Posts Tagged ‘velvet underground’

Secret Square – Secret Square

01/02/2011

Secret Square [1995] <- Download

Criado como um projeto paralelo de Hilarie Sidney (então baterista do Apples In Stereo), o Secret Square estreou em 1995, com um 7” pela Elephant 6. Sidney tinha ao seu lado Lisa Janssen, cujo currículo inclui créditos como baixista em On Avery Island, do Neutral Milk Hotel. Ainda em 95, a dupla lançou seu primeiro e único álbum — auto-intitulado, assim como o single.

Secret Square é um dos momentos mais experimentais na discografia da E6. A produção lo-fi torna ainda mais confusa a instrumentação, com camadas de violões, efeitos sonoros e teclados  não raro desdenhando de preceitos musicais básicos (ritmo, afinação, harmonia etc). Mas a força do disco reside justamente na forma com que, apesar de tudo, as vozes suaves de Sidney e Janssen se impõem.

Desconstruções à parte, as onze faixas — sendo as quatro finais listadas como bônus — reúnem composições pop notáveis divididas entre as duas integrantes, além de uma boa versão de Candy Says, do Velvet Underground. Algumas passagens lembram as sombrias incursões acústicas do My Bloody Valentine, enquanto outras aproximam-se da psicodelia naïve mais acessível de seus companheiros de coletivo, e até mesmo do caos dos primórdios do Pavement. Secret Square é de uma singularidade desconcertante; um clássico perdido do indie pop americano.

Jonathan Richman – I, Jonathan

26/02/2010

I, Jonathan [1992] <- Download

Medir a importância de Jonathan Richman é tarefa complicada. O líder do seminal Modern Lovers possui uma extensa discografia, que abrange desde o proto-punk de seu grupo original até canções em espanhol. Para alegria de todos, o judeu mais barulhento de Natick, Massachusetts, acaba de confirmar uma vinda ao Brasil em abril, com apresentações no Rio de Janeiro, em São Paulo e possivelmente em outras cidades.

O quinto álbum de Richman sem o apoio do Modern Lovers é  considerado por muitos — com justiça — seu melhor momento solo. I, Jonathan, de 1992, foi gravado em um porão na Califórnia. É um disco cru, lo-fi, espontâneo.  Cheias de palminhas, coros alcoolizados e arranjos primitivos, suas dez faixas exalam verão — embora se adeqüem a qualquer estação. E as letras: I Was Dancing In The Lesbian Bar não poderia ter um título mais auto-explicativo; You Can’t Talk To The Dude dirige-se a uma garota cujo namorado é um filisteu; Velvet Underground é uma homenagem naïve à maior influência de Jonathan. Também merece atenção especial a ótima That Summer Feeling, de onde Jens Lekman bebeu até virar os olhos.

Jonathan Richman - You Can't Talk To The Dude
Jonathan Richman - Velvet UndergroundJonathan Richman - That Summer Feeling

VA – A Tribute To Jandek

06/02/2010

Naked In The Afternoon [2000] and Down In A Mirror [2005]

Jandek nasceu no distante ano de 1945. Lançados no final dos anos 70, seus primeiros registros anteciparam em uma década a estética lo-fi que marcou o rock alternativo americano. A falta de reconhecimento de sua carreira é explicada pela postura reclusa que o músico tem adotado nos últimos trinta anos. Excêntrico e anti-social, Jandek passou todo este tempo alheio a rótulos e a quase todas as outras coisas do mundo, vendendo discos pelo correio e se recusando a dar entrevistas. Mas se um dia você encontrá-lo, chame-o por “a representative of Corwood Industries”, nunca pelo nome. Corwood Industries é a gravadora de Jandek, criada exclusivamente para lançar seus mais de 50 álbuns.

É tarefa capciosa apontar influências na obra de Sterling Richard Smith – especula-se que este seja seu nome de batismo -, que, ao mesmo tempo, evoca o art rock do Velvet e a despretensão das Shaggs. Minimalistas, suas músicas são erguidas sob riffs atonais,  vocais sombrios e batidas instáveis, permitindo comparações com ícones do rock americano, como Jad Fair e Calvin Johnson, que participou de um documentário sobre Jandek.

No início da década passada, a gravadora americana Summersteps organizou dois tributos ao representante das Indústrias Corwood, em que 42 artistas tentam, sem muito êxito,  lapidar o legado de Jandek. Naked In The Afternoon, de 2000, tem a participação do ex-pavement Gary Young, Bright Eyes, Low, e Pipes You See, Pipes You Don’t. Down In A Mirror, de 2005, traz Jeff Tweedy, Okkervil River, Six Organs Of Admittance, Mountain Goats e Dirty Projectors. Embora tortuosos, estes CDs são a melhor introdução à vasta discografia de Jandek (que pode ser encontrada para download no ótimo exp etc).

VA – The Velvets Revolution

27/11/2009


The Velvets Revolution [2009] <- Download

Entre os que atribuem ao Velvet Underground o título de banda seminal, apenas uma minoria consegue citar exemplos de influenciados para confirmar o que dizem. É o efeito Mate-me Por Favor, responsável por fazer muita gente acreditar ser possível sintetizar a importância do VU em 443 páginas.  Encartada na última edição da Uncut, a coletânea The Velvets Revolution – 15 Bands Inspired By The Velvet Underground pode ajudar essas pessoas a entender o legado dos novaiorquinos. Não se trata de um tributo convencional, desses com regravações; mas de uma pequena amostra da difusa e duradoura influência do grupo para o rock alternativo.

Na virada para os anos 80, as bandas americanas Feelies e Suicide representaram bem o quanto a água de uma mesma fonte pode causar diferentes efeitos colaterais – jangle pop e no wave, respectivamente. Do outro lado Atlântico, ainda nos anos 80, os extremos vão do proto-indie-pop do Orange Juice ao kraut-shoegaze do Loop. Smog, numa faixa bem Lou Reed, e Hope Sandoval, emulando a Nico, são os nomes mais conhecidos dos anos 90. Entre os filhotes nascidos nesta década, estão o Thee Oh Sees e as Vivian Girls, ambos já devidamente elogiados em posts anteriores. Sobram ainda mais sete artistas que eu desconheço, mas que também fizeram ótimas canções sob influência de Lou Reed e Cia.

Vivian Girls - Tension Magik Markers - Risperdal

Thee Oh Sees – Thee Hounds Of Foggy Notion

29/09/2009

download
Thee Hounds Of Foggy Notion [2008] <- Download

Surgido em 1997 na cidade de São Francisco, o Thee Oh Sees estourou meses atrás com o elogiado Help (In The Red, 2009). A psicodelia que fez a fama de sua terra natal nos anos 60 é uma das referências primordiais, ganhando uma roupagem garageira. Lançado no ano passado em CD e DVD, Thee Hounds Of Foggy Notion deve ser o sexto álbum da confusa discografia da banda, que, neste trabalho, apostou em composições incrivelmente intimistas para quem já fez um split como Intelligence. Tal guinada é reflexo do inusitado processo de gravação, com a banda tocando despretensiosamente pelas ruas de São Francisco, sempre sob as lentes do diretor Brian Lee Hughes.

O disco tem calmas melodias que são suavemente conduzidas para passagens perturbadoras. Fugindo das influências hippies que colorem seus outros discos, as viagens de Thee Hounds estão mais para as experimentações do Velvet Underground – vide a bateria minimalista, os vocais femininos sedutores, os dedilhados econômicos e o clima hipnótico. As faixas são aconchegantes e deliciosamente lo-fi, sem esbarrar na tosqueira prevista para um disco gravado nestas condições.

O vídeo abaixo foi ripado do DVD. Repare que o ruído dos carros acabou se transformando em mais um elemento da música.