Posts Tagged ‘punk’

The Babies – The Babies

21/08/2011

The Babies [2011]  <-Download

O Babies surgiu num apartamento do Brooklyn habitado por Cassie Ramone (Vivian Gils) e Kevin Morby (Woods), que neste projeto paralelo assumem as guitarras e os vocais. Com o baterista Nathanael Stark (Bent Outta Shape) e o baixista Justin Sullivan (parceiro de Cassie desde os tempos do Bossy) completando a formação, o grupo lançou seu primeiro 7″ em 2010 pela Wild Word Records – selo comandado por Ramone e pelas parceiras de sua banda mais famosa. Depois de um single pela californiana Make a Mess e outro pela germano-portuguesa LebensStrasse Records, veio, em fevereiro deste ano, o primeiro álbum cheio. Extremamente radiofônica para os padrões da Shrimper – casa de artistas como Dump, Mountain Goats e Sentridoh -, a produção do debute homônimo ficou a cargo de Jarvis Taveniere (integrante do Woods e do dream team Zodiacs), responsável por trabalhos de Real State e Vivian Girls, além de vários títulos da Captured Tracks.

Enquanto as bandas da dupla fundadora têm expandido lentamente a estética apresentada em seus primeiros registros, o Babies surge como um destes projetos paralelos desencanados e abertos à diferentes idéias – mantendo, porém, a mesma obsessão em enfileirar canções redondas que as VG tinham em seus dois primeiros discos. Primeira faixa do álbum, Run Me Over demonstra todo o entrosamento do quarteto e entrega parte de sua fórmula: alternância entre riffs festeiros, vocais masculinos e femininos. All Things Come To Pass, uma balada desajeitada que merece comparações com Melody Dog, e a quase hardcore Personality representam os extremos desta estréia sem pontos baixos. Fechando o disco em menos de 30 minutos, Caroline, cuja letra se resume a repetir o nome de uma garota por 11 vezes, não deixa dúvidas quanto à extraordinária capacidade de Cassie e Cia. em fazer muito com pouco.

Here Comes Trouble, quarto e mais recente compacto do Babies, saiu em julho pelo selo californiano Teenage Teardrops.

Thinking Fellers Union Local 282 – Mother of All Saints

02/09/2010

Mother of All Saints [1992] <- Download

Mother of All Saints é o quarto álbum do Thinking Fellers Union Local 282, e o segundo da banda pela Matador. Mais robusto que Lovelyville, seu antecessor, e mais esquizofrênico que seu sucessor Strangers From The Universe (já postado no Last Splash), o disco de 1992 é uma vasta coleção de sons estranhos gerados por guitarras elétricas. O quinteto de São Francisco passeia, durante sessenta e oito minutos, por momentos propulsivos quase punk, ecos de shoegaze (ouça Wide Forehead), piadas internas, e densos experimentos concretistas que fazem os feedbacks de um Telescopes soarem acessíveis. Melodias pop pipocam aqui e ali, sempre criativas e surpreendentes, em doses homeopáticas espalhadas pelas 23 faixas. Fundamental.

Sandy City – Nice Hat 7″

13/08/2010

Nice Hat [2010] <- Download

O Sandy City vem da pequena Westport, cidade portuária próxima de Seattle. Nice Hat é o single de estréia da banda, recém-lançado pela Prty Ngg Records. O 7″ traz três faixas: a irretocável Graces no lado A, e as ótimas Area Zeros e We Want The Fun no lado B. Com uma das melhores produções lo-fi dos últimos tempos, o Sandy City faz um surf pop tosco e ensolarado. O quarteto tem uma demo em cassete pela Fox Pop, e lançará em breve um EP pela Lost Sound Tapes, selo fundamental de Seattle encabeçado por Jon Manning, do Blanket Truth — que toca baixo no Sandy City. Completam a formação Zach Burba (líder do iji) na bateria, e nas guitarras Chris McFarlane (IndiePages) e Elijah (iji e Blanket Truth). Nice Hat é um dos melhores compactos do ano, essencial para fãs de Wavves, Ty Segall, Surf City, e para todos que se interessam pela atual cena garage-surf. O 7″ está à venda no Brasil na loja virtual da Pug Records.

Blood On The Wall – Awesomer

15/06/2010

Awesomer [2005] <- Download

Aliada às explosões instrumentais, a voz áspera, atonal e freqüentemente gritada do guitarrista Ben Shanks traz de imediato à mente o Mclusky (e, conseqüentemente, o Pixies). Os murmúrios ofegantes de sua irmã, a baixista Courtney, fazem jus à cidade da banda, soando maravilhosamente alusivos a Kim Gordon. Heat From The Day e Keep Your Eyes não deixam dúvidas. Outros nomes nova-iorquinos também aparecem: os momentos mais calorosos do Yo La Tengo (I’d Like To Take You Out Tonight); os melhores momentos do Yeah Yeah Yeah’s. Nada que deponha tanto contra a personalidade do Blood On The Wall, uma vez que o resultado é homogêneo e razoavelmente distinto — dentro da despretensão reinante. A punk Gone, com uma clara citação de Paranoid, do Black Sabbath, é exemplar do espírito festivo do trio.

Sucedendo o disco auto-intitulado do ano anterior, Awesomer foi lançado pela Social Registry em 2005. É o segundo dos três álbuns do Blood On The Wall — o terceiro é Liferz, de 2008. Sem fugir à pauta pista-de-dança da década recém-finada, a banda agrega ao caldo, com ótimos resultados, referências que muitos nomes hypados negligenciaram completamente.

O baterista Miggy Littleton toca também no Ida, grupo veterano do indie pop de Nova York.

VA – A Tribute To Jandek

06/02/2010

Naked In The Afternoon [2000] and Down In A Mirror [2005]

Jandek nasceu no distante ano de 1945. Lançados no final dos anos 70, seus primeiros registros anteciparam em uma década a estética lo-fi que marcou o rock alternativo americano. A falta de reconhecimento de sua carreira é explicada pela postura reclusa que o músico tem adotado nos últimos trinta anos. Excêntrico e anti-social, Jandek passou todo este tempo alheio a rótulos e a quase todas as outras coisas do mundo, vendendo discos pelo correio e se recusando a dar entrevistas. Mas se um dia você encontrá-lo, chame-o por “a representative of Corwood Industries”, nunca pelo nome. Corwood Industries é a gravadora de Jandek, criada exclusivamente para lançar seus mais de 50 álbuns.

É tarefa capciosa apontar influências na obra de Sterling Richard Smith – especula-se que este seja seu nome de batismo -, que, ao mesmo tempo, evoca o art rock do Velvet e a despretensão das Shaggs. Minimalistas, suas músicas são erguidas sob riffs atonais,  vocais sombrios e batidas instáveis, permitindo comparações com ícones do rock americano, como Jad Fair e Calvin Johnson, que participou de um documentário sobre Jandek.

No início da década passada, a gravadora americana Summersteps organizou dois tributos ao representante das Indústrias Corwood, em que 42 artistas tentam, sem muito êxito,  lapidar o legado de Jandek. Naked In The Afternoon, de 2000, tem a participação do ex-pavement Gary Young, Bright Eyes, Low, e Pipes You See, Pipes You Don’t. Down In A Mirror, de 2005, traz Jeff Tweedy, Okkervil River, Six Organs Of Admittance, Mountain Goats e Dirty Projectors. Embora tortuosos, estes CDs são a melhor introdução à vasta discografia de Jandek (que pode ser encontrada para download no ótimo exp etc).