Posts Tagged ‘90’s’

Fanzine – Low (EP)

01/08/2011


Low EP [2011] <-Download

Antes mesmo do Yuck lançar seu aclamado álbum de estréia, o Fanzine já era apontado como o novo Yuck. Com quatro faixas açucaradas assumidamente 90’s, Low até poderia render tal projeção ao quarteto londrino, que já em seus primeiros passos tem se mostrado alheio ao hype, deixando o caminho aberto para o History Of Apple Pie. Lançado de forma totalmente independente em junho deste ano, a versão física do EP foi encartada num zine disponível apenas na loja virtual da banda. Como se não bastasse terem optado por um esquema de prensagem e distribuição pouco comerciais, eles parecem fazer questão de omitir a colaboração de dois integrantes do Yuck nas sessões de gravação.

Cientes de que nem toda exposição é bem-vinda, o Fanzine tenta caminhar com as próprias pernas e busca ser reconhecido por suas composições, e não por ser uma aposta “soft grunge”. E já que as músicas são o que interessa, vamos a elas. Low, faixa que batiza este EP de estréia, e I Wanna Touch Your Hand fundem Dinosaur Jr e Teenage Fanclub, enquanto Rocket Fuel e Running Around remetem aos momentos mais pop de Pixies e Built to Spill, numa viagem bem-sucedida a um território onde poucas bandas britânicas se arriscam. Gravadas em 2010 e incluídas como bônus, as demos Susan e Beetle Song confirmam a predileção pelo indie americano, embora haja quem detecte a influência do Blur em ambas. Nota: 7.5

VA – I Stayed Up All Night Listening To Records

23/02/2011

I Stayed Up All Night Listening To Records [1998] <- Download

I Stayed Up All Night Listening To Records foi lançado em 1998 pela lendária Anyway Records, de Columbus, Ohio — pequeno selo em cujo catálogo constam Belreve, Mike Rep, Moviola e Guided By Voices, entre outros. As faixas da compilação foram inteiramente executadas, e quase sempre gravadas, cada uma por um único músico. Com poucas exceções, o material é exclusivo. Não é difícil entender por que o  álbum já foi apelidado de “nuggets lo-fi”: em pouco mais de uma hora de duração, encontram-se amostras de inúmeras vertentes do indie rock caseiro dos anos 90, com canções impecavelmente construídas e bastante ruído dos portastudios de cassete.

Os mestres Tobin Sprout e Robert Pollard, do Guided By Voices, encabeçam a lista de 25 artistas, quase todos naturais de Ohio. O primeiro em seu auge, na irretocável Cryptic Shapes, e o segundo em um de seus momentos menos acessíveis. Lendas locais como Mike Rep, Robert Griffin (Scat Records), Ron House e Don Howland aparecem com músicas dentro da excelente média do resto do disco. James McNew, do Yo La Tengo, sob seu pseudônimo Dump, contribui com a sentimental It’s Not Awright. Destacam-se ainda Ted Hattemer, do Moviola; e Jenny Mae, com a maravilhosa Drapes. Para completar, é intrigante a semelhança absurda que Straight To Neil, do obscuro Earnest, apresenta com o estilo de Lê Almeida.


Secret Square – Secret Square

01/02/2011

Secret Square [1995] <- Download

Criado como um projeto paralelo de Hilarie Sidney (então baterista do Apples In Stereo), o Secret Square estreou em 1995, com um 7” pela Elephant 6. Sidney tinha ao seu lado Lisa Janssen, cujo currículo inclui créditos como baixista em On Avery Island, do Neutral Milk Hotel. Ainda em 95, a dupla lançou seu primeiro e único álbum — auto-intitulado, assim como o single.

Secret Square é um dos momentos mais experimentais na discografia da E6. A produção lo-fi torna ainda mais confusa a instrumentação, com camadas de violões, efeitos sonoros e teclados  não raro desdenhando de preceitos musicais básicos (ritmo, afinação, harmonia etc). Mas a força do disco reside justamente na forma com que, apesar de tudo, as vozes suaves de Sidney e Janssen se impõem.

Desconstruções à parte, as onze faixas — sendo as quatro finais listadas como bônus — reúnem composições pop notáveis divididas entre as duas integrantes, além de uma boa versão de Candy Says, do Velvet Underground. Algumas passagens lembram as sombrias incursões acústicas do My Bloody Valentine, enquanto outras aproximam-se da psicodelia naïve mais acessível de seus companheiros de coletivo, e até mesmo do caos dos primórdios do Pavement. Secret Square é de uma singularidade desconcertante; um clássico perdido do indie pop americano.

By Divine Right – All Hail Discordia

20/12/2010


All Hail Discordia [1997]

Depois de quase dez anos lançando fitas demo, o By Divine Right debutou com All Hail Discordia (Nettwerk, 1997). Despido das ornamentações de seus sucessores, o disco evidencia os riffs de Miguel Contreras – talvez o mais próximo que uma guitar band já chegou do rock setentista – e as inventivas estruturas de suas composições. Refrãos são protelados por alguns segundos, valorizando os arranjos que os antecedem e, sobretudo, valorizando a si mesmos – artifício que Feist e Brendan Canning, ex-parceiros de Contreras, aprimoraram no Broken Social Scene. Mas, em All Hail Discordia, a dinâmica instigante não impede que as músicas tenham um formato pop, tanto é que as faixas beiram os dois minutos e, muitas vezes, soam como se o Noise Addict tivesse surgido num país gelado como o Canadá.

Urusei Yatsura – Pulpo!

13/11/2010


Pulpo! [1997] <- Download

Batizado em homenagem a um antigo mangá, e desde cedo renomeado deste lado do Atlântico e no Japão como apenas Yatsura (devido, você sabe, a leis), o Urusei Yatsura é um clássico exemplo de banda britânica dos anos 90 que optou por seguir a cartilha americana. O grupo foi formado em 1993, em Glasgow, pelos guitarristas Graham Kemp e Fergus Lawrie, que dividiam os vocais, e os irmãos Elaine e Ian Graham, respectivamente no baixo e bateria. Lançaram em 1995 o EP All Hail Yatsura, e no ano seguinte o incrível álbum We Are Urusei Yatsura, gerando prestígio instantâneo no meio indie da ilha.

Pulpo! saiu em 1997 pela Ché, reunindo singles e faixas de compilações. É inegável a influência do cânone norte-americano, sobretudo a indisciplina do Pavement e a barulheira do Sonic Youth. Mas não é um caso, como frequentemente se insinua a respeito do quarteto, de mera réplica — o Yatsura tem, sim, personalidade própria. Entre as 12 faixas da coletânea encontramos alguns dos melhores momentos dos escoceses, como Down Home Kitty e o hit Fake Fur. Há também passagens mais calmas, com violões, propiciando um descanso aos ouvidos que teria feito da estréia um disco ainda mais forte.

Kozee Heart, discutivelmente a faixa mais Pavement aqui, inicia com uma fala que zomba da condição derivativa do grupo e ilustra bem seu senso de humor: “Hey kids! This song was inspired by Steve Malkmus and the magic of Pavement. But before you write in and start taking the piss out of us, just remember: we could be doing this all the time! Please enjoy.” A banda acabou em 2001, após lançar seu terceiro álbum, Everybody Loves Urusei Yatsura. Kemp seguiu carreira-solo, e os demais integrantes continuam tocando juntos, com o nome Projekt A-KO — outro desenho japonês, mas desta vez com uma preventiva corruptela ortográfica.