Posts Tagged ‘carnaval’

Carnaval Shoegaze – Serena-Maneesh

25/02/2009

serena

Serena-Maneesh [2005] <- Download

O Serena-Maneesh é uma banda Norueguesa liderada por Emil Nikolaisen. Nascido no vilarejo de Moi, Emil tocava bateria na banda glam-punk Silver, que tinha Blanco Summer, seu irmão mais novo, como vocalista. Na época conhecido como Krazy Katzy (é), Nikolaisen abandonou o Silver – já relocado para a capital Oslo e com um disco de estréia bem-sucedido – para dedicar-se integralmente ao seu projeto paralelo, o Serena-Maneesh.

O primeiro álbum da banda, auto-intitulado, veio depois de dois EPs de boa ressonância. Produzido em estúdios de Oslo, Estocolmo, Chicago (no Electrical Audio, de Steve Albini) e Nova York, o disco foi lançado em 2005 também além das fronteiras nacionais. Saiu no mesmo ano na Noruega e por diferentes selos no Reino Unido, Austrália, Espanha, Alemanha, Canadá, Estados Unidos e França. Em Serena-Maneesh, competem incessantemente um furacão de guitarras ruidosas e ótimas melodias. As 11 faixas passam por momentos que remetem diretamente aos irmãos Reid, assim como a Kevin Shields e Bilinda Butcher. Mas Nikoladeisen (vocal/guitarra), com a ajuda de sua irmã Hilma (baixo/vocal) e de mais cinco músicos competentes, impõe sua personalidade (veja foto abaixo).

Serena-Maneesh - Drain Cosmetics

Noruegueses são assim mesmo.

Carnaval Shoegaze – Dykehouse

24/02/2009

dykehouse

Midrange [2004] <- Download

Sem me aprofundar no assunto, por ora, devo dizer que eu realmente sou da opinião – perdoem o clichê e a inocência – de que coisas fantásticas podem sair de um simples quarto. Com idéias, disposição para experimentar e respeito pelas limitações do que se tem em mãos (estruturalmente falando), as barreiras para a arte só existem na cabeça de quem a cria. Michael Dykehouse prova isso de uma forma diferente das de outros nomes bem-sucedidos na produção caseira (os lo-fiers barulhentos dos anos 90 ou os folksters recentes como o Iron & Wine, por exemplo). Com uma guitarra, um microfone e um computador, o americano de Michigan construiu, em seu segundo disco, um mundo próprio.

Sucedendo a estréia eletrônica Dynamic Obsolescence (Planet Mu, 2001), Midrange (Ghostly International, 2004) abre e fecha com vinhetas, respectivamente From The Cradle (“do berço”) e To The Grave (“à sepultura”). No meio disso, Chapterhouse, Ride, Pale Saints e Slowdive ecoam, adornando os lamentos e confissões de Michael.

Parte dos revivalistas que têm ultimamente ressuscitado o shoegaze não me parece fazê-lo por uma mera escolha do tipo “é, bem que o estilo era legal, seria jóia voltar com isso agora que tá todo mundo esquecendo ou nem sabe do que se trata”. Os motivos do Dykehouse, por exemplo, parecem transcender esse raciocínio lógico – a impressão é a de que aquele som realmente importa para ele. Não é acaso Michael tê-lo escolhido para preencher o espaço entre seus figurativos berço e sepultura. E é provavelmente por isso que Midrange soa tão autêntico quanto os clássicos de que se apropria. A reflexão solitária e pessoal por baixo da massa sintética de suas densas programações é a verdadeira alma da coisa – tão própria de Michael Dykehouse quanto poderia ser.

Dykehouse - Signal Crossing

Carnaval Shoegaze – Asobi Seksu

23/02/2009

asobi

Citrus [2006] <- Download

Voltando ao carnaval…

Asobi Seksu traduz-se para o português mais ou menos como “sexo lúdico”. Fetiches nipônicos à parte, os nova-iorquinos (eles de novo) fazem música bem séria para o que se pode esperar com base no nome. Lançaram independentemente, em 2002, sua estréia homônima, que ganhou em 2004 uma reedição com a parte gráfica refeita, pela Friendly Fire Records. Somente dois anos depois, em 2006, veio o segundo álbum, Citrus.

Nele, metade do grupo – o baterista Keith Hopkin e o baixista Glenn Waldman – foi substituída por Mitch Spivak (bateria) e Haji (baixo). Restaram o guitarrista James Hanna e Yuki Chikudate, a tecladista e vocalista japonesa safadinha que batizou a banda. Novamente pela Friendly Fire, Citrus alterna letras em inglês e japonês, com densos arranjos conciliando montanhas de teclados e guitarras sujas como base para a voz doce de Yuki. Como em todos os grupos que têm levado o rótulo “nu-gaze”, as influências são claras – o Asobi Seksu baseia-se abertamente no My Bloody Valentine, no Ride e em suas contemporâneas britânicas. São ainda inevitáveis ecos do indie-pop shibuya-kei, do Japão.

Acabou de sair, agora em fevereiro, o terceiro disco, Hush. Mais pra frente nós colocamos ele aqui, se você quiser esperar. Vale também procurar os remixes do CSS e de Ulrich Schnauss que vieram como download de brinde na recente edição em vinil de Citrus.

Asobi Seksu - Strawberries

Carnaval Shoegaze – The Pains Of Being Pure At Heart

22/02/2009

pure

The Pains Of Being Pure At Heart [2009] <- Download

Pode-se dizer que o Pains Of Being Pure At Heart é uma banda conservadora. Não é um grupo original, absolutamente. Na verdade, trata-se justamente de um esforço romântico no sentido de manter vivas sensações antiquadas, bregas, cafonas. “As dores de ser puro de coração” são o apelo indie-pop ao âmago do ouvinte endurecido pela vida, transformado em um ser irônico e forçosamente insensível pelas bigornas de desenho animado que constantemente, ao longo dos anos, esmagam seu órgão bombeador de sangue, arrancando fora a adolescência. I could stand to be a fixture / in a faded family picture / but i can’t see into the sunset / all i know is that you’re perfect right now*. Trata-se da tentativa de preservar emoções efêmeras – congelar arroubos de contemplação que proporcionam momentos de beleza a alguns (e, obviamente, a outros não). (Porque a perfeição está nos olhos de quem vê, não é?).

O quarteto é de NY e sua estréia homônima, mixada por Archie Moore, foi lançada este ano pela Slumberland.

Baixe. Talvez te faça bem.

Come Saturday

Carnaval Shoegaze – My Teenage Stride

21/02/2009

stride

Ears Like Golden Bats [2007] <- Download

Jedediah Smith cresceu em Massachusetts, aprendendo vários instrumentos ao longo da adolescência. Uma ligeira olhada na cara do sujeito é suficiente para suspeitar de alguma anormalidade, e para confirmar essa suspeita basta ouvir sua banda, o My Teenage Stride. Calcado nos anos 60 e no pop alternativo da C86 e da Sarah Records, Smith iniciou o projeto em 2003, sozinho. O nome veio de um dos vários grupos fake de 60’s garage que ele tinha consigo mesmo – um dos menos preferidos, ele afirma.

O MTS, radicado no Brooklyn, só tornou-se uma banda de verdade (digo dessas com integrantes) no terceiro álbum, Ears Like Golden Bats (2007, Becalmed). O sucessor de A Sad Cloud (2003, Banazan) e Major Major (2005, Becalmed) vem com os anos 80 sobrepondo os 60, e remete a Jesus & Mary Chain, Orange Juice, The Chills e Field Mice. Mas a inspiração assumida é facilmente perdoada, porque Smith sabe escolher. E sabe que, mais do que a combinação certa de referências, são necessárias boas canções. Quatorze delas — fáceis, tímidas e docemente perturbadas, como parece ser seu compositor — garantem um disco que é um bom presente tanto para a sua namorada indie sueca quanto para seu tio fã dos Smiths. Sábado de carnaval mais feliz que isso, só em outro país.

To Live And Die In The Airport Lounge