Posts Tagged ‘nu-gaze’

Carnaval Shoegaze – Dykehouse

24/02/2009

dykehouse

Midrange [2004] <- Download

Sem me aprofundar no assunto, por ora, devo dizer que eu realmente sou da opinião – perdoem o clichê e a inocência – de que coisas fantásticas podem sair de um simples quarto. Com idéias, disposição para experimentar e respeito pelas limitações do que se tem em mãos (estruturalmente falando), as barreiras para a arte só existem na cabeça de quem a cria. Michael Dykehouse prova isso de uma forma diferente das de outros nomes bem-sucedidos na produção caseira (os lo-fiers barulhentos dos anos 90 ou os folksters recentes como o Iron & Wine, por exemplo). Com uma guitarra, um microfone e um computador, o americano de Michigan construiu, em seu segundo disco, um mundo próprio.

Sucedendo a estréia eletrônica Dynamic Obsolescence (Planet Mu, 2001), Midrange (Ghostly International, 2004) abre e fecha com vinhetas, respectivamente From The Cradle (“do berço”) e To The Grave (“à sepultura”). No meio disso, Chapterhouse, Ride, Pale Saints e Slowdive ecoam, adornando os lamentos e confissões de Michael.

Parte dos revivalistas que têm ultimamente ressuscitado o shoegaze não me parece fazê-lo por uma mera escolha do tipo “é, bem que o estilo era legal, seria jóia voltar com isso agora que tá todo mundo esquecendo ou nem sabe do que se trata”. Os motivos do Dykehouse, por exemplo, parecem transcender esse raciocínio lógico – a impressão é a de que aquele som realmente importa para ele. Não é acaso Michael tê-lo escolhido para preencher o espaço entre seus figurativos berço e sepultura. E é provavelmente por isso que Midrange soa tão autêntico quanto os clássicos de que se apropria. A reflexão solitária e pessoal por baixo da massa sintética de suas densas programações é a verdadeira alma da coisa – tão própria de Michael Dykehouse quanto poderia ser.

Dykehouse - Signal Crossing

Carnaval Shoegaze – Asobi Seksu

23/02/2009

asobi

Citrus [2006] <- Download

Voltando ao carnaval…

Asobi Seksu traduz-se para o português mais ou menos como “sexo lúdico”. Fetiches nipônicos à parte, os nova-iorquinos (eles de novo) fazem música bem séria para o que se pode esperar com base no nome. Lançaram independentemente, em 2002, sua estréia homônima, que ganhou em 2004 uma reedição com a parte gráfica refeita, pela Friendly Fire Records. Somente dois anos depois, em 2006, veio o segundo álbum, Citrus.

Nele, metade do grupo – o baterista Keith Hopkin e o baixista Glenn Waldman – foi substituída por Mitch Spivak (bateria) e Haji (baixo). Restaram o guitarrista James Hanna e Yuki Chikudate, a tecladista e vocalista japonesa safadinha que batizou a banda. Novamente pela Friendly Fire, Citrus alterna letras em inglês e japonês, com densos arranjos conciliando montanhas de teclados e guitarras sujas como base para a voz doce de Yuki. Como em todos os grupos que têm levado o rótulo “nu-gaze”, as influências são claras – o Asobi Seksu baseia-se abertamente no My Bloody Valentine, no Ride e em suas contemporâneas britânicas. São ainda inevitáveis ecos do indie-pop shibuya-kei, do Japão.

Acabou de sair, agora em fevereiro, o terceiro disco, Hush. Mais pra frente nós colocamos ele aqui, se você quiser esperar. Vale também procurar os remixes do CSS e de Ulrich Schnauss que vieram como download de brinde na recente edição em vinil de Citrus.

Asobi Seksu - Strawberries

Carnaval Shoegaze – The Pains Of Being Pure At Heart

22/02/2009

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The Pains Of Being Pure At Heart [2009] <- Download

Pode-se dizer que o Pains Of Being Pure At Heart é uma banda conservadora. Não é um grupo original, absolutamente. Na verdade, trata-se justamente de um esforço romântico no sentido de manter vivas sensações antiquadas, bregas, cafonas. “As dores de ser puro de coração” são o apelo indie-pop ao âmago do ouvinte endurecido pela vida, transformado em um ser irônico e forçosamente insensível pelas bigornas de desenho animado que constantemente, ao longo dos anos, esmagam seu órgão bombeador de sangue, arrancando fora a adolescência. I could stand to be a fixture / in a faded family picture / but i can’t see into the sunset / all i know is that you’re perfect right now*. Trata-se da tentativa de preservar emoções efêmeras – congelar arroubos de contemplação que proporcionam momentos de beleza a alguns (e, obviamente, a outros não). (Porque a perfeição está nos olhos de quem vê, não é?).

O quarteto é de NY e sua estréia homônima, mixada por Archie Moore, foi lançada este ano pela Slumberland.

Baixe. Talvez te faça bem.

Come Saturday

Carnaval Shoegaze

20/02/2009

O Last Splash, pensando nos indies sensíveis que não suportam nem ouvir falar de carnaval, preparou um especial para você passar a semana mais diaforética do ano olhando para os próprios pés. De amanhã até quarta, uma banda por dia do indie-pop mais introspectivo e anticarnavalesco que tem rolado por aí.

Feche as cortinas, prepare as pílulas e esqueça o mundo lá fora. Ou então saia para a rua com isso nos fones de ouvido, se tiver coragem.