Posts Tagged ‘art rock’

Thinking Fellers Union Local 282 – Mother of All Saints

02/09/2010

Mother of All Saints [1992] <- Download

Mother of All Saints é o quarto álbum do Thinking Fellers Union Local 282, e o segundo da banda pela Matador. Mais robusto que Lovelyville, seu antecessor, e mais esquizofrênico que seu sucessor Strangers From The Universe (já postado no Last Splash), o disco de 1992 é uma vasta coleção de sons estranhos gerados por guitarras elétricas. O quinteto de São Francisco passeia, durante sessenta e oito minutos, por momentos propulsivos quase punk, ecos de shoegaze (ouça Wide Forehead), piadas internas, e densos experimentos concretistas que fazem os feedbacks de um Telescopes soarem acessíveis. Melodias pop pipocam aqui e ali, sempre criativas e surpreendentes, em doses homeopáticas espalhadas pelas 23 faixas. Fundamental.

Lenola – The Swerving Corpse

26/05/2010

The Swerving Corpse [1997] <- Download

Mais tosco que o Lilys e menos complexo que o Swirlies, o Lenola figura ao lado das duas no seleto — e negligenciado — grupo de bandas que foram capazes de apropriar-se do shoegaze e torná-lo tão americano quanto o baseball e a obesidade mórbida. A estréia do quarteto de New Jersey veio em 1996, dois anos após o líder Jay Laughlin escolher o nome da cidade italiana para batizar seu então projeto solo caseiro. Lançado pela Tappersize Records, selo do grupo, The Last 10 Feet of The Suicide Mile trazia as marcas de Kevin Shields displicentemente registradas por uma produção muito distante da obsessão britânica.

Novamente pela TPZ, no ano seguinte, veio The Swerving Corpse. O segundo disco do Lenola exibe uma grande diversidade de melodias, agora mais destacadas, sobre a base rica e esquizofrênica de guitarras tortas, sons estranhos, colagens, e eventuais teclados. Notam-se ecos de power pop e de clássicos da época — como Pavement, Archers Of Loaf, Built To Spill e Polvo. Sem abrir mão de personalidade e foco, o Lenola parece resvalar em cada vertente do indie americano. E o shoegaze ainda ali, como um dia Elvis esteve para os Beatles. O grupo acabou em 2003, após Sharks And Flames, seu quinto álbum de estúdio.

Lenola - Good Luck With It
Lenola - Plates Must Spin

Liars – Liars

22/03/2010


Liars [2007] <- Download

O Liars foi coerente ao batizar seu quarto disco com o mesmo nome da banda, uma vez que este álbum consegue representar todas as fases dos nova-iorquinos até então. Liars, o disco, retoma a relativa simplicidade da estréia, mas sem abandonar os experimentos de They Were Wrong e Drum’s Not Dead, de modo que há mais semelhanças com o passado do que com o que estava por vir. A novidade da vez não é nada inovadora. Sem se preocupar com conceitos, eles encarnaram uma banda de rock, com concessões a riffs de guitarra e refrões. O resultado foi o disco mais acessível de suas carreiras.

Plaster Casts of Everything abre o disco de maneira sufocante, com o ritmo frenético e a agressividade da estréia. Sombrias e arrastadas, Houseclouds e What Would They Know dão um tratamento easy listening às viagens dos últimos dois discos. Os momentos mais rock são Cycle Time e Freak Out, dois hits em potencial com riffs chapantes que mais parecem os de Josh Homme, do Queens of Stone Age. Clear Island, outra com punch de sobra, alia boas guitarras, sintetizadores, baterias repetitivas e os costumeiros backing vocals em forma de mantra.

Clear Island

Swirlies – Blonder Tongue Audio Baton

19/03/2010

Blonder Tongue Audio Baton [1993] <- Downlaod

Nos anos 90, poucos nomes representam a epígrafe “clássico perdido” tão bem quanto o Swirlies. O grupo de Boston uniu de forma ímpar o som denso do My Bloody Valentine e a sujeira difusa da fase de ouro do indie americano. De 1992 para cá, o Swirlies acumulou dezenas de lançamentos,  por gravadoras como a Slumberland (onde começaram), a Pop Narcotic e a Simple Machines. Mas a responsável pelos principais registros da banda foi a improvável conterrânea Taang! Records.

Blonder Tongue Audio Baton, de 1993, é o primeiro álbum do Swirlies. Segundo lançamento do grupo pela Taang! — sucedendo What to Do About Them, EP que compila os primeiros singles —, o disco chama atenção pela diversidade. Saltam aos ouvidos colagens sonoras, Moogs, Mellotrons, e todos os barulhos estranhos que uma guitarra possa produzir. Os vocais suaves (masculino e feminino) dos guitarristas Damon Tuntunjian e Seana Carmody agregam cores dream pop à cacofonia reinante, e a produção flutua com naturalidade entre o requinte de Loveless e o perfeito amadorismo.

O Swirlies nunca encerrou oficialmente suas atividades. Na última década, lançaram cassetes e discos pelo seu próprio selo, o Sneaky Flute Empire, e fizeram uma turnê com o Lilys. No ano passado voltaram a se apresentar, ao lado de Gregory & The Hawk, Takka Takka e Autodrone.

The Fall – Your Future Our Clutter

11/03/2010

Your Future Our Clutter [2010] -> Download

O vigésimo oitavo disco de estúdio do The Fall está previsto para o dia 26 de abril. Your Future Our Clutter é a estréia dos ingleses na Domino, casa de diversos seguidores (diretos ou indiretos) de Mark E. Smith. O que não é tão raro — sem dúvida, o grupo de Manchester é um dos mais influentes em atividade. Gravado ao longo do ano passado em vários estúdios no norte da Inglaterra, o novo trabalho mantém a formação que aparece em seu antecessor, Imperial Wax Solvent (Castle, 2008).

A definição certeira de John Peel é lembrança inevitável. “They are always different, they are always the same”. Apresentando os típicos ritmos frenéticos, baixo robusto, vocais falados e frases angulares de guitarra — rearranjados de forma criativa e inteligente com o inesgotável frescor de Smith —, Your Future Our Clutter é da densidade sempre esperada da banda favorita de Peel. Mais uma vez, os mestres do art rock criaram um álbum rico, assustador e atemporal, que poderia se encaixar em qualquer fase do grupo.

The Fall - O.F.Y.C. ShowcaseThe Fall - Weather Report 2