do título de uma das faixas de Dreamy, lançado pelo trio de Olympia em 91, mesmo ano em que o tributo foi gravado. Vários ícones do rock alternativo americano participaram desta homenagem à banda de Calvin Johnson, entre eles o casal Thurston Moore e Kim Gordon, Lou Barlow, Velocity Girl, Superchunk e Unrest. Precisa dizer mais alguma coisa?

Thurston, Kim + Epic - Black Candy
Leaky Chipmunk - Our Secret