Posts Tagged ‘dream pop’

Alles Club – Eclipse

29/06/2017

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duplodeck – Brisa

12/06/2014

Ciro Madd – Sleeping in the Rough Sea

22/11/2012

 Sleeping in the Rough Sea [2012] <- Download

A cabeça de Ciro Madd é habitada por ícones do rock sessentista, flashbacks de ensaios em corais infantis, ruídos de sua adolescência shoegaze e resquícios de bad trips. Ainda nos anos 90, Ciro deixou o interior para morar em São Paulo, instalando seu bedroom studio no porão de um bairro italiano. Rodeado por pedais de distorção, gravadores fourtrack e um piano do século XIX, ele tem registrado as melodias que passam por sua mente, esculpindo-as sob forma de uma psicodelia acinzentada de rara sutileza pop. Reunindo algumas dessas faixas gravadas ao longo dos anos 00’s, Sleeping in the Rough Sea, debute de Ciro Madd, acaba de sair pela Pug Records, disponibilizado em MP3 gratuito, CD-R e uma versão estendida em k7.

Abrindo o disco, Long Time, uma balada soturna conduzida por teclados, apresenta Ciro em seu instrumento original. Enfileirando pérolas lo-fi, ele declara sua paixão pelos anos 60 na sussurrada See You e em The Color of Your Mind, onde harmonias vocais pincelam cores psicodélicas ao folk. Evoluindo do indie pop oitentista ao power pop da década seguinte, Candy Song e The Call revelam a admiração pelas guitar bands britânicas, o que se confirma na plasticidade desorientante de Experiment, com ecos de dream pop. Fechando o álbum, She’s Waiting For The Sunlight flerta com os primórdios rock progressivo, porém, assim como nas demais, mantendo o foco na melodia, cuja força independe dos diferentes contornos estéticos que possa vir a adquirir.

Uma vez que Sleeping in the Rough Sea dialoga com a recente safra de bandas indies americanas influenciadas pela Creation, vale dizer que sua concepção é alheia a tal movimento, apresentando peculiaridades. Sem tantos reflexos do pós-punk, Ciro viaja por conta própria aos anos 60, resgatando tanto nomes obscuros quanto dinossauros antiquados. No entanto, a despretensão e genialidade pop do disco transcendem discussões sobre suas influências, conferindo certo frescor ao que poderia soar nostálgico. Então, passados 50 minutos, suas 14 faixas desmistificam uma suposta barreira entre rock clássico e alternativo, que ainda separa dois grupos igualmente inocentes: os que se apegam ao passado e os que celebram qualquer novidade.

Recomendado para fãs de Minks, Teenage Fanclub, Beach House, Tobin Sprout, Lilys e George Harrison.

Secret Square – Secret Square

01/02/2011

Secret Square [1995] <- Download

Criado como um projeto paralelo de Hilarie Sidney (então baterista do Apples In Stereo), o Secret Square estreou em 1995, com um 7” pela Elephant 6. Sidney tinha ao seu lado Lisa Janssen, cujo currículo inclui créditos como baixista em On Avery Island, do Neutral Milk Hotel. Ainda em 95, a dupla lançou seu primeiro e único álbum — auto-intitulado, assim como o single.

Secret Square é um dos momentos mais experimentais na discografia da E6. A produção lo-fi torna ainda mais confusa a instrumentação, com camadas de violões, efeitos sonoros e teclados  não raro desdenhando de preceitos musicais básicos (ritmo, afinação, harmonia etc). Mas a força do disco reside justamente na forma com que, apesar de tudo, as vozes suaves de Sidney e Janssen se impõem.

Desconstruções à parte, as onze faixas — sendo as quatro finais listadas como bônus — reúnem composições pop notáveis divididas entre as duas integrantes, além de uma boa versão de Candy Says, do Velvet Underground. Algumas passagens lembram as sombrias incursões acústicas do My Bloody Valentine, enquanto outras aproximam-se da psicodelia naïve mais acessível de seus companheiros de coletivo, e até mesmo do caos dos primórdios do Pavement. Secret Square é de uma singularidade desconcertante; um clássico perdido do indie pop americano.

Big Troubles – Worry

21/10/2010


Worry [2010] <- Download

Formado em 2009 por Ian Drennan e Alex Craig, o Big Troubles lançou recentemente seu disco de estréia pela OESBEE Records. Com um dream pop de timbres estourados, Worry é uma bela amostra do quanto o underground americano tem a oferecer aos que prezam por melodias pop e suportam camadas de distorção. A Rough Trade foi certeira ao defini-los: “My Bloody Valentine com restrições orçamentárias, mas alguns idiotas deixaram as batidas eletrônicas do Big Black ao fundo”. Soa como se o Times New Viking interpretasse as composições do Wild Nothing, sujando cada acorde, sem, no entanto, conseguir soterrar as dançantes linhas de baixo à la Peter Hook. Destaque para a Freudian Slips, que mais parece The Pains of Being Pure at Heart com Billy Corgan nos vocais, Drastic And Difficult, um petardo ruidoso e urgente semelhante aos do Surf City, e Creeper, que remete aos momentos mais desleixados do Lilys.

Desconsidere qualquer lista de melhores do ano que não cite a estréia do Big Troubles.