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Thee Oh Sees – Thee Hounds Of Foggy Notion

29/09/2009

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Thee Hounds Of Foggy Notion [2008] <- Download

Surgido em 1997 na cidade de São Francisco, o Thee Oh Sees estourou meses atrás com o elogiado Help (In The Red, 2009). A psicodelia que fez a fama de sua terra natal nos anos 60 é uma das referências primordiais, ganhando uma roupagem garageira. Lançado no ano passado em CD e DVD, Thee Hounds Of Foggy Notion deve ser o sexto álbum da confusa discografia da banda, que, neste trabalho, apostou em composições incrivelmente intimistas para quem já fez um split como Intelligence. Tal guinada é reflexo do inusitado processo de gravação, com a banda tocando despretensiosamente pelas ruas de São Francisco, sempre sob as lentes do diretor Brian Lee Hughes.

O disco tem calmas melodias que são suavemente conduzidas para passagens perturbadoras. Fugindo das influências hippies que colorem seus outros discos, as viagens de Thee Hounds estão mais para as experimentações do Velvet Underground – vide a bateria minimalista, os vocais femininos sedutores, os dedilhados econômicos e o clima hipnótico. As faixas são aconchegantes e deliciosamente lo-fi, sem esbarrar na tosqueira prevista para um disco gravado nestas condições.

O vídeo abaixo foi ripado do DVD. Repare que o ruído dos carros acabou se transformando em mais um elemento da música.

Evangelicals – The Evening Descends

31/08/2009

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The Evening Descends [2008] <- Download

Os Evangelicals vêm do relativamente infértil estado americano de Oklahoma. É natural, portanto, que a principal comparação sofrida por eles seja para com o grupo de Wayne Coyne, filhos indies mais conhecidos daqueles lados do Bible Belt. Não que o cotejo não proceda — dos vocais esganiçados ao apurado senso espacial, vários elementos fazem lembrar seus conterrâneos. Mas o título “irmãos menores do Flaming Lips” é um exagero.

A princípio resumindo-se ao vocalista e guitarrista Josh Jones, apenas com seu primeiro disco já em produção a banda passou a contar com Austin Stephens (bateria) e Kyle Davis (baixo). So Gone saiu em 2006, pela Misra. Traz, além do Flaming Lips, afinidades com a Elephant 6, e principalmente com o Broken Social Scene.

O segundo álbum do Evangelicals foi lançado pela Dead Oceans (atual casa do Akron/Family e de John Vanderslice) em janeiro de 2008.  The Evening Descends continua de onde a estréia parou: o ouvinte é imerso em um mar de guitarras de todo tipo, melodias marcantes e os mais variados sons do espaço sideral; tudo encharcado de reverb. O trio ainda assimilou, com bastante naturalidade, o extraordinário senso pop do Clap Your Hands Say Yeah.

Lá pelos três quartos do disco você começa a enrugar, é verdade — a menos que tenha escamas, guelras e o resto do aparato. Algumas pessoas têm. É um belo mergulho, de qualquer forma.

Evangelicals - Midnight Vignette

Evangelicals - Stoned Again

Portastatic – Some Small History

05/05/2009

portastatic

Some Small History [2008]

CD 01, CD 02 <- Download

No final dos anos 80, Mac McCaughan começou a registrar, num estúdio portátil, composições que não combinavam com o repertório de sua banda principal, o Superchunk. Gravada na cozinha de sua casa durante uma das primeiras sessões – mas lançada somente em 92, por insistência de um amigo —, a genial Starter marca o início do Portastatic. O projeto solo lo-fi acabou virando uma banda de verdade, que ao longo de seus 10 discos migrou da tosqueira para um som mais pop, sem que sua essência fosse comprometida. Some Small History cobre todo este processo, reunindo em 2 CDs raridades, b-sides e covers.

Como sugere o título, aqui você encontra pequenas histórias; suficientemente verdadeiras para te lembrar de várias passagens da sua própria adolescência loser: ficar a fim de uma menina magrela de óculos; não conseguir fumar um cigarro amassado em seu bolso; se empolgar quando uma nova garota chega na vizinhança; gostar de alguém e ao mesmo tempo não querer freqüentar suas festas, nem falar com seus amigos. Os dois últimos exemplos são regravações de clássicos do Undertones e Galaxie 500, que funcionam muito bem no contexto da coletânea, tão bem quanto as músicas de McCaughan.

Starter
Too Trashed to Smoke
Trajectory

Chad VanGaalen – Soft Airplane

23/03/2009

softSoft Airplane [2008] <-Download

É de praxe apontar semelhanças entre Chad VanGaalen e outros artistas canadenses.  A estréia folk rendeu-lhe comparações com Neil Young, e seu primeiro hit, Clinically Dead, é totalmente Broken Social Scene. Soft Airplane demorou dois anos para ser gravado por VanGaalen, que nunca soou tão pop e psicodélico quanto neste terceiro trabalho. O álbum foi lançado no Canadá por sua própria gravadora, a Flemish Eye, e distribuído no resto do mundo pela Sub Pop.

A abertura Willow Tree é um mix de Elliott Smith com a psicodelia fofa do Flaming Lips, receita que se repete em Inside the Molecules. No decorrer das outras 11 faixas, você vai se surpreender com arranjos de vibrafones, acordeões,  clarinetes e outros instrumentos que fazem a alegria dos fãs da primeira geração da Elephant 6. Mas Soft Airplane está longe de ser um álbum acústico, batidas eletrônicas e guitarras também são frequentes, proporcionando momentos space-rock que remetem às viagens do Grandaddy.

Willow Tree
Inside the Molecules
Bare Feet on Wet Griptape

chad

Envelopes – Here Comes The Wind

21/03/2009

envelopes

Here Comes The Wind [2008] <- Download

Here Comes The Wind foi lançado no ano passado, com a  tarefa sempre difícil de equiparar-se a uma bem-sucedida estréia feita com toda a calma do mundo. Para isso, os Envelopes convidaram para a produção de seu segundo álbum o experiente Tore Johansson, que tem no currículo Franz Ferdinand e Cardigans. Johansson ajuda bastante, proporcionando pela primeira vez ao grupo franco-sueco um som de estúdio coeso, embora sem excessos. Indo quase ao extremo oposto de Demon — o ótimo debute da banda, de 2005 —, aqui eles soam mais básicos, crus, e bem mais fortes. Já citava-se muito os Pixies na época de Demon, mas em HCTW o quarteto americano ressoa com muito mais presença, em  faixas como Party, single que abre o disco, e Smoke In The Desert, Eating The Sand, Hide In The Grass, que também deve a vida ao Talking Heads.

O timbre do vocalista Henrik Orrling, em alguns momentos incrivelmente parecido com o de Black Francis, ganha mais uma vez uma boa contraposição na voz única da integrante francesa Audrey. Ela ilumina momentos como Freejazz — já lançada em single previamente — e o encerramento Seawise, que amarra o conceito do álbum — a capa, o título, toda a idéia central. Ainda tem a faixa bônus Calypso, lado B do single de Life On The Beach, com o adorável refrão “I don’t wanna go to school, I don’t wanna go tomorrow”, para fechar Here Comes The Wind em perfeitos trinta e sete minutos e meio.

Party
Smoke In The Desert, Eating The Sand, Hide In The Grass
Calypso