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duplodeck – Verões (Pug Records, 2014)

03/09/2014

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A trajetória da duplodeck contraria a teoria simplista de que tendências retornam a cada 20 anos. Inspirados por Teenage Fanclub e Yo La Tengo, os juizforanos fizeram o primeiro ensaio em 2001, quando compuseram I’m Sure, cujos riffs remetem a um embate entre Pavement e New Order. Confusa e cativante, a faixa demonstrava o quanto as distintas influências dos integrantes impossibilitariam que as músicas saíssem como o planejado, mas, por outro lado, sugeria que a sintonia entre os músicos permitiria um acerto, mesmo que acidental.

Em pleno início dos anos 00′s, a duplodeck dava seus primeiros passos revivendo as guitar bands da década de 90, tendo os Pixies como uma de suas principais referências. Inspirados por girl groups sessentistas, foram adicionados vocais femininos e teclados lounge, resultando em uma sonoridade mais pop que permitiu flertes com a bossa nova e comparações com Stereolab. Essa primeira fase está representada em seu primeiro EP, que foi gravado em 2003, mas acabou sendo engavetado à medida em que banda experimentava em novas composições.

Em 2004, iniciou-se uma nova fase em que o passado noise fazia concessões à simplicidade proposta pelos Strokes, ao passo em que a influência brasileira era diluída, porém, mantinha-se quase sempre presente. Distante da crítica e do público, assistiu à ascensão e à queda de dúzias de bandas que tinham estética semelhante, quando uma safra tão sintonizada quanto descartável assolou o rock alternativo brasileiro da época. Sem querer se afastar ou muito menos disposta a tirar proveito daquela situação, a banda planejava um disco para 2005, mas acabou encerrando as atividades naquele mesmo ano.

Em 2011, a gravadora mineira Pug Records ressuscitou o EP de estreia. Sintonizadas com o cast do selo e com outras guitar bands contemporâneas, as faixas pareciam soar mais atuais do que quando foram criadas dez anos antes. Apesar de os integrantes estarem espalhados por diferentes cidades, a duplodeck decidiu retomar o projeto do disco cheio, chamando para a produção o amigo Ciro Madd. Por questões logísticas, as gravações aconteceram nos verões de 2010, 2011 e 2012. Somado à temática e à estética que por vezes ilustra o nascer e pôr-do-sol, esse é um dos motivos para que o disco fosse batizado de Verões.

O álbum começa à beira-mar com Saint-Tropez, uma balada litorânea que não tem medo de soar como samba para gringo. Misturando elementos de jazz e efeitos espaciais, Uns Braços é outro momento para fãs de música brasileira. Bom Dia, Amor vai crescendo à medida em que Clap Your Hands Say Yeah e Mutantes parecem encontrar um meio termo. Mais diretas, Boemia e Hi-Fi animariam qualquer pista durante os anos 00′s. Strange Girl e Verões trazem resquícios de MPB quase soterrados por guitarras que evocam Wedding Present e Radiohead. Único momento que corresponde a ideia inicial da banda, Brisa fecha o disco com camadas de guitarras tão contemplativas quanto as de Everything Flowse I Heard You Looking Me.

Novamente com um delay de 10 anos, a duplodeck apresenta suas músicas, sem se preocupar se tudo teria feito mais sentido em 2004. Lançado pela Pug Records, Verões é um recorte peculiar e representativo das idas e vindas do rock alternativo durante esse período. Ainda que agreguem influências diversas, suas oito faixas vão soar familiar para a maioria dos ouvintes, o que permite opiniões extremas em relação ao disco . Enquanto isso, os duplodeckers continuam ensaiando para lançar em breve músicas que sejam realmente novas.

O disco terá versão física em CD-R e cassete, distribuído nos Estados Unidos pela Bleeding Gold Records.

duplodeck – Brisa

12/06/2014

Top Surprise – Home

22/06/2011

Primeiro clipe da Top Surprise, saca só:

Home é parte do EP Everything Must Go, baixe aqui.

duplodeck – duplodeck (EP)

18/04/2011

duplodeck EP [2011] <- Download

O único consenso entre os seis membros da duplodeck era a admiração por Jorge Ben. A imprensa chegou a chamá-los de Stereolab brasileiro, título insuficiente para definir sua sonoridade, que remete também a Pixies, Comet Gain e Deerhoof, entre outros. Nascida em Juiz de Fora, Minas Gerais, a duplodeck existiu entre 2001 e 2005 — período em que compôs um vasto repertório, mas gravou apenas um EP jamais lançado. Com nova mixagem, o debute homônimo ressurge com guitarras mais altas do que o planejado originalmente, ao passo que suas quatro faixas se mantêm incrivelmente atuais. A Pug Records acaba de disponibilizar o EP para download gratuito em seu site, além de prensar uma versão estendida em cassete. O lançamento incentivou o retorno da banda, que prepara um LP para o final do ano.

A fita traz no lado B raridades das quais nem os integrantes tinham conhecimento. Seus 60 minutos abrangem apresentações ao vivo, ensaios embriagados e jam sessions. Essas faixas extrapolam o formato pop do EP, seja em direção a ruídos shoegaze ou a dedilhados de bossa nova. Tal diversidade também passa pelos dois covers: uma releitura do clássico My Girl, dos Temptations, com ecos de Beulah, e uma versão do hit pós-punk Another Girl, Anothet Planet, do Only Ones. Mais do que um rascunho do futuro LP, esses bônus, apesar de gravados em condições impróprias, são uma amostra do enorme potencial do sexteto.

Lê Almeida – REVI

11/11/2009

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REVI [2009] <- Download

Da brilhante estréia do Coloração Desbotada até REVI, Lê Almeida percorreu um bom caminho. Entre outros projetos — todos lançados pela Transfusão Noise Records, seu próprio selo, e gravados sempre no Interestellar Lo-Fi, seu quarto —, Lê começou uma carreira solo com seu próprio nome, lançou três EPs inacreditáveis e foi convidado para integrar o cast do selo indie mais tradicional do país. REVI (lê-se heavy) marca o início de uma nova fase. É a maturidade artística batendo à porta, e entrando como mais um dos camaradas, sem desalojar nada do que havia ali. Lê está de bem com seus anseios, temores, dúvidas. “Nunca tive algo mais que duas rodas pra me acompanhar até o centro”, diz em Nunca Nunca, retornando à recorrente imagem da bicicleta. Depois de uma breve lista de desejos reprimidos do passado, conclui: “algo tão bobo assim de se querer que antes era uma vontade agora já não é mais nada, valeu”. Eu sou capaz de discutir até a morte com qualquer ser humano na Terra que duvide da sinceridade do Lê.

Há pouco mais de um ano, Lê ganhou dos integrantes do Fujimo um porta-studio e uma mesinha de som. Grato e disposto a mostrar serviço, começou a produção de seu primeiro trabalho sem o famoso microfone de computador. Paulo Casaes (Fujimo), creditado como co-produtor, tocou sintetizador em duas das oito faixas e cuidou da masterização. Luiz Valente, impressionado com a trilha de sua entrevista, quis lançar Lê Almedia em vinil. REVI saiu pela Vinyl Land no início do semestre, em 7” — primeiro na Inglaterra, depois no Brasil. O compacto tem uma lista diferente de músicas, com a exclusiva Nadar no rio fechando o lado B.

REVI é apenas um CD-R, um vinilzinho ou uma pasta no HD. Dezessete minutos de som. Feito num fundo de quintal na Baixada Fluminense, por um armário de vinte e cinco anos que, surpreendentemente, teve sua vida mudada pelo Guided By Voices alguns anos atrás. Mas se algum outro disco neste final de 2009 conseguir soar mais honesto, verdadeiro e tocante do que este, podem ter certeza, amigos, vocês estarão diante de algo  revolucionário. Não percam o Lê de vista.

Lê Almeida - Nunca Nunca
Lê Almeida - Eu não vou acreditar