Não estou conseguindo acompanhar todos os discos lançados por Robert Pollard este ano. Alguns acabaram nem sendo citados no blog, negligência que não poderia se repetir neste terceiro álbum do Boston Spaceships – banda em que também tocam Chris Slusarenko (ex-GBV) e John Moen (The Decemberists). Zero to 99 é bastante influenciado pelos anos sessenta, passando pelos clichês de forte apelo pop até chegar em momentos mais garageiros e psicodélicos. É o melhor registro do trio até agora, e parte deste êxito se deve às participações especiais de Sam Coomes (Quasi), Scott McCaughey (Minus 5) e Peter Buck (R.E.M.). Mr. Ghost Town, com um riff 60′s contagiante, é a música mais legal de Pollard em 2009.
O Oh-Ok foi formado em Athens, no início dos anos 80, por Linda Hopper, que cantava, e Lynda Stipe, que tocava baixo e também cantava. Com o baterista David Pierce, elas gravaram em 1982 seu EP de estréia, o sensacional Wow Mini Album. No ano seguinte, Pierce foi substituído pelo xará David McNair, e juntou-se à banda o guitarrista Matthew Sweet. Furthermore What, segundo EP e último lançamento do Oh-Ok, foi gravado com essa formação.
Lynda Stipe, além do sobrenome e da cidade natal, tem em comum com o vocalista do R.E.M. também os pais (hã? hã?). Foi o irmão Michael o maior incentivador para que ela começasse seu próprio grupo, que, apesar da curta carreira, é um dos nomes-chave da mítica cena de Athens do início dos anos 80. The Complete Recordings, lançado em 2002 pela Collector’s Choice, reúne tudo o que se tem registrado do Oh-Ok: os dois EPs; quatro faixas de um show no lendário 40 Watt Club, ainda sem guitarra; e mais nove outras ao vivo. No total são menos de cinqüenta minutos, divididos em 23 músicas, com apenas uma não-autoral — a versão de Psycho Killer, do Talking Heads, que encerra o disco (“I don’t know if it’s cool to do it here”, uma das meninas comenta no início da faixa).
O Oh-Ok soa como um elo perdido entre as origens do B-52’s e do R.E.M., e representa como poucos grupos o momento precioso do nascimento do indie pop americano. Nos anos seguintes, Matthew Sweet desenvolveu uma bem-sucedida carreira solo, que persiste até hoje. Lynda atualmente toca no obscuro Flash To Bang Time, e Linda vem desde os anos noventa comandando o Magnapop.
Oh-Ok - Lilting
Oh-Ok - Psycho Killer
Integrantes do R.E.M., Oh-Ok e a fotógrafa Laura Levine, em 1983.