Ween – The Pod

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The Pod [1991] <- Download

A audição displicente de um disco do Ween, estando o ouvinte limpo de entorpecentes, pode facilmente levar a muitas conclusões erradas. As de que a banda é uma grande piada de mal-gosto, uma ostensiva auto-sabotagem, de que eles não têm um pingo de habilidade musical ou de que estão rindo da cara do mundo, por exemplo. Eu disse “erradas”? A verdade é que o Ween é, sim, tudo isso. Eles estão se divertindo, não tenha dúvida. Mas para alguém corajoso e determinado, podem significar bem mais, e eu não estou aqui te incentivando a seguir o terrível caminho sem volta das drogas, não me entenda mal. O que quero dizer é que, da forma que você preferir dar atenção a eles, vai notar um exercício mental enorme servindo de abrigo para dois prolíficos compositores.

Alguém consegue me apontar um grupo que tenha feito tantas boas músicas pop, apenas para usar como veículo descartável para a criatividade, seja o que for que tenha lhes ocorrido? Nem que seja (e freqüentemente é!) simplesmente uma nova forma divertida de escrotizar ou destruir completamente uma canção, de tirar sarro de algum estilo qualquer que as pessoas sigam sem pensar ou, ainda, de insultar a falta de senso de humor dessas pessoas. Aaron Freeman (Gene Ween) e Mickey Melchiondo (Dean Ween) não consideram a música popular, e aparentemente nada ao seu redor, dignos de serem levados a sério, e utilizam-se do enorme talento com o qual nasceram dotados (aqui é onde eu finco o pé) para ilustrar essa ideologia. “Tanta gente por aí doida pra ter um pouquinho de talento e eles jogando fora”. Sim, dá para considerar um grande desperdício, dependendo do ponto de vista. “Eu não vou perder meu tempo ouvindo uma banda que fica brincando de fazer música ruim”. Respeito sua opinião, e te aconselho a não baixar esse disco. Mas aos bem-dispostos, que tentem a sorte. Na pior das hipóteses, você ainda tem pelo menos umas 15 boas canções para tentar descobrir por debaixo de toda essa lambança. Coisa de maconheiro.

(Ah, The Pod é o segundo álbum de “estúdio” do Ween, e os representa em sua encarnação mais tosca, bizarra e intrigante. Parece ter absolutamente de tudo ali dentro, impressão que só passa quando você se depara com a vasta discografia que eles continuam ampliando, sem nunca se repetir).

Dr. Rock

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2 Respostas to “Ween – The Pod”

  1. Mike Rep And The Quotas – Stupor Hiatus Vol. 2 « last splash Says:

    […] pop dos anos 60 e do protopunk até sons que chegam a aproximar-se da esquizofrenia maconheira do Ween. Mas, assim como no GBV — e na maioria das bandas com que Mike trabalha —, o mais importante […]

  2. Ariel Pink’s Haunted Grafitti – Before Today « last splash Says:

    […] a música mais comercial da segunda metade do século passado. Não obstante gente como Beck, Ween e muitos outros já terem proposto coisas parecidas, Ariel demonstra personalidade e talento […]

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