Posts Tagged ‘columbus’

VA – I Stayed Up All Night Listening To Records

23/02/2011

I Stayed Up All Night Listening To Records [1998] <- Download

I Stayed Up All Night Listening To Records foi lançado em 1998 pela lendária Anyway Records, de Columbus, Ohio — pequeno selo em cujo catálogo constam Belreve, Mike Rep, Moviola e Guided By Voices, entre outros. As faixas da compilação foram inteiramente executadas, e quase sempre gravadas, cada uma por um único músico. Com poucas exceções, o material é exclusivo. Não é difícil entender por que o  álbum já foi apelidado de “nuggets lo-fi”: em pouco mais de uma hora de duração, encontram-se amostras de inúmeras vertentes do indie rock caseiro dos anos 90, com canções impecavelmente construídas e bastante ruído dos portastudios de cassete.

Os mestres Tobin Sprout e Robert Pollard, do Guided By Voices, encabeçam a lista de 25 artistas, quase todos naturais de Ohio. O primeiro em seu auge, na irretocável Cryptic Shapes, e o segundo em um de seus momentos menos acessíveis. Lendas locais como Mike Rep, Robert Griffin (Scat Records), Ron House e Don Howland aparecem com músicas dentro da excelente média do resto do disco. James McNew, do Yo La Tengo, sob seu pseudônimo Dump, contribui com a sentimental It’s Not Awright. Destacam-se ainda Ted Hattemer, do Moviola; e Jenny Mae, com a maravilhosa Drapes. Para completar, é intrigante a semelhança absurda que Straight To Neil, do obscuro Earnest, apresenta com o estilo de Lê Almeida.


Psychedelic Horseshit – Magic Flowers Droned

06/12/2010

Magic Flowers Droned [2007] <- Download

O Psychedelic Horseshit encabeça, ao lado do Times New Viking, a lista de bandas excepcionais surgidas em Ohio nos últimos tempos. Liderado por Matt Whitehurst, o trio formou-se na mesma Columbus do TNV, em 2005. Ao longo dos dois anos seguintes lançaram uma série extremamente barulhenta de CD-Rs e compactos, compilados no ano passado em Golden Oldies.

Magic Flowers Droned saiu em 2007 pela Siltbreeze — casa de Eat Skull, Sic Alps, Pink Reason, TNV e mais. É o primeiro álbum do Psychedelic Horseshit, e soa como uma evolução das gravações anteriores.  Com uma dose saudável de boa vontade, é possível discernir, sob a abrasividade lo-fi característica de Ohio, um eficiente núcleo pop que faz lembrar o som da Flying Nun — bem como Mike Rep, patrono da tosqueira de Columbus, e Alastair Galbraith, cria da cena neozelandeza e descoberta da Siltbreeze. A cota de ruído e experimentação é generosa, sem dúvida, mas não chega a ser gratuita; está lá com um propósito, dialogando com as canções e criando uma atmosfera que qualifica o Psychedelic Horseshit como um dos grupos mais instigantes e distintos em atividade.

Moviola – The Durable Dream

19/04/2010

Durable Dream [2000] <- Download

The Durable Dream é o quarto álbum do Moviola, sucedendo Glen Echo Autoharp, de 1997 — já postado no Last Splash. Lançado em 2000 pela Spirit of Orr, o disco conta com uma produção um pouco mais clara e elaborada, mantendo o alto nível de seus antecessores.

Em The Durable Dream, O Moviola dá maior atenção aos intrumentos acústicos e timbres limpos de guitarra, que acrescentam à qualidade country natural do grupo de Ohio. Canções como Accosted, There’s a Hole In The Aviary, a abertura Flag You Down e Crowding In The Sky trazem melodias irretocáveis, em arranjos de um despojamento que provocaria comichões  em Jeff Tweedy.

Moviola - Crowding In The Sky
Moviola - Accosted

Scrawl – Velvet Hammer

12/02/2010

Velvet Hammer [1993] <- Download

Antes que Ohio ficasse marcada por suas bandas de porão e gravações lo-fi — quando o estado ainda não tinha qualquer relevância no rock alternativo —, o Scrawl lançou seu primeiro álbum. Plus, Also, Too, financiado por uma vaquinha organizada entre amigos da banda, saiu em 1987 pela pequena No Other. O disco gerou bons comentários, e levou o trio feminino de Columbus a um contrato com a Rough Trade US. Até o pedido de falência do braço americano da gravadora inglesa, saíram He’s Drunk (1988), gravado no estúdio do Prince (!), e o ótimo Smallmouth (1990), com o produtor Gary Smith (Pixies, Throwing Muses, Chills).

Velvet Hammer foi lançado pela Simple Machines* em 1993. O quarto dos seis álbuns do Scrawl marcou a estréia do baterista Dana Marshall, primeiro integrante masculino do grupo, que tornou o som mais coeso e entrosado. Crua e ameaçadora (como de costume), a produção de Steve Albini realça o aspecto mais dramático da banda — garantindo às dez composições, escritas e cantadas pela baixista Sue Harshe e pela guitarrista Marcy Mays, uma profundidade inédita. Velvet Hammer é capaz de agradar tanto a fãs dos clássicos do Pixies e da PJ Harvey produzidos por Albini quanto aos admiradores de Liz Phair, Throwing Muses e Afghan Whigs (cujo aclamado Gentlemen, na faixa My Curse, traz uma participação de Mays nos vocais).

*A Simple Machines organizou, em 1992, um excelente tributo ao Beat Happening, já postado no Last Splash. Ao lado do Scrawl, participam nomes como Lou Barlow, Velocity Girl, Superchunk e o casal Thurston Moore e Kim Gordon.

Scrawl - Your Mother Wants To KnowScrawl - Prize

Ego Summit – The Room Isn’t Big Enough

25/11/2009

The Room Isn’t Big Enough [1997] <- Download

O Ego Summit foi um projeto criado  em Columbus, Ohio, por alguns dos veteranos da estética lo-fi/experimental da região. Em algumas noites de 1997, os amigos Ron House (Thomas Jefferson Slave Apartments etc.), Jim Shepard (Vertical Slit etc.), Don Howland (Bassholes etc.), Tommy Jay (Twisted Shouts etc.) e Mike Rep se reuniram num estábulo, e ao fim tinham em mãos The Room Isn’t Big Enough. Lançado em uma pequena tiragem em vinil pelo Old Age/No Age, selo de Mike Rep, o disco tem hoje status de raridade; mas há quem afirme que basta rodar por algumas lojas de Columbus para conseguir uma cópia zerada. As 13 faixas não deixam dúvidas de que a produção foi tão despojada como reza a lenda. Passeiam pelo punk de meia-idade, a psicodelia deteriorada, o folk de apartamento e outros sub-estilos marginais, sempre soando tão mal quanto possível. Não obstante, são em geral ótimas composições — que fazem jus ao título de supergrupo lo-fi do Ego Summit.

Ego Summit - IllogicalEgo Summit - We Got It All