Posts Tagged ‘60’s’

Cheeky Monkey – Four Arms To Hold You

19/06/2010


Four Arms To Hold You [1998] <-Download

Cheeky Monkey foi uma parceria entre Francis McDonald e Michael Shelley. Baterista de bandas escocesas seminais, Francis dispensa maiores apresentações. Já o nova-iorquino Michael Shelley é mais conhecido por seu programa na rádio WFMU, embora tenha uma extensa discografia solo. Os dois começaram a compor juntos por telefone até que, em 97, reuniram-se durante quatro dias em Glaslow para gravar Four Arms To Hold You, lançado no ano seguinte pela Big Deal. O resultado é surpreendente, de longe um dos melhores discos de power pop dos anos 90. Francis abdica das guitarras distorcidas, enquanto Shelley abre mão do jangle pop oitentista e vai mais fundo, resgatando o rhythm’n’blues de seu país. A produção, orgânica e despojada, funciona perfeitamente tanto para as faixas mais divertidas quanto para as baladas mais deprês. Super recomendado para fãs de Big Star, Matthew Sweet e do primeiro disco do Wilco.

Em 2002, o disco foi relançado pela Shoeshine Records (selo comandado por Francis McDonald), que já apareceu no lastsplash com essa ótima coletânea.

The World’s Lousy With Ideas Vol. 8 (VA)

23/12/2009


The World’s Lousy With Ideas Vol. 8. [2009] <- Download

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series. Os vinis de sete polegadas compilam bandas americanas que têm recebido o rótulo modista “shitgaze“. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, reunindo faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao indie pop das Vivian Girls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outros dois queridinhos do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs (única em que os anos 80 falam mais alto). E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Times New Viking - A Lot of Paintings
Guinea Worms - Soiled SenderTyvek - Flowers

O selo Almost Ready Records surgiu no Brooklyn em 2007. Desde então, seu fundador, Harry Howes, já prensou oito edições da The World’s Lousy Series, onde compila, em vinis de sete polegadas, bandas que muitas vezes têm recebido o rótulo modista de shitgaze. Após sete EPs já esgotados, Harry resolveu lançar o oitavo volume no formato LP, e para isso reuniu faixas inéditas dos principais nomes do noise pop que tem sido produzido neste fim de década. Então, antes de baixar qualquer mixtape de melhores do ano, te aconselho a ouvir a sensacional The World’s Lousy With Ideas Vol. 8.

Apesar de não constituírem uma cena ou definirem um sub-gênero, as nove bandas selecionadas parecem partir de uma mesma proposta: forjar uma versão suja e urgente para o rock dos anos 60. Esta opção estética permite percorrer diferentes caminhos, que levam, por exemplo, ao shoegaze das VivianGirls, à psicodelia psicótica do Thee Oh Sees e ao som garageiro do Intelligence. Outras duas bandas queridinhas do Last Splash aparecem na coletânea: Times New Viking e Blank Dogs – a única em que os anos 80 falam mais alto. E vale mencionar que a maioria dessas bandas já passou pela In The Red, que, depois de uma década de entressafra, está com um cast foda.

Boston Spaceships – Zero To 99

20/10/2009

download
Zero To 99 [2009] <- Download

Não estou conseguindo acompanhar todos os discos lançados por Robert Pollard este ano.  Alguns acabaram nem sendo citados no blog, negligência que não poderia se repetir neste terceiro álbum do Boston Spaceships – banda em que também tocam Chris Slusarenko (ex-GBV) e John Moen (The Decemberists).  Zero to 99 é bastante influenciado pelos anos sessenta, passando pelos clichês de forte apelo pop até chegar em momentos mais garageiros e psicodélicos. É o melhor registro do trio até agora, e parte deste êxito se deve às participações especiais de Sam Coomes (Quasi), Scott McCaughey (Minus 5) e Peter Buck (R.E.M.). Mr. Ghost Town, com um riff  60’s contagiante, é a música mais legal de Pollard em 2009.

Mr. Ghost Town

Mike Rep And The Quotas – Stupor Hiatus Vol. 2

20/06/2009

stupor hiatus

Stupor Hiatus Vol. 2 [1992] <- Download

As primeiras gravações conhecidas de Mike “Rep” Hummel datam aproximadamente de 1975. Foi quando ele registrou em sua casa, entre outras faixas, Rocket To Nowhere e Quasar; que viriam a compor seu primeiro single, lançado pelo selo Moxie apenas em 1978. Numa época em que reinava nas rádios americanas a disco music, ao lado de baladas ultra-polidas e de hard-rocks sulistas virtuosos, não é de se estranhar que a repercussão do compacto tenha sido ínfima — se é que alguma. Não obstante, Hummel manteve-se prolífico nos anos seguintes, acabando por desempenhar um papel crucial no movimento de gravação caseira que viria a explodir na década de 90.

Se Ohio, sua terra natal e residência até os dias atuais, pode ser considerada com justiça a Meca da produção lo-fi mundial, muito se deve à assinatura “LFW” (Lovingly Fucked With), que estampa todo disco a contar com seus talentos de produtor. Foi “amorosamente fodida com” Mike Rep uma enorme lista de bandas de Ohio; entre elas o Guided By Voices, no clássico Propeller, e, mais recentemente, o Times New Viking.

Stupor Hiatus foi lançado em 1992 pela Siltbreeze, reunindo gravações de várias épocas, desde Rocket To Nowhere. As 13 faixas entregam as idéias mais diversas, de influências do pop dos anos 60 e do protopunk (inclusive há uma versão de Sister Ray, do Velvet Underground) até sons que chegam a se aproximar do absurdismo do Ween. Mas, assim como no GBV — e na maioria das bandas com que Mike trabalha —, o mais importante são as canções. E todas aqui valem a pena.

Mike Rep And The Quotas - I Resign
Mike Rep And The Quotas - Basket Of Flowers
Mike Rep And The Quotas - Rocket To Nowhere

Flying Nun – Getting Older 1981-1991 (VA)

25/03/2009

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Getting Older 1981-1991 [1991] <- Download

Fosse a Flying Nun Records dos EUA ou do Reino Unido, seria tão cultuada quanto a SST, a 4AD, a Creation, a Sub Pop, ou qualquer outra gravadora independente emblemática na história do rock alternativo. Como esses selos, ela foi de extrema importância para a cena local em que se inseria, e mesmo para a música de seu país em um sentido mais amplo. Desenvolveu uma identidade própria, alheia a demandas mercadológicas e guiada apenas por uma idéia de som, e resistiu bravamente a todas as dificuldades, conquistando um público fiel ao longo de quase trinta anos de atividade. Mas acontece que a freira voadora é da Nova Zelândia, e o isolamento geográfico tem suas desvantagens.

Fundada em 1981 pelo visionário balconista de loja de discos Roger Shepard, e inspirada nos primeiros selos independentes bem sucedidos do pós-punk — em especial a Rough Trade —, a casa de ótimos nomes como The Verlaines, 3Ds, Jean-Paul Sartre Experience, e mais uma enorme parcela de tudo o que é relevante no arquipélago, continua aberta até hoje. Getting Older é uma compilação que abrange os primeiros dez anos do selo, e uma boa forma para se compreender o que quer dizer o rótulo Dunedin Sound, uma peculiar releitura tosca e embaralhada do pop dos anos 60. Começando pela canção que dá nome à coletânea, da lendária mãe-de-todas The Clean, o disco passa por muitos momentos brilhantes em suas 20 faixas, entre eles Something New, do The Stones, a fantástica Crush, do Tall Dwarfs, e Dialling A Prayer, do Straitjacket Fits, encerrando com a ótima Not Given Lightly, de Chris Knox.

The Clean - Getting Older
The Stones - Something New