Posts Tagged ‘00’s’

Magik Markers – I Trust My Guitar, Etc.

10/02/2011


I Trust My Guitar, Etc. [2004] <- Download

O Magik Markers surgiu na pequena Hartford, capital do estado de Connecticut, em 2001. Lançados em CD-R por selos que até o Google desconhece, os primeiros registros da banda resgatam os primórdios da cena no wave, quando hardcore e art rock caminhavam juntos. As performances caóticas do grupo chamaram a atenção de Thurston Moore, que os convidou para abrir shows do Sonic Youth e lançou, em 2004, I Trust My Guitar, Etc por sua gravadora, a Ecstatic Peace. Tão ou mais intenso quanto as referência da banda, o disco é um turbilhão de acordes dissonantes, batidas aceleradas, barulhos atonais e gemidos desesperados da vocalista e guitarrista Elisa Ambrogio. Gravações toscas e estruturas pouco atraentes impediram que as canções do trio fossem captadas pelos radares imprensa, deixando o Magik Markers de fora quando o assunto era o revival no wave – melhor assim, pelo menos eles não foram incluídos num balaio cheio de artistas meticulosamente toscos. Recomendado para fãs de Bikini Kill, Royal Trux, Free Kitten e Velvet Underground.

Plumtree – This Day Won’t Last At All

17/01/2011

This Day Won’t Last At All [2000] <- Download

O Plumtree surgiu em 1993, em Halifax, Canadá. Formado por quatro garotas no auge da adolescência, o grupo lançou sua estréia, Mass Teen Fainting, em 1995 — um hit nas rádios universitárias canadenses. Predicts the Future veio em 1998, transformando as mascotes da cena indie em uma das bandas mais amadas do país. É deste disco o single Scott Pilgrim, que daria nome ao personagem-título da bem-sucedida série em quadrinhos criada por Bryan Lee O’Malley. Repleta de referências ao rock canadense, a HQ recentemente foi adaptada para o cinema, e o blockbuster, assim como as graphic novels, tem levado o Plumtree a um público novo e diversificado mundo afora.

This Day Won’t Last At All é o terceiro e último álbum do quarteto, lançado em 2000. Idéias mais elaboradas e melhor execução não chegam a desfigurar o costumeiro punk com guitarras limpas do grupo. O som é basicamente o mesmo indie pop açucarado dos trabalhos anteriores, mas a produção confere maior profundidade aos novos arranjos. O clima  significativamente mais amargo das composições, com as letras mais sérias da banda, também demonstra um amadurecimento natural. A começar pelo título, este é um disco sobre  transformações, crescimento; um consciente adeus à adolescência, e uma despedida honesta para o Plumtree e para a década que acabava de escorrer pelo ralo.

Yuck – Yuck

06/01/2011

Yuck [2011] <- Download

Logo em suas primeiras horas, 2011 assistiu ao vazamento da aguardada estréia do Yuck, banda anglo-nipo-americana radicada em Londres. Numa época propícia para prenúncios sobre os anos 10, não é de se espantar que o grupo seja alçado a ponta de lança de um revival noventista. Então, antes de compará-los a bandas 90’s e de começarem a pipocar previsões simplistas sobre a década que se inicia, vale dizer que o Yuck troca figurinhas com guitar bands dos anos 00, como os parceiros de estrada do Times New Viking, e compartilha preferências estéticas com Weed Diamond, The Pains of Being Pure at Heart e Glauntlet Hair, entre outros nomes contemporâneos.

Em Yuck (Fat Possum, 2011), o rock alternativo americano adquire contornos shoegaze, ora seguindo os passos do Yo La Tengo, como no single Georgia, ora dosando estas vertentes à sua maneira. Erguida por envolventes camadas de guitarra, The Wall alia o peso e melancolia de J Mascis com a atmosfera gélida de Codeine. PELVs, Belreve e Teenage Fanclub também vêm à mente logo na primeira audição. Holing Out, influenciada pelo Superchunk, e Rubber, uma viagem etérea que ganhou remix do Mogwai, representam os extremos do álbum. Impossível ser leitor do Last Splash e não curtir o debute do Yuck.

Surf City – Kudos

14/09/2010


Kudos [2010] <- Download

O Surf City já apareceu por aqui com seu EP homônimo, caracterizado como se “Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Broken Social Scene colidissem dentro de uma única composição, que, se caísse em mãos erradas e fosse tratada num estúdio profissional, agradaria em cheio aos editores do Pichfork Media”. Depois do brilhante Surf City, de 2008, os quatro jovens neozelandeses poderiam investir suas mesadas num álbum super produzido, esperançosos em serem reconhecidos como um crossover dos anos 00’s, garantindo sua passagem para o mainstream e desaparecendo dos posts deste blog – o que, definitivamente, não aconteceu.

Kudos (Popfrenzy, 2010) é a interseção de dois mundos até então paralelos. Suas 11 faixas dosam a produção lo-fi da tosquíssima cena noise pop atual com a grandiloqüência de Animal Collective, Arcade Fire, entre outras bandas indies megalomaníacas contemporâneas. Embora bem mais produzido do que o trabalho anterior, Kudos soa como uma demo do Broken Social Scene, ou talvez como uma parceria entre os canadenses e o Sandy City. Contraditório a ponto de ser representativo sobre o rock alternativo dos anos 10.

Summer Hymns – Clemency

20/07/2010

Clemency [2003] <- Download

O Summer Hymns vem de Athens, Georgia. Zach Gresham (vocal/guitarra) e Philip Brown (bateria) integravam o Joe Christmas, que tinha afinidades com os conterrâneos da Elephant 6 e lançou dois bons álbuns pela Tooth & Nail em meados dos anos 90 — quando o selo cristão ainda possuía alguma dignidade. Com o fim da banda, Gresham e Brown se uniram ao baixista Derek Almstead e ao tecladista Dottie Alexander, ambos do Of Montreal. Contando também com Bren Mead (guitarra), a primeira encarnação do Summer Hymns figura em Voice Brother and Sister (2000) e A Celebratory Arm Gesture (2001).

Clemency veio em 2003 pela Misra, que lançou todos os discos do SH. No terceiro álbum da banda, Matt Dawson assumiu o baixo e Matt “Pistol” Stoessel a guitarra, com a saída de Almstead, Alexander e Mead. Muito bem produzido pelo expert Mark Nevers, do Lambchop, Clemency transborda de slide-guitars, vocais em harmonia e órgãos. Fica explícita a adoração por Neil Young, assim como influências do Teenage Fanclub e dos amigos da E6. São 14 faixas, em que batidas pop se intercalam com canções mais lentas e contemplativas. Clemency é recomendado para fãs de Pernice Brothers, Elf Power, Matthew Sweet, dos primórdios do Wilco e de alt-country em geral.

O quarto e último disco do Summer Hymns, Backward Masks, saiu em 2006.