Posts Tagged ‘elephant 6’

Secret Square – Secret Square

01/02/2011

Secret Square [1995] <- Download

Criado como um projeto paralelo de Hilarie Sidney (então baterista do Apples In Stereo), o Secret Square estreou em 1995, com um 7” pela Elephant 6. Sidney tinha ao seu lado Lisa Janssen, cujo currículo inclui créditos como baixista em On Avery Island, do Neutral Milk Hotel. Ainda em 95, a dupla lançou seu primeiro e único álbum — auto-intitulado, assim como o single.

Secret Square é um dos momentos mais experimentais na discografia da E6. A produção lo-fi torna ainda mais confusa a instrumentação, com camadas de violões, efeitos sonoros e teclados  não raro desdenhando de preceitos musicais básicos (ritmo, afinação, harmonia etc). Mas a força do disco reside justamente na forma com que, apesar de tudo, as vozes suaves de Sidney e Janssen se impõem.

Desconstruções à parte, as onze faixas — sendo as quatro finais listadas como bônus — reúnem composições pop notáveis divididas entre as duas integrantes, além de uma boa versão de Candy Says, do Velvet Underground. Algumas passagens lembram as sombrias incursões acústicas do My Bloody Valentine, enquanto outras aproximam-se da psicodelia naïve mais acessível de seus companheiros de coletivo, e até mesmo do caos dos primórdios do Pavement. Secret Square é de uma singularidade desconcertante; um clássico perdido do indie pop americano.

Elf Power – Elf Power

28/09/2010

Elf Power [2010] <- Download

Este tem sido um ano agitado para a Elephant 6. Com o sólido e acessível Travellers In Space And Time, o Apples In Stereo se atirou de cabeça nas pistas, conquistando novos fãs que nunca haviam ouvido falar na banda ou no coletivo de Athens. O Of Montreal continua na trilha pop que vinha seguindo na última década, com o recém-lançado False Priest, considerado por muita gente um dos melhores discos do grupo; e o Olivia Tremor Control — que esteve inativo por um bom tempo, enquanto Will Cullen Hart se dedicava ao Circulatory System — já liberou a primeira faixa (bem louca, aliás) de seu novo trabalho, atualmente em produção.

Soma-se agora à lista mais um dos nomes-chave da E6. O Elf Power acaba de lançar, pela Orange Twin, seu décimo álbum. Elf Power é uma obra contemplativa, de belas canções, com as marcas da banda e de seus colegas. Arranjos caprichados; guitarras, teclados e vocais suaves, remetendo aos anos 60; pinceladas de folk. A produção, menos cósmica e mais funcionalista do que nos tempos de David Fridmann, é do baixista Derek Almstead (ex-Of Montreal e Summer Hymns), como nos dois últimos discos. Não obstante, as melodias redondas e a voz de Andrew Rieger continuam permitindo paralelos com o Flaming Lips. O álbum é dedicado a Vic Chesnutt, brilhante cantor folk cadeirante, patrimônio de Athens, que cometeu suicídio no último natal. Coisas da vida.

Momento Mãe Dináh: 2011 será o ano em que Jeff Mangum sairá da toca pra valer, e a volta estará completa. Vamos torcer.

Apples in Stereo – Travellers in Space and Time

07/03/2010


Travellers in Space and Time [2010]

As eventuais batidas eletrônicas de New Magnetic Wonder já indicavam que o Apples in Stereo seria a próxima banda da Elephant 6 a ser ouvida nas pistas. E o vazamento de Dance Floor, primeiro single do recém-lançado Travellers in Space and Time, deixou claro que a transição do Apples ocorreu a passos bem mais largos do que a sofrida pelo Of Montreal. Classificado por Robert Schneider como “retro-futuristic super-pop“, este sétimo álbum dá um tratamento quase robótico a gêneros tradicionais como o soul, o sunshine pop e o R&B – as linhas de baixo funkeadas são outra semelhança com a fase atual do Of Montreal. Aos antigos fãs, saudosistas com o passado guitar band-folk-lo-fi, sobram de consolação algumas viagens psicodélicas e um punhado de faixas redondinhas.

No One In The World

Ulysses – .010

13/11/2009

download
.010 [2004] <-Download

Robert Schneider é o líder do Apples in Stereo, banda que recentemente ficou conhecida do grande público através de um comercial da Pepsi. Desde então, o Apples passou a dividir com o Of Montreal o posto de filho mais popular do coletivo/gravadora Elephant 6. No entanto, a importância de Schneider para a E6 não se restringe a divulgá-la para o mainstream. Além de ter sido um dos seus mentores, foi ele quem produziu In The Aeroplane Over The Sea, do Neutral Milk Hotel, disco mais cultuado do coletivo. Acrescenta-se ainda a sua biografia o Marbles, um projeto solo que remete aos primórdios da panela folk-psicodelia-lo-fi surgida em Denver – e depois fixada em Athens. Mas este post é sobre o desconhecido Ulysses, excelente projeto paralelo que rendeu-lhe um dos melhores álbuns de sua carreira.

Com o término de um relacionamento, Robert foi morar em Lexington, Kentucky, onde deu à luz o primeiro e último álbum do Ulysses. .010 é uma exceção no catálogo E6, renegando a tradição folk para emular as guitar bands americanas dos anos 90 – nem o Chocolate USA foi tão longe nesta direção. Gravado ao vivo, o álbum tem guitarras que sugerem a influência de Pavement, Dinosaur Jr e Wedding Present. Dito desta maneira, parece uma volta à estréia do Apples, marcada por gravações lo-fi e passagens noise. Não é bem assim. Overdubs posteriores deixaram o som mais cheio e polido, de modo que, na discografia da banda principal de Schneider, o disco se encaixaria na transição entre o barulhento Velocity of Sound, de 2002, e o radiofônico New Magnetic Wonder, de 2007.

.010 alterna entre sentimentos extremos decorrentes de uma separação. De um lado, desolação e insegurança; do outro, liberdade e o vislumbramento de uma nova etapa da vida. E como não estamos falando de um divorciado qualquer, mas de Robert Schneider, estes sentimentos vem à tona em canções redondas, na medida para serem usadas em comerciais de refrigerante. A abertura Push You Away tem uma progressão de acordes melancólica e viciante, que desemboca numa redenção pop, com um coro cantado a todos pulmões. Já a agitada The Falcon representa a outra faceta, empolgante do começo ao fim, que funciona para animar festas de apartamento, com os móveis afastados e latas de cerveja pela casa.

Push You AwayThe Falcon Castles In Spain

Elf Power – When The Red King Comes

01/07/2009

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When The Red King Comes [1997] <- Download

O Elf Power surgiu em 1994, quando Andrew Rieger — auxiliado por Raleigh Hatfield, Dave Wrathgeber e por Laura Carter, então sua namorada — produziu Vainly Clutching at Phantom Limbs. A estréia, caseira em todos os aspectos, foi lançada pelo próprio grupo em 1995. Depois disso, Rieger e Carter foram morar em Nova York por um tempo, e lá gravaram o ótimo EP The Winter Hawk, já dando sinais da evolução que viria no disco seguinte. Convencido pelos amigos a retornar para a terra-natal Athens, o casal reuniu e reformulou a banda para produzir o sucessor de Vainly Clutching.

When The Red King Comes, de 1997, é um dos melhores álbuns da Elephant 6. Contando com colaborações de Jeff Mangum (Neutral Milk Hotel), Kevin Barnes (Of Montreal) e do Olivia Tremor Control, o segundo disco do Elf Power saiu pela Arena Rock, em parceria com a E6. A sonoridade traz muitas das marcas do coletivo, enquanto confluem harmoniosamente a crueza de Vainly Clutching, o experimentalismo de The Winter Hawk e o som mais elaborado e produzido que o grupo viria a buscar nos lançamentos futuros.

Ecos do pop lo-fi capitaneado pelo Apples In Stereo, como em Icy Hands Will Never Melt Away, convivem com momentos surpreendentemente elétricos — as sensacionais The Secret Ocean e Introducing Cosmic Space cairiam muito bem em Smoke Machine, do Chocolate USA. E se The Arrow Flies Close* soa imediatamente como uma irmã caçula da faixa-título de In The Aeroplane Over The Sea, vale lembrar que When The Red King Comes foi lançado em outubro de 1997 — alguns meses antes da obra-prima do Neutral Milk Hotel.

Elf Power - When The Red King Comes
Elf Power - The Secret Ocean
Elf Power - The Arrow Flies Close

*Ver nos comentários.

elf power