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Dum Dum Girls – I Will Be

27/03/2010

I Will Be [2010] <- Download

I Will Be, álbum de estréia das Dum Dum Girls, foi gravado ao longo de 2009, ainda no formato one-girl-band. Com participações do onipresente Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) em Yours Alone, Brandon Welchez (Crocodiles) em Blank Girl, e o amigo Andrew Miller em várias faixas, o disco foi finalizado por Richard Gottehrer, do Strangeloves. No currículo do produtor constam Voidoids, Blondie, Go-Gos e Raveonettes, além da co-autoria e co-produção de My Boyfriend’s Back, das Angels, um dos grandes clássicos dos girl groups dos anos 60.

Em essência, I Will Be (compre aqui) continua na linha das primeiras faixas de  Dee Dee. O tratamento de Gottehrer, porém, aliado possivelmente a uma maior calma na produção, traz resultados gritantes. O som agora é cheio, propulsivo, redondo — em suma, mais palatável para o público abrangente que a Sub Pop está visando para este lançamento. E o selo está certo em apostar. Se o Raveonettes e o Yeah Yeah Yeahs atingiram as major leagues, as Dum Dum Girls também se qualificam. I Will Be, independente de para onde levará o agora quarteto, é desde já um dos melhores álbuns do ano.

Dum Dum Girls - Jail La La
Dum Dum Girls - Yours Alone

Liars – They Were Wrong So We Drowned

31/10/2009

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They Were Wrong So We Drowned [2004] <- Download

Hoje, dia das bruxas, é uma ótima data para dar continuidade à discografia comentada do Liars.

Em 2003, Angus Andrew e sua namorada Karen O. trocaram o Brooklyn por uma residência rural no estado de Nova Jersey. Quando o YYYs saiu em turnê, os outros dois integrantes do Liars também se mudaram para a casa de campo, e, a partir de sombrias caminhadas noturnas pela floresta, começaram a pensar na concepção de seu segundo álbum. Interessado em forças ocultas, o trio passou a pesquisar sobre bruxaria na Internet. Um erro de digitação (brocken witch ao invés de broken witch) os levou a conhecer a Walpurgisnacht, uma celebração do folclore alemão. Segundo a tradição, no primeiro dia da primavera os homens saiam às ruas, acendendo fogueiras e fazendo muito barulho na esperança de espantar os demônios que surgiriam depois de ficarem presos durante o inverno. Esta foi a principal inspiração para a obra-prima do Liars, gravada na própria fazenda e produzida por David Sitek, do TV On The Radio.

Uma sensação de medo e escuridão perpassa todo o álbum, fazendo com que o ouvinte seja tragado para uma atmosfera medieval perturbadora. Imagine uma viagem lisérgica numa procissão pagã, embalada por uma marcha fúnebre hipnótica que te conduz a uma bad trip sufocante, com batidas tribais frenéticas e sintetizadores densos que não permitem abstrair o que acontece ao seu redor. A influência do Gang of Four ainda é nítida, mas nada aqui funcionaria numa pista. Os momentos moderninhos e potencialmente dançantes estão imersos no caos, e surgem com uma agressividade que potencializa a demência do disco.

Definitivamente, They Were Wrong So We Drowned não é acessível. Mas audições num contexto adequado (sozinho e drogado num quarto escuro) podem facilmente incluir o Liars entre suas bandas favoritas da década.

If You're a Wizard Then Why Do You Wear GlassesHold Hands And It Will Happen Anyway

Nickel Eye – Time Of The Assassins

03/03/2009

nickel-eye

Time Of The Assassins [2009] <- Download

Nickel Eye é o projeto paralelo do baixista dos Strokes, Nikolai Fraiture. Apoiado pelo trio londrino South, que conheceu por intermédio de sua esposa inglesa, Fraiture construiu seu primeiro disco solo a partir de antigos poemas, muitos ainda de sua adolescência. O álbum tem sonoridade simples – mais próximo de Is This It que de First Impressions On Earth, ponto positivo – e conta com participações de Regina Spektor e Nic Zinnes (YYYs).

Produzido em Londres e Nova York, Time Of The Assassins foi lançado no final de janeiro pela Rykodisc e vem com 11 músicas. Com exceção da última – uma versão para Hey, That’s No Way To Say Goodbye, da estréia de Leonard Cohen – todas são de autoria de Nikolai. Ele também assume voz e violão, além do baixo. Num trabalho baseado em poemas, a escolha da influência principal não poderia ser melhor. Cohen, que completa em 2009 setenta e cinco anos, empresta sua visão cínica de mundo, e o baixista compõe canções redondas e diretas misturando esse tom à sagacidade pop de sua banda principal.

O resultado é agradável, e tão promissor quanto o Little Joy de Fabrizio Moretti e os dois álbuns de Albert Hammond Jr. Faz pensar, com o baterista e o guitarrista também em mente, que o novo disco dos Strokes tem lá suas boas chances. Isto é, caso o grupo utilize melhor os talentos de todos os integrantes, em vez de sobrecarregar Julian Casablancas, como tem sido até agora. Se, por um lado, tal fórmula já rendeu uma obra-prima, por outro já demonstrou fortes sinais de esgotamento. E está bem provado que Casablancas não é o único ali com capacidade para criar boas músicas – agora ainda mais.

Nickel Eye - You And Everyone Else
Nickel Eye - Another Sunny Afternoon

Boss Hog – Drinkin’ Lechin’ & Lyin’

27/02/2009

Boss Hog [1989] Drinkin’ Lechin’ & Lyin’ <- Download

Numa época em que suas crias mais bem sucedidas descambaram para a eletrônica, a volta do Boss Hog é um alívio. Se bem que “alívio” não é um termo adequado quando o assunto é o combo liderado por Jon Spencer e pela deliciosa Cristina Martinez, uma das bandas mais profanas da no wave, e com certeza a mais sexy a pisar no palco do CBGB.

Cristina Martinez e seu marido Jon Spencer se conheceram em 85 durante um show do Jesus and Mary Chain. No ano seguinte, Cristina teve uma breve passagem pelo Pussy Galore, tocando a terceira guitarra, berrando e se apresentando nua nos caóticos shows da banda. Em 89, quando o Pussy Galore estava quase implodindo, Jon Spencer começou a se dedicar a outros dois projetos, o Jon Spencer Blues Explosion e o Boss Hog. Além do casal, completavam o Boss Hog o baterista Charlie Ondras e mais dois guitarristas, o também ex-Pussy Galore Kurt Wolf e Jerry Teel, parceiro de Cristina no Honeymoon Killers. Esta foi a formação do primeiro registro da banda, o EP Drinkin’ Lechin’ & Lyin’, gravado na casa do produtor Steve Albini e lançado em 89 apenas em k7.

Eles lançaram mais 4 discos e sumiram em 2001, quando só restava o casal Spencer da formação original. A banda voltou a se apresentar em dezembro de 2008, para alegria de quem se decepcionou com a sonoridade moldada para as pistas dos últimos lançamentos das crias hypadas YYYs e The Kills.

Sugar Bunny
Trigger, Man

Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!

23/02/2009

blitzIt’s Blitz! [2009] <- Download

Interrompemos nossa programação indie-carnavalesca para postar um lançamento que tinha tudo pra ser relevante.

Quando o YYYs abortou as gravações do segundo álbum e recomeçou do zero para não lançar uma xerox de Fever to Tell, ficou claro que os nova-iorquinos não queriam se repetir. Mas não vejo sentido em fugir da repetição de uma fórmula relativamente autêntica para chegar ao terceiro disco com uma proposta tão genérica. It’s Blitz! abraça os anos 80 e apresenta várias músicas sem graça, quase sempre com a mesma fórmula: batidas programadas, camadas de sintetizadores e o vocal descolado da Karen O.

O pior de tudo é que, apesar da sonoridade eletrônica, nenhuma faixa tem mais potencial para as pistas do que Honeybear ou Date With The Night. Mesmo assim, ainda acredito que eles possam lançar discos legais, afinal, It’s Blitz! tem momentos inspirados, o problema é que eles estão embalados numa estética que não me agrada. Estou otimista pra sacar como as músicas vão funcionar ao vivo, só não posso dizer o mesmo sobre os remixes que vão começar a surgir daqui uns dias.