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Scrawl – Velvet Hammer

12/02/2010

Velvet Hammer [1993] <- Download

Antes que Ohio ficasse marcada por suas bandas de porão e gravações lo-fi — quando o estado ainda não tinha qualquer relevância no rock alternativo —, o Scrawl lançou seu primeiro álbum. Plus, Also, Too, financiado por uma vaquinha organizada entre amigos da banda, saiu em 1987 pela pequena No Other. O disco gerou bons comentários, e levou o trio feminino de Columbus a um contrato com a Rough Trade US. Até o pedido de falência do braço americano da gravadora inglesa, saíram He’s Drunk (1988), gravado no estúdio do Prince (!), e o ótimo Smallmouth (1990), com o produtor Gary Smith (Pixies, Throwing Muses, Chills).

Velvet Hammer foi lançado pela Simple Machines* em 1993. O quarto dos seis álbuns do Scrawl marcou a estréia do baterista Dana Marshall, primeiro integrante masculino do grupo, que tornou o som mais coeso e entrosado. Crua e ameaçadora (como de costume), a produção de Steve Albini realça o aspecto mais dramático da banda — garantindo às dez composições, escritas e cantadas pela baixista Sue Harshe e pela guitarrista Marcy Mays, uma profundidade inédita. Velvet Hammer é capaz de agradar tanto a fãs dos clássicos do Pixies e da PJ Harvey produzidos por Albini quanto aos admiradores de Liz Phair, Throwing Muses e Afghan Whigs (cujo aclamado Gentlemen, na faixa My Curse, traz uma participação de Mays nos vocais).

*A Simple Machines organizou, em 1992, um excelente tributo ao Beat Happening, já postado no Last Splash. Ao lado do Scrawl, participam nomes como Lou Barlow, Velocity Girl, Superchunk e o casal Thurston Moore e Kim Gordon.

Scrawl - Your Mother Wants To Know
Scrawl - Prize

Silkworm – Firewater

13/10/2009

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Firewater [1996] <- Download

O Silkworm surgiu na pequena Missoula, no estado americano de Montana, em 1987. Antes de se mudar para Seattle nas primeiras semanas da década seguinte, a banda lançou alguns EPs, influenciada pelo Mission of Burma e pelo pós-punk inglês. Em meio ao furacão grunge, as raízes fincadas nos anos 80 os deixaram um pouco antiquados para o rock alternativo da época — o que não impediu que lançassem dois discos pela Matador e fossem produzidos por Steve Albini. E, como o mundo dá voltas cada vez mais rápido, a sonoridade oitentista permitiu que o grupo tirasse proveito dos anos 00’s, antes de declarar seu fim em 2005. Após o término, foi organizado um tributo ao Silkworm, intitulado An Idiot To Not Appreciate Your Time.

Firewater, de 96, marca a estréia na Matador. A abertura Nerves é densa e melódica, mostrando logo de cara que a sonoridade truncada e estridente de bandas como Gang of Four já não era a única referência. Apesar da estética 80’s ainda predominar, quase comprometendo o disco, ela é compensada por sempre bem-vindos flertes com os anos 90, como acontece em Quicksand, com guitarras soltas e vocais que remetem ao Pavement. Vale mencionar que, em 2001, três integrantes do Silkworm se juntaram a Stephen Malkmus para formar o Crust Brothers. Qualquer dia falo mais sobre esta outra banda.

QuicksandNerves

Carnaval Shoegaze – Serena-Maneesh

25/02/2009

serena

Serena-Maneesh [2005] <- Download

O Serena-Maneesh é uma banda Norueguesa liderada por Emil Nikolaisen. Nascido no vilarejo de Moi, Emil tocava bateria na banda glam-punk Silver, que tinha Blanco Summer, seu irmão mais novo, como vocalista. Na época conhecido como Krazy Katzy (é), Nikolaisen abandonou o Silver – já relocado para a capital Oslo e com um disco de estréia bem-sucedido – para dedicar-se integralmente ao seu projeto paralelo, o Serena-Maneesh.

O primeiro álbum da banda, auto-intitulado, veio depois de dois EPs de boa ressonância. Produzido em estúdios de Oslo, Estocolmo, Chicago (no Electrical Audio, de Steve Albini) e Nova York, o disco foi lançado em 2005 também além das fronteiras nacionais. Saiu no mesmo ano na Noruega e por diferentes selos no Reino Unido, Austrália, Espanha, Alemanha, Canadá, Estados Unidos e França. Em Serena-Maneesh, competem incessantemente um furacão de guitarras ruidosas e ótimas melodias. As 11 faixas passam por momentos que remetem diretamente aos irmãos Reid, assim como a Kevin Shields e Bilinda Butcher. Mas Nikoladeisen (vocal/guitarra), com a ajuda de sua irmã Hilma (baixo/vocal) e de mais cinco músicos competentes, impõe sua personalidade (veja foto abaixo).

Serena-Maneesh - Drain Cosmetics

Noruegueses são assim mesmo.

Love Of Diagrams – Mosaic

19/02/2009

loveofdiagrams2

Mosaic [2007] <- Download

Em 2003, o Love Of Diagrams lançou na Austrália, sua terra natal, o disco The Target Is You. A estréia do trio reunia, em dez faixas praticamente sem vocais, tamanha energia e urgência que chamar aquilo de revival soa simplesmente injusto. Sim, as influências dos anos 80 – notadamente das vertentes pós-punk encabeçadas respectivamente por Joy Division e Mission Of Burma – estavam ali, escancaradas e muito bem honradas. Mas o cheiro de mofo inexiste.

A banda surgiu em 2001, em Melbourne. É composta por Luke Horton na guitarra, pela baterista Monika Fikerle (que esteve em vários outros grupos, incluindo o magistralmente batizado Jihad Against America) e pela baixista Antonia Selbach, cruzamento loiro de Siouxsie com Kim Gordon. Com o sucesso do debute pelo selo australiano Unstable Ape, assinaram com a Matador. Vieram alguns EPs e, em 2007, o álbum Mosaic, produzido por Bob Weston.

Weston é dono de um currículo impressionante. Começou como técnico de som numa college radio, quando cursava engenharia elétrica na cidade de Lowell, perto de Boston. Entre as bandas novas dos arredores que passaram pela estação estavam os Pixies e os Blake Babies. A experiência levou à profissionalização do serviço, e, de lá para cá, Bob trabalhou com Archers Of Loaf, Sebadoh, Eric’s Trip e Polvo, só para citar alguns nomes. Acabou se unindo a Steve Albini no Shellac, tocando baixo, e foi co-engenheiro em nada menos que In Utero, do Nirvana. Recentemente, para completar, tem dado uma força para os camaradas do Mission Of Burma na reunião, substituindo Martin Swope como tape-manipulator e novamente engenheiro, em shows e gravações.

É por essas e outras que a decisão do Love Of Diagrams de chamá-lo para comandar o Electrical Audio Studio de Albini no segundo álbum da banda foi, no mínimo, acertada. Mosaic é ainda mais denso e explosivo que The Target Is You, atingindo um outro patamar de criatividade. A principal inovação é o advento de letras e vocais, uma idéia interessante. Se você gosta de Shellac, Mission Of Burma, Joy Division e desajustes afins, baixe sem medo de ser feliz.

Love Of Diagrams - Pace Or The Patience
Love Of Diagrams - Ms. V. Export

Superchunk 01

14/01/2009

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Tossing Seeds [1992] <- Download

Superchunk é capaz de mudar muitas vidas. Não que tenha mudado a minha, muito menos que vá mudar a sua. Mas um CD deles nas mãos de um adolescente fã de hardcore melódico pode ser um divisor de águas.

Não é uma banda de hardcore, não esse hardcore burro feito por gente que considera o estilo uma coisa fechada, auto-suficiente. Vários motivos podem levar desavisados a pensar que eles são da Epitaph: acordes oitavados, bateria incansável e vocais melódicos. Mas eles começaram na Matador, lançando discos capazes de agradar fãs de Sonic Youth e Guided by Voices.

Poucas bandas de sua geração encarnaram tão bem o espírito do it yourself quanto eles. Durante o boom do Nirvana, quando várias bandas alternativas foram contratadas por majors, o Superchunk fez o caminho oposto e passou a gravar seus discos pela Merge, criada pelo vocalista Mac McCaughan. Os três primeiros lançamentos via Merge, com músicas gravadas entre 89 e 93, ajudam a contar um capítulo importante do rock alternativo dos anos 90.

Tossing Seeds reúne singles e raridades, algumas delas lançadas pela Matador. Soa como uma banda colegial inspirada em Husker Du e Replacements, um ótimo exemplo de como era interessante o rock alternativo americano no final da década de 80. O vídeo abaixo é impressionante, uma gravação do primeiro show da banda em 89. No youtube tem mais 3 músicas deste mesmo show, recomendo assistir todas.