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The Fall – Your Future Our Clutter

11/03/2010

Your Future Our Clutter [2010] -> Download

O vigésimo oitavo disco de estúdio do The Fall está previsto para o dia 26 de abril. Your Future Our Clutter é a estréia dos ingleses na Domino, casa de diversos seguidores (diretos ou indiretos) de Mark E. Smith. O que não é tão raro — sem dúvida, o grupo de Manchester é um dos mais influentes em atividade. Gravado ao longo do ano passado em vários estúdios no norte da Inglaterra, o novo trabalho mantém a formação que aparece em seu antecessor, Imperial Wax Solvent (Castle, 2008).

A definição certeira de John Peel é lembrança inevitável. “They are always different, they are always the same”. Apresentando os típicos ritmos frenéticos, baixo robusto, vocais falados e frases angulares de guitarra — rearranjados de forma criativa e inteligente com o inesgotável frescor de Smith —, Your Future Our Clutter é da densidade sempre esperada da banda favorita de Peel. Mais uma vez, os mestres do art rock criaram um álbum rico, assustador e atemporal, que poderia se encaixar em qualquer fase do grupo.

The Fall - O.F.Y.C. Showcase
The Fall - Weather Report 2

Beatnik Filmstars – In Hospitalable

08/02/2010

In Hospitalable [1997] <- Download

O Beatnik Filmstars surgiu no início dos anos 90, na cidade inglesa de Bristol. Ao longo da década, o grupo lançou uma série de discos e EPs por diversas gravadoras nos dois lados do atlântico, incluindo a Slumberland, a Caroline e a Scratch. In Hospitalable, de 1997, é a estréia dos ingleses na Merge. Embalada pela produção lo-fi, temos uma enxurrada de guitarras sujas e melodias pop, em nada menos que 20 faixas — características que renderam comparações com bandas americanas da época.

De fato, o quarto álbum do Beatnik Filmstars está muito mais próximo do Guided By Voices do que dos sons eletrônicos que dominavam a cena de Bristol então. O que é irônico, visto que Robert Pollard passou toda sua carreira se esforçando para mimetizar o sotaque de seus ídolos da british invasion. A excelente Artist V. Star soa como uma mistura de Motor Away, do GBV, e Heroes, do David Bowie. Músicas como as ácidas Now I’m a Millionaire e Lifestyles Of The Rich And Famous raramente foram compostas por grupos britânicos, enquanto Worng assemelha-se aos clássicos açucarados dos vizinhos do Teenage Fanclub. O Beatnik Filmstars reúne o melhor dos dois mundos.

Beatnik Filmstars - Hep Boys (Into Krautrock)Beatnik Filmstars - WorngBeatnik Filmstars - Everything Is Relative/This A Take

PENS – Hey Friend, What You Doing?

26/10/2009

download
Hey Friend, What You Doing? [2009] <- Download

A banda londrina PENS é formada por três garotas, que fazem um som com guitarras barulhentas, ritmo acelerado, canções curtas e melodias pop. Ironicamente, o que as difere das Vivian Girls é o fato de a principal referência estética de cada trio ter surgido no país do outro. Enquanto as nova-iorquinas bebem na fonte do Shop Assistants, as inglesas seguem a cartilha riot do Frumpies. Também procedem as comparações com outros grupos americanos atuais; mas, além de não dificultar a audição com uma produção tão estourada (como o Times New Viking), o PENS sabe que um bom disco é feito por várias canções, não por três faixas perdidas em meio a ruídos pretensamente art rock que não passam de encheção de linguiça — artifício que transformou em CDs o que deveriam ser EPs do Japanther e do No Age.

Lançado em setembro pela De Stijl Records, Hey Friend, What You Doing? (compre) é uma estréia despretensiosa, onde boas influências e limitações técnicas criam uma sonoridade que, se não é muito original, conquista pela autenticidade. Palhetadas incessantes sujam todo o álbum, sobre uma bateria repetitiva e quadrada, e só não conseguem se sobrepor ao timbre agudo de um teclado infantil que funciona como fio condutor para os momentos mais acessíveis. As letras e vocais adolescentes aproximam as garotas dos artistas da K Recs que tinham um um pé no riot grrrl e outro no twee. Hey Friend é, sem dúvida, uma das melhores estréias do ano. A dica veio num post do Gilberto, do Lazer Guided Melodies.

I Sing Just For YouHigh in the CinemaFreddie

pens

Daisy Chainsaw – Eleventeen

26/06/2009

daisy_chainsaw

Eleventeen [1992] <- Download

Eleventeen, de 1992, é a estréia do Daisy Chainsaw. Formado em Londres em 1989, o grupo teve uma carreira curta, com apenas dois discos e alguns compactos lançados. Embora pouco lembrado (possivelmente devido à nacionalidade, improvável pelo som da banda), é um dos nomes mais intensos da época; personificando uma estética perfeita para a juventude perdida do início dos anos 90 — suja, agressiva, e incoercivelmente punk.

A guitarra abrasiva e a cozinha muscular faziam cama para os berros, grunhidos e afins da musa KatieJane Garside, centro indiscutível das atenções. Rodando pelo palco em vestidos imundos, como uma boneca achada no lixo, ela poderia ser considerada uma das mais interessantes riot grrrls que já surgiram (e uma das primeiras). O Daisy Chainsaw acabou em 1995, depois de lançar seu segundo álbum, For They Know Not What They Do — já sem Garside, que deixou o grupo em 1993.

Love Your Money, hit que em 1991 gerou o hype da banda, é o carro-chefe de Eleventeen; mas o disco conta com outras faixas de mesmo poder. Impossível não imaginar que se I Feel Insane, You Be My Friend, The Future Free e Pink Flower — só para citar algumas — tivessem sido lançadas, por exemplo, pela Kill Rock Stars ou pela Sub Pop, seriam clássicos da estatura de um L7, Babes In Toyland ou Hole.

Daisy Chainsaw - Love Your Money
Daisy Chainsaw - You Be My Friend

Graham Coxon – Love Travels at Illegal Speeds

18/06/2009

graham

Love Travels at Illegal Speeds [2006] <- Download

Gravados por Graham Coxon enquanto esteve fora do Blur,  Happiness in Magazines e Love Travels at Illegal Speeds poderiam ser uma interessante continuação do álbum Blur, de 97, caso o guitarrista prosseguisse seu flerte com o indie americano ao invés de permitir que a desilusão amorosa de Damon Albarn se impregnasse em 13. O punch e os riffs que fizeram de Song 2 um mega hit aparecem aos montes, em canções que, se fossem lançadas por sua ex-banda, você certamente saberia a letra de cor. Junto com o recém-lançado The Spinning Top, são os discos mais coesos da carreira solo de Graham, conseguindo balancear urgência punk, melodias pop e uma pitada dos anos 90; resultado que apenas quem pogou num show do Buzzcocks, ajudou a compor Coffe & TV e apresentou Pavement aos demais integrantes do Blur poderia alcançar com tanta perfeição.

Love Travels at Illegal Speeds é um pouco mais inspirado do que seu antecessor Hapinesse in Magazines, lançado dois anos antes. Acredite, nenhum disco do Blur tem tantos hits em potencial quanto este aqui.

Graham Coxon - Standing On My Own Again
Graham Coxon - Don't Believe Anything I Say