Posts Tagged ‘noise pop’

Pug Records Shop #01

15/12/2012

Pug Records Shop #01 [2012] <- Download

Pug Records Shop #01 reúne músicas de CDs, K7s e vinis disponíveis na banquinha do selo mineiro Pug Records. Além de lançamentos da Pug, a compilação traz faixas dos amigos da Transfusão Noise e de outros selos parceiros, abrangendo bandas do Brasil, Estados Unidos, Costa Rica, Indonésia e Espanha.

Fiel à estética do selo, o tracklist é repleto de gravações caseiras e guitarras distorcidas, mas permite algumas exceções. Em seus 48 minutos, ruídos shoegaze e petardos noise pop de inspiração noventista são intercalados por surf punk, por indie pop para as pistas e até mesmo por flertes com a bossa nova.

Mais do que uma amostra dos produtos de sua loja virtual, as 18 faixas funcionam como um resumo do Pug Records, que completa 3 anos no início de 2013. Visite o site da Pug para baixar todo o catálogo do selo gratuitamente, e dê uma passada na loja para comprar cassetes, compactos, camisetas e outros artefatos pop.

Capa por Gustavo Pedrosa.

Top Surprise – Home

22/06/2011

Primeiro clipe da Top Surprise, saca só:

Home é parte do EP Everything Must Go, baixe aqui.

Vivian Girls – Share The Joy

25/02/2011

Share The Joy [2011] <- Download

I don’t wanna be like the other girls” é a frase que abre Share The Joy, terceiro álbum das Vivian Girls. É inevitável, por mais que a letra não explicite tal idéia, pensar na avalanche de grupos femininos de garage rock surgidos após a estréia das novaiorquinas em 2008. Das inglesas do Pens até as costa-riquenhas Las Robertas, passando pelas californianas Dum Dum Girls e Best Coast (que conta hoje com a baterista original das VG, Ali), uma multidão se deu bem seguindo os passos das Vivian Girls. Não que o som do trio fosse algo inédito — a fórmula existia ao menos desde meados dos anos 80, com Shop Assistants e congêneres britânicos. Mas é compreensível que Cassie Ramone (guitarra/vocal), Kickball Katy (baixo/vocal) e a nova baterista Fiona Campbell sintam vontade de afirmar sua posição de pioneiras na tendência agora mais que estabelecida.

Durante as breves pausas de seu projeto principal no ano passado, Cassie formou o Babies, com Kevin Morby, baixista do Woods. O supergrupo do Brooklyn lançou um bom disco de estréia pela Shrimper, produzido por Jarvis Taverniere, colega de banda de Morby. O sucessor de Everything Goes Wrong, de 2009, também foi registrado na Rear House, estúdio de Tarverniere, que auxiliou as garotas nas gravações. Share The Joy (pré-encomenda aqui) marca a transição das Vivian Girls da emblemática In The Red para a Polyvinyl, casa de nomes como Of Montreal, Deerhoof e Japandroids. Suas dez canções mantêm a qualidade dos trabalhos anteriores, desta vez com uma produção ligeiramente mais rica — enfatizando as raízes no pop dos anos 60.

A duração das faixas continua a tendência crescente demonstrada no lançamento de 2009 — a já citada abertura The Other Girls e o ótimo encerramento Light In Your Eyes forçam a barreira dos seis minutos, com solos desajeitados e mudanças de andamento. Não obstante, o tempo total continua abaixo dos quarenta minutos. As letras soam mais reflexivas do que de costume, aprofundando os temas docemente pessimistas que sempre permearam as músicas da banda. Se há, entretanto, uma mensagem principal por trás dos contos de amor de Share The Joy, Death é uma boa catalizadora — na penúltima faixa do álbum afirma-se incansavelmente, como um mantra, “I wanna stay alive”. As novaiorquinas chegaram ao seu terceiro disco com confiança e vigor que pouquíssimos na geração anterior apresentaram. Não há motivos para acreditar que elas não sejam capazes de mais.

Psychedelic Horseshit – Magic Flowers Droned

06/12/2010

Magic Flowers Droned [2007] <- Download

O Psychedelic Horseshit encabeça, ao lado do Times New Viking, a lista de bandas excepcionais surgidas em Ohio nos últimos tempos. Liderado por Matt Whitehurst, o trio formou-se na mesma Columbus do TNV, em 2005. Ao longo dos dois anos seguintes lançaram uma série extremamente barulhenta de CD-Rs e compactos, compilados no ano passado em Golden Oldies.

Magic Flowers Droned saiu em 2007 pela Siltbreeze — casa de Eat Skull, Sic Alps, Pink Reason, TNV e mais. É o primeiro álbum do Psychedelic Horseshit, e soa como uma evolução das gravações anteriores.  Com uma dose saudável de boa vontade, é possível discernir, sob a abrasividade lo-fi característica de Ohio, um eficiente núcleo pop que faz lembrar o som da Flying Nun — bem como Mike Rep, patrono da tosqueira de Columbus, e Alastair Galbraith, cria da cena neozelandeza e descoberta da Siltbreeze. A cota de ruído e experimentação é generosa, sem dúvida, mas não chega a ser gratuita; está lá com um propósito, dialogando com as canções e criando uma atmosfera que qualifica o Psychedelic Horseshit como um dos grupos mais instigantes e distintos em atividade.

Urusei Yatsura – Pulpo!

13/11/2010


Pulpo! [1997] <- Download

Batizado em homenagem a um antigo mangá, e desde cedo renomeado deste lado do Atlântico e no Japão como apenas Yatsura (devido, você sabe, a leis), o Urusei Yatsura é um clássico exemplo de banda britânica dos anos 90 que optou por seguir a cartilha americana. O grupo foi formado em 1993, em Glasgow, pelos guitarristas Graham Kemp e Fergus Lawrie, que dividiam os vocais, e os irmãos Elaine e Ian Graham, respectivamente no baixo e bateria. Lançaram em 1995 o EP All Hail Yatsura, e no ano seguinte o incrível álbum We Are Urusei Yatsura, gerando prestígio instantâneo no meio indie da ilha.

Pulpo! saiu em 1997 pela Ché, reunindo singles e faixas de compilações. É inegável a influência do cânone norte-americano, sobretudo a indisciplina do Pavement e a barulheira do Sonic Youth. Mas não é um caso, como frequentemente se insinua a respeito do quarteto, de mera réplica — o Yatsura tem, sim, personalidade própria. Entre as 12 faixas da coletânea encontramos alguns dos melhores momentos dos escoceses, como Down Home Kitty e o hit Fake Fur. Há também passagens mais calmas, com violões, propiciando um descanso aos ouvidos que teria feito da estréia um disco ainda mais forte.

Kozee Heart, discutivelmente a faixa mais Pavement aqui, inicia com uma fala que zomba da condição derivativa do grupo e ilustra bem seu senso de humor: “Hey kids! This song was inspired by Steve Malkmus and the magic of Pavement. But before you write in and start taking the piss out of us, just remember: we could be doing this all the time! Please enjoy.” A banda acabou em 2001, após lançar seu terceiro álbum, Everybody Loves Urusei Yatsura. Kemp seguiu carreira-solo, e os demais integrantes continuam tocando juntos, com o nome Projekt A-KO — outro desenho japonês, mas desta vez com uma preventiva corruptela ortográfica.