Archive for the ‘Discografia Comentada’ Category

Liars – Liars

22/03/2010


Liars [2007] <- Download

O Liars foi coerente ao batizar seu quarto disco com o mesmo nome da banda, uma vez que este álbum consegue representar todas as fases dos nova-iorquinos até então. Liars, o disco, retoma a relativa simplicidade da estréia, mas sem abandonar os experimentos de They Were Wrong e Drum’s Not Dead, de modo que há mais semelhanças com o passado do que com o que estava por vir. A novidade da vez não é nada inovadora. Sem se preocupar com conceitos, eles encarnaram uma banda de rock, com concessões a riffs de guitarra e refrões. O resultado foi o disco mais acessível de suas carreiras.

Plaster Casts of Everything abre o disco de maneira sufocante, com o ritmo frenético e a agressividade da estréia. Sombrias e arrastadas, Houseclouds e What Would They Know dão um tratamento easy listening às viagens dos últimos dois discos. Os momentos mais rock são Cycle Time e Freak Out, dois hits em potencial com riffs chapantes que mais parecem os de Josh Homme, do Queens of Stone Age. Clear Island, outra com punch de sobra, alia boas guitarras, sintetizadores, baterias repetitivas e os costumeiros backing vocals em forma de mantra.

Clear Island

Liars – Drum’s Not Dead

16/02/2010


Drum’s Not Dead [2006] <-Download

Em sua estréia, o Liars impulsionou uma tendência que, já no disco seguinte, faria questão de não seguir. Nenhuma outra banda dos anos 00’s teve mais êxito do que eles no tão falado teste do segundo álbum. Sem se acomodar, Angus Andrew continuou seu ritmo de inovações em Drum’s Not Dead, terceiro e mais experimental disco do Liars. Concebido inicialmente como um produto audiovisual, este trabalho traz composições sem qualquer lógica, com faixas climáticas e imprevisíveis, provavelmente influenciadas pela fase Kid A do Radiohead.

Drum’s Not Dead foi gravado no que sobrou de uma rádio comunista em Berlim. A produção foi do próprio Angus, que pôde desfrutar de salas projetadas para a gravação de radionovelas. Embora a sonoridade continue sombria e tribal, eles abandonaram a temática bruxaria para explorar o conceito Mt. Heart Attack versus Drum, dois personagens fictícios que simbolizam sentimentos opostos. Drum é a força criativa; enquanto Mount Heart Attack é estressado e envolvido em dúvidas, representando uma força antagônica. Este conflito inspirou a narrativa e os arranjos do disco, cujo título entrega o desfecho deste embate.

Liars – They Were Wrong So We Drowned

31/10/2009

download
They Were Wrong So We Drowned [2004] <- Download

Hoje, dia das bruxas, é uma ótima data para dar continuidade à discografia comentada do Liars.

Em 2003, Angus Andrew e sua namorada Karen O. trocaram o Brooklyn por uma residência rural no estado de Nova Jersey. Quando o YYYs saiu em turnê, os outros dois integrantes do Liars também se mudaram para a casa de campo, e, a partir de sombrias caminhadas noturnas pela floresta, começaram a pensar na concepção de seu segundo álbum. Interessado em forças ocultas, o trio passou a pesquisar sobre bruxaria na Internet. Um erro de digitação (brocken witch ao invés de broken witch) os levou a conhecer a Walpurgisnacht, uma celebração do folclore alemão. Segundo a tradição, no primeiro dia da primavera os homens saiam às ruas, acendendo fogueiras e fazendo muito barulho na esperança de espantar os demônios que surgiriam depois de ficarem presos durante o inverno. Esta foi a principal inspiração para a obra-prima do Liars, gravada na própria fazenda e produzida por David Sitek, do TV On The Radio.

Uma sensação de medo e escuridão perpassa todo o álbum, fazendo com que o ouvinte seja tragado para uma atmosfera medieval perturbadora. Imagine uma viagem lisérgica numa procissão pagã, embalada por uma marcha fúnebre hipnótica que te conduz a uma bad trip sufocante, com batidas tribais frenéticas e sintetizadores densos que não permitem abstrair o que acontece ao seu redor. A influência do Gang of Four ainda é nítida, mas nada aqui funcionaria numa pista. Os momentos moderninhos e potencialmente dançantes estão imersos no caos, e surgem com uma agressividade que potencializa a demência do disco.

Definitivamente, They Were Wrong So We Drowned não é acessível. Mas audições num contexto adequado (sozinho e drogado num quarto escuro) podem facilmente incluir o Liars entre suas bandas favoritas da década.

If You're a Wizard Then Why Do You Wear GlassesHold Hands And It Will Happen Anyway

Spiral Stairs – The Real Feel

08/10/2009

download
The Real Feel [2009] <- Download

Após dois discos solo sob o nome de Preston School of Industry, Scott Kannberg voltou a assinar como Spiral Stairs — o mesmo pseudônimo usado para creditá-lo nos encartes do Pavement. Talvez seja uma tentativa de pegar carona no retorno da banda, já que o ótimo Preston School passou despercebido por muitos fãs em potencial. Previsto para 20 de outubro, The Real Feel será lançado na Inglaterra pela Domino e nos Estados Unidos pela Matador. Além dos amigos que já contribuíam no PSOI, participaram deste álbum integrantes do Posies, e Kevin Drew, do Broken Social Scene. Durante uma desatenta primeira audição, tive a impressão de que Scott conseguiu conciliar a essência alt-country de Moonson com as melodias soltas e as guitarras desconexas de All This Sounds Gas.

Cold Change

Liars – They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument On Top

18/04/2009

liarsThey Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument On Top [2001] <- Download

They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument On Top foi gravado concomitantemente a Is This It, portanto regurgitar os anos 80 ainda não havia se tornado uma opção estética deliberada. Nos anos seguintes, quando virou moda revisitar o pós-punk, e emular o Gang of Four se tornou pré-requisito para bombar nas pistas, o Liars já estava buscando um caminho próprio, exatamente como propunha a geração pós-punk. Por essas e outras, eles são dignos de uma discografia comentada, mas entendemos que nossos leitores não merecem quatro discos tão sufocantes em apenas uma semana. Então vamos em doses homeopáticas, que já serão suficiente pra te levar a um nível de adrenalina e perturbação mental raramente alcançado apenas com a audição.

Este disco de nome comprido é a estréia do Liars, lançada em 2001 pela minúscula Gern Blandsten. Em 2002, Paul Smith, extasiado após um show da banda, decidiu relançá-lo em escala mundial pela sua gravadora, a Blasf First, que nos anos 80 foi a casa de artistas como Sonic Youth, Suicide, Big Black, Butthole Surfers e Dinosaur Jr. O som? Um desconfortável encontro entre o ritmo do Gang of Four, a agressividade do Suicide e as viagens do Silver Apples.

Loose Nuts on The Velandrome
Grown Men Don't Fall in The River