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Blood On The Wall – Awesomer

15/06/2010

Awesomer [2005] <- Download

Aliada às explosões instrumentais, a voz áspera, atonal e freqüentemente gritada do guitarrista Ben Shanks traz de imediato à mente o Mclusky (e, conseqüentemente, o Pixies). Os murmúrios ofegantes de sua irmã, a baixista Courtney, fazem jus à cidade da banda, soando maravilhosamente alusivos a Kim Gordon. Heat From The Day e Keep Your Eyes não deixam dúvidas. Outros nomes nova-iorquinos também aparecem: os momentos mais calorosos do Yo La Tengo (I’d Like To Take You Out Tonight); os melhores momentos do Yeah Yeah Yeah’s. Nada que deponha tanto contra a personalidade do Blood On The Wall, uma vez que o resultado é homogêneo e razoavelmente distinto — dentro da despretensão reinante. A punk Gone, com uma clara citação de Paranoid, do Black Sabbath, é exemplar do espírito festivo do trio.

Sucedendo o disco auto-intitulado do ano anterior, Awesomer foi lançado pela Social Registry em 2005. É o segundo dos três álbuns do Blood On The Wall — o terceiro é Liferz, de 2008. Sem fugir à pauta pista-de-dança da década recém-finada, a banda agrega ao caldo, com ótimos resultados, referências que muitos nomes hypados negligenciaram completamente.

O baterista Miggy Littleton toca também no Ida, grupo veterano do indie pop de Nova York.

Future Of The Left – Travels With Myself And Another

29/05/2009

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Travels With Myself And Another [2009] <- Download

Em 2005, pouco depois do fim do Mclusky, Andy Falkous (vocal/guitarra) e Jack Egglestone (bateria) se juntaram ao baixista e vocalista Kelson Mathias, da também recém-falecida conterrânea galesa Jarcrew, para dar início a uma nova banda. O Future Of The Left veio para confirmar as esperanças dos fãs do Mclusky de uma espécie de continuação do grupo. A estréia Curses, de 2007, trazia todos os esperados e bem-vindos elementos que fizeram o bom nome do trio original de Falkous: letras sujas, de espetacular senso de humor negro; vocais desesperados, tipo matadouro; além de influências do hardcore e, claro, do lado mais assustador do Pixies. Tudo isso somado a novas sonoridades, trazidas por Mathias — notadamente sintetizadores, que quebraram ocasionalmente a hegemonia da guitarra esgüelada e do baixo distorcido. A banda deu, ainda, chances mais generosas à melodia, colhendo bons resultados.

Previsto oficialmente para o mês que vem, Travels With Myself And Another vazou no final de abril, para desapontamento do equilibrado Falkous. Qualquer um que conheça Mclusky Do Dallas — tranqüilamente um top ten desta década, numa hipotética lista do Last Splash — não precisa de mais nenhum motivo para baixar o sucessor de Curses; mas valem algumas observações: o grupo continua de onde parou no último disco, na linha evolutiva iniciada em 2000 com My Pain And Sadness Is More Sad And Painful Than Yours. O rock alternativo denso dos anos 90 — Jesus Lizard, Girls Against Boys, Shellac — vai aos poucos cedendo espaço a influências oitentistas, ao passo que as melodias se mostram mais presentes e importantes. A gloriosa Land Of My Formers lembra Mission Of Burma e Hüsker Dü, mas é de um peso com que essas bandas apenas sonharam (ou não) naquela época. You Need Satan More Than He Needs You (para não perder o hábito de criar slogans maravilhosos) poderia ser do Big Black, do Mission Of Burma ou até do PiL — demência mental pura. E há mais anos 80 no hit instantâneo Yin/Post-Yin e no fechamento Lapsed Catholics (a segunda metade do álbum é bem melhor do que a primeira), cujo naipe de metais liquida com qualquer dúvida quanto a qual década o pessoal do País de Gales tem ouvido mais nos últimos tempos.

Future Of The Left - You Need Satan More Than He Needs You


Future Of The Left - Yin/Post-Yin



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