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Thee Butchers’ Orchestra – Deluxe 2000

09/04/2009

deluxeDeluxe 2000 [1999] <- Download

Quando postamos a discografia comentada do Thee Buthers’ Orchestra, faltaram dois discos tão indispensáveis quanto os CDs oficiais. Um deles é Deluxe 2000, CD-R lançado em 1999 pela Ordinary Records. Até então, as demos eram praticamente ensaios gravados, por isso Deluxe é um marco na carreira dos açougueiros, o primeiro momento em que usufruíram os recursos de um estúdio.

A empolgação com as possibilidades do estúdio rendeu flertes com a eletrônica. Vale mencionar que Deluxe saiu um ano depois de ACME, quando Jon Spencer usou algumas bases eletrônicas para produzir seu disco mais groove. Esta deve ter sido a inspiração para Caustic Disco e She’s My kind, as faixas mais swingadas dos Butchers. As músicas que mantém a sonoridade clássica do TBO acabaram sendo regravadas nos discos oficiais, então nem vou falar sobre elas.

So Easy 

Boss Hog – Drinkin’ Lechin’ & Lyin’

27/02/2009

Boss Hog [1989] Drinkin’ Lechin’ & Lyin’ <- Download

Numa época em que suas crias mais bem sucedidas descambaram para a eletrônica, a volta do Boss Hog é um alívio. Se bem que “alívio” não é um termo adequado quando o assunto é o combo liderado por Jon Spencer e pela deliciosa Cristina Martinez, uma das bandas mais profanas da no wave, e com certeza a mais sexy a pisar no palco do CBGB.

Cristina Martinez e seu marido Jon Spencer se conheceram em 85 durante um show do Jesus and Mary Chain. No ano seguinte, Cristina teve uma breve passagem pelo Pussy Galore, tocando a terceira guitarra, berrando e se apresentando nua nos caóticos shows da banda. Em 89, quando o Pussy Galore estava quase implodindo, Jon Spencer começou a se dedicar a outros dois projetos, o Jon Spencer Blues Explosion e o Boss Hog. Além do casal, completavam o Boss Hog o baterista Charlie Ondras e mais dois guitarristas, o também ex-Pussy Galore Kurt Wolf e Jerry Teel, parceiro de Cristina no Honeymoon Killers. Esta foi a formação do primeiro registro da banda, o EP Drinkin’ Lechin’ & Lyin’, gravado na casa do produtor Steve Albini e lançado em 89 apenas em k7.

Eles lançaram mais 4 discos e sumiram em 2001, quando só restava o casal Spencer da formação original. A banda voltou a se apresentar em dezembro de 2008, para alegria de quem se decepcionou com a sonoridade moldada para as pistas dos últimos lançamentos das crias hypadas YYYs e The Kills.

Sugar Bunny
Trigger, Man

TBO – Stop Talking About Music, Let’s Celebrate That Shit

18/01/2009

stop
Stop Talking About Music, Let’s Celebrate That Shit [2005] <- Download

A despedida recupera um pouco da sonoridade suja e urgente. A moral da banda estava alta na época, tanto que o disco foi produzido pelo Tim Kerr e lançado pela gravadora suíça Voodoo Rhythm. Drama Queen e Knock You Out são dois boogies toscos, o tipo de som que o Marco faz em sua carreira solo, sob a alcunha de Uncle Butcher. Os já tradicionais petardos blues-punk são representados por Right Now e Long White Back. Coconut Heart, o blues mais grudento que já ouvi, e Don’t Ask me Why, cujo refrão é um convite ao mosh, são as melhores.

Não convém me prolongar na resenha de um disco com este nome. Então é isso, baixe os álbuns postados aqui e celebre o punk-blues-garage-soul de uma das banda mais legais do mundo. Depois disso, tenho certeza que você vai fazer de tudo para assisti-los ao vivo.

ps. Esses quatro são apenas os álbuns oficiais. Ainda tem uma coletânea de b-sides e várias demos lançadas em K7 e CD-R. Aos poucos a gente coloca esses aqui também.

TBO – What About Now?

18/01/2009

what
What About Now? [2004] <- Download

What About Now? é o disco mais produzido dos Butchers. Foi a primeira vez em que não gravaram ao vivo, e a produção, dividida entre a banda e Clayton Martin (Detetives), deixou tudo mais nítido, com as guitarras ainda mais destacadas. Vale mencionar que Clayton é quase um quarto integrante da banda, tendo praticamente co-produzido todos os lançamentos depois de Golden Hits.

Boa parte das músicas tem um astral festeiro, vide os riffs incendiários de My Dirty Fingers e o clima glam de Johnny Thunders – que passa longe de ser uma homenagem ao guitarrista do New York Dolls. Bunch of Losers é a mais punk, e deve ter sido inspirada em I Got a Right. Outro momento que lembra os Stooges é o sax esquizofrênico de Smart Went Crazy.

A faixa que melhor representa o amadurecimento da banda é a sensual Blue Moon. A estrutura da música, a maneira como as guitarras se complementam e a suavidade dos vocais impressionam quem está acostumado com as primeiras tosqueiras gravadas pelos açougueiros. Mais uma vez, os momentos bluseiros servem pro ouvinte recuperar o fôlego, como na rústica Hot Meal.

TBO – In Glorious Rock’ n’ Roll

17/01/2009

glorious
In Glourious Rock’ n’ Roll [2002] <- Download

Aqui os Butchers soam um pouco menos sujos do que na estréia. A produção foi do ex-Gories Dan Kroha, que levou um pouco da sensualidade de sua banda atual, o Demolition Doll Rods, para o TBO. Dan fez as guitarras dialogarem de maneira mais atraente, sem deixarem de soar toscas e diretas. Tem ainda a adição de backing vocals mais musicais, inclusive vozes femininas com uma pegada gospel.

A maioria das músicas mantém a linha Jon Spencer-Stooges-Stones do Golden Hits. Exemplos de porradas nesse estilo não faltam, como Ninety Nine, Rock’n’Roll Medicine e Both Feet On The Highway. Sobram alguns momentos com uma queda maior para o blues, como na punk Take You Down e nas arrastadas Break It Up e Pussycat On Fire, dois raros momentos em que eles deixam o ouvinte respirar.