Posts Tagged ‘experimental’

Magik Markers – I Trust My Guitar, Etc.

10/02/2011


I Trust My Guitar, Etc. [2004] <- Download

O Magik Markers surgiu na pequena Hartford, capital do estado de Connecticut, em 2001. Lançados em CD-R por selos que até o Google desconhece, os primeiros registros da banda resgatam os primórdios da cena no wave, quando hardcore e art rock caminhavam juntos. As performances caóticas do grupo chamaram a atenção de Thurston Moore, que os convidou para abrir shows do Sonic Youth e lançou, em 2004, I Trust My Guitar, Etc por sua gravadora, a Ecstatic Peace. Tão ou mais intenso quanto as referência da banda, o disco é um turbilhão de acordes dissonantes, batidas aceleradas, barulhos atonais e gemidos desesperados da vocalista e guitarrista Elisa Ambrogio. Gravações toscas e estruturas pouco atraentes impediram que as canções do trio fossem captadas pelos radares imprensa, deixando o Magik Markers de fora quando o assunto era o revival no wave – melhor assim, pelo menos eles não foram incluídos num balaio cheio de artistas meticulosamente toscos. Recomendado para fãs de Bikini Kill, Royal Trux, Free Kitten e Velvet Underground.

Secret Square – Secret Square

01/02/2011

Secret Square [1995] <- Download

Criado como um projeto paralelo de Hilarie Sidney (então baterista do Apples In Stereo), o Secret Square estreou em 1995, com um 7” pela Elephant 6. Sidney tinha ao seu lado Lisa Janssen, cujo currículo inclui créditos como baixista em On Avery Island, do Neutral Milk Hotel. Ainda em 95, a dupla lançou seu primeiro e único álbum — auto-intitulado, assim como o single.

Secret Square é um dos momentos mais experimentais na discografia da E6. A produção lo-fi torna ainda mais confusa a instrumentação, com camadas de violões, efeitos sonoros e teclados  não raro desdenhando de preceitos musicais básicos (ritmo, afinação, harmonia etc). Mas a força do disco reside justamente na forma com que, apesar de tudo, as vozes suaves de Sidney e Janssen se impõem.

Desconstruções à parte, as onze faixas — sendo as quatro finais listadas como bônus — reúnem composições pop notáveis divididas entre as duas integrantes, além de uma boa versão de Candy Says, do Velvet Underground. Algumas passagens lembram as sombrias incursões acústicas do My Bloody Valentine, enquanto outras aproximam-se da psicodelia naïve mais acessível de seus companheiros de coletivo, e até mesmo do caos dos primórdios do Pavement. Secret Square é de uma singularidade desconcertante; um clássico perdido do indie pop americano.

Psychedelic Horseshit – Magic Flowers Droned

06/12/2010

Magic Flowers Droned [2007] <- Download

O Psychedelic Horseshit encabeça, ao lado do Times New Viking, a lista de bandas excepcionais surgidas em Ohio nos últimos tempos. Liderado por Matt Whitehurst, o trio formou-se na mesma Columbus do TNV, em 2005. Ao longo dos dois anos seguintes lançaram uma série extremamente barulhenta de CD-Rs e compactos, compilados no ano passado em Golden Oldies.

Magic Flowers Droned saiu em 2007 pela Siltbreeze — casa de Eat Skull, Sic Alps, Pink Reason, TNV e mais. É o primeiro álbum do Psychedelic Horseshit, e soa como uma evolução das gravações anteriores.  Com uma dose saudável de boa vontade, é possível discernir, sob a abrasividade lo-fi característica de Ohio, um eficiente núcleo pop que faz lembrar o som da Flying Nun — bem como Mike Rep, patrono da tosqueira de Columbus, e Alastair Galbraith, cria da cena neozelandeza e descoberta da Siltbreeze. A cota de ruído e experimentação é generosa, sem dúvida, mas não chega a ser gratuita; está lá com um propósito, dialogando com as canções e criando uma atmosfera que qualifica o Psychedelic Horseshit como um dos grupos mais instigantes e distintos em atividade.

Surf City – Kudos

14/09/2010


Kudos [2010] <- Download

O Surf City já apareceu por aqui com seu EP homônimo, caracterizado como se “Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Broken Social Scene colidissem dentro de uma única composição, que, se caísse em mãos erradas e fosse tratada num estúdio profissional, agradaria em cheio aos editores do Pichfork Media”. Depois do brilhante Surf City, de 2008, os quatro jovens neozelandeses poderiam investir suas mesadas num álbum super produzido, esperançosos em serem reconhecidos como um crossover dos anos 00’s, garantindo sua passagem para o mainstream e desaparecendo dos posts deste blog – o que, definitivamente, não aconteceu.

Kudos (Popfrenzy, 2010) é a interseção de dois mundos até então paralelos. Suas 11 faixas dosam a produção lo-fi da tosquíssima cena noise pop atual com a grandiloqüência de Animal Collective, Arcade Fire, entre outras bandas indies megalomaníacas contemporâneas. Embora bem mais produzido do que o trabalho anterior, Kudos soa como uma demo do Broken Social Scene, ou talvez como uma parceria entre os canadenses e o Sandy City. Contraditório a ponto de ser representativo sobre o rock alternativo dos anos 10.

Thinking Fellers Union Local 282 – Mother of All Saints

02/09/2010

Mother of All Saints [1992] <- Download

Mother of All Saints é o quarto álbum do Thinking Fellers Union Local 282, e o segundo da banda pela Matador. Mais robusto que Lovelyville, seu antecessor, e mais esquizofrênico que seu sucessor Strangers From The Universe (já postado no Last Splash), o disco de 1992 é uma vasta coleção de sons estranhos gerados por guitarras elétricas. O quinteto de São Francisco passeia, durante sessenta e oito minutos, por momentos propulsivos quase punk, ecos de shoegaze (ouça Wide Forehead), piadas internas, e densos experimentos concretistas que fazem os feedbacks de um Telescopes soarem acessíveis. Melodias pop pipocam aqui e ali, sempre criativas e surpreendentes, em doses homeopáticas espalhadas pelas 23 faixas. Fundamental.