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Ciro Madd – Sleeping in the Rough Sea

22/11/2012

 Sleeping in the Rough Sea [2012] <- Download

A cabeça de Ciro Madd é habitada por ícones do rock sessentista, flashbacks de ensaios em corais infantis, ruídos de sua adolescência shoegaze e resquícios de bad trips. Ainda nos anos 90, Ciro deixou o interior para morar em São Paulo, instalando seu bedroom studio no porão de um bairro italiano. Rodeado por pedais de distorção, gravadores fourtrack e um piano do século XIX, ele tem registrado as melodias que passam por sua mente, esculpindo-as sob forma de uma psicodelia acinzentada de rara sutileza pop. Reunindo algumas dessas faixas gravadas ao longo dos anos 00’s, Sleeping in the Rough Sea, debute de Ciro Madd, acaba de sair pela Pug Records, disponibilizado em MP3 gratuito, CD-R e uma versão estendida em k7.

Abrindo o disco, Long Time, uma balada soturna conduzida por teclados, apresenta Ciro em seu instrumento original. Enfileirando pérolas lo-fi, ele declara sua paixão pelos anos 60 na sussurrada See You e em The Color of Your Mind, onde harmonias vocais pincelam cores psicodélicas ao folk. Evoluindo do indie pop oitentista ao power pop da década seguinte, Candy Song e The Call revelam a admiração pelas guitar bands britânicas, o que se confirma na plasticidade desorientante de Experiment, com ecos de dream pop. Fechando o álbum, She’s Waiting For The Sunlight flerta com os primórdios rock progressivo, porém, assim como nas demais, mantendo o foco na melodia, cuja força independe dos diferentes contornos estéticos que possa vir a adquirir.

Uma vez que Sleeping in the Rough Sea dialoga com a recente safra de bandas indies americanas influenciadas pela Creation, vale dizer que sua concepção é alheia a tal movimento, apresentando peculiaridades. Sem tantos reflexos do pós-punk, Ciro viaja por conta própria aos anos 60, resgatando tanto nomes obscuros quanto dinossauros antiquados. No entanto, a despretensão e genialidade pop do disco transcendem discussões sobre suas influências, conferindo certo frescor ao que poderia soar nostálgico. Então, passados 50 minutos, suas 14 faixas desmistificam uma suposta barreira entre rock clássico e alternativo, que ainda separa dois grupos igualmente inocentes: os que se apegam ao passado e os que celebram qualquer novidade.

Recomendado para fãs de Minks, Teenage Fanclub, Beach House, Tobin Sprout, Lilys e George Harrison.

Babe Florida – Vol.1

04/07/2010


Vol.1 [2010] <-Download

Babe Florida é um coletivo de agregados da Transfusão Noise Records. Com oito faixas em oito minutos, o EP de estréia do projeto reafirma a paixão da Transfusão pelo indie americano, bem como a rara destreza de seus artistas para transformar esta admiração em roques pegajosos cantados em português. Entre os 11 colaboradores creditados no encarte, estão músicos que se revezam nas várias bandas do selo, como Bigú e Evandro Fernandez. Lê Almeida aparece nas oito faixas, e em uma delas é acompanhado pela esposa Michelle e pela irmã Letícia, de 10 anos. Fora da baixada, mas ainda no cast da Transfusão, tem o pessoal do Fujimo, representado pelos irmãos João e Paulo Casaes, que co-produziu e masterizou o EP. Saindo do estado do Rio, tem o mineiro Matheus Lopes (guitarrista da Churrus), cuja participação se deu via e-mail. Vol.1 é o primeiro de vários outros que estão por vir. Assim que esses volumes somarem 40 minutos, os sócios da Transfusão pretendem compilá-los no formato LP, para bater o recorde de faixas presentes num 12 polegadas e para ter um registro digno do barulho que tem sido feito pelo selo mais DIY do Brasil.

Segue abaixo o primeiro clipe do Babe Florida, editado por Dellani Lima.

Para comprar o EP, clique aqui.